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Higienização das ruas de Salvador tranquiliza população durante pandemia do Coronavírus

27 Março 2020

Por volta das 16h de sexta-feira (27), um ônibus parou em frente ao Hospital Geral Ernesto Simões Filho, na Caixa D'água. De lá saltaram homens usando uma roupa de proteção branca,

máscara, óculos e levando um pulverizador nas costas. Os equipamentos de proteção individual (EPIs) dignos de filme chamaram a atenção de quem estava nos arredores do centro de saúde. “Com tanta proteção, eu sentiria medo se não soubesse que eles estão aqui para fazer uma limpeza com produto químico”, contou o eletricista Elson dos santos, 51 anos.

Chamados de agentes pulverizadores, os homens limparam os arredores do hospital com uma solução de hipoclorito de sódio e água. A ação é parte de uma operação especial de higienização dos locais mais movimentados de Salvador e das imediações das unidades de saúde da capital em combate ao coronavírus promovida pela Prefeitura por meio da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb).

Ao todo, 120 agentes da Limpurb estão envolvidos no trabalho. Destes, 80 foram treinados para manusear e pulverizar a solução nas vias e estruturas da cidade. Para realizar o trabalho, os agentes caminham pelo local jogando a mistura desinfetante em todos os espaços possíveis.

De acordo com o presidente da Limpurb, Marcus Passos, a solução tem 99% de eficiência no combate ao coronavírus. A higienização tranquiliza quem tem que ir aos hospitais. O aposentado Fernando Oliveira, 60 anos, estava de quarentena, mas saiu de casa para visitar a neta na Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Netto, que fica ao lado do Hospital da Caixa D’água, e também recebeu a limpeza.

“Com essa pandemia, quanto mais se precaver melhor. Eu vejo que os gestores de Salvador e da Bahia estão tomando as melhores iniciativas no Brasil para combater o vírus. Essa é uma boa iniciativa”, afirmou.

A cabeleireira Patrícia Menezes, 45, contou ter ficado mais calma ao ver que os arredores da maternidade estavam sendo limpos. “É uma prevenção e temos que nos prevenir o máximo possível. Mas a preocupação não deixa de existir”, disse.

Para o aposentado, Mário Vieira da Silva, 67, os EPIs usados pelos agentes indicam a expertise dos trabalhadores na higienização contra o coronavírus. “É um uniforme bonito, que mostra que eles têm autoridade e sabem o que estão fazendo”, avaliou o idoso enquanto observava a limpeza na frente do Hospital Ernesto Simões.

Não é de estranhar a necessidade de EPIs durante a limpeza, afinal, os agentes aplicam a solução hipoclorito de sódio - uma espécie de água sanitária diluída - em um local com possível contaminação pelo coronavírus.

Os observadores concordam que é necessário se proteger. “Quando eu vi [a higienização] aqui fora, achei legal porque diminui os riscos de contágio e dá uma segurança maior. Pelo ambiente em que essas pessoas trabalham, elas devem mesmo estar com essas roupas”, comentou o técnico em edificações, Fábio Carvalho, 38.

Agentes da Limpurb devem usar equipamentos de proteção durante o trabalho (Arisson Marinho/CORREIO)

Além dos agentes pulverizadores, a higienização especial ainda conta com a atuação de quatro veículos adaptados para pulverização e dez carros-pipa com desinfetantes. As ações de limpeza e higienização continuam por tempo indeterminado.

Para auxiliar o trabalho, a empresa PQA Produtos Químicos Aracruz doou para a prefeitura 18 mil litros da solução, que serão transformados em 200 mil litros do produto. De acordo com o prefeito ACM Neto, a quantidade deve ser suficiente para dar suporte à primeira etapa de limpeza.

A Rua Direta do Uruguai foi o primeiro local a receber a higienização, na tarde da última quinta (26). Até a sexta (27), a operação de limpeza também passou pelos seguintes locais: Hospital Municipal de Salvador, UPA do Parque São Cristóvão, Hospital Geral do Estado, Hospital Ernesto Simões, Quinto Centro, UPA dos Barris, Hospital Jorge Valente, Hospital Aliança, Clínica de Olhos Santa Luzia e maternidades Magalhães Neto e Tysila Balbino.

A previsão é que essas equipes atuem em dois horários, às 7h e às 17h. De acordo com o presidente da Limpurb, o trabalho empregado em cada local varia de acordo com as necessidades do ambiente. “Depende do fluxo de pessoas no local e da mobilidade do bairro. A gente mapeou essas áreas para já começar as ações”, disse Passos.

A medida é mais um reforço às ações de combate à transmissão do novo coronavírus (Covid-19). Desde a semana passada, a Limpurb também realiza a higienização dos principais terminais de ônibus e de veículos do transporte coletivo.

*Com supervisão da subeditora Fernanda Varela

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