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Crise inesperada pode acontecer por causa da covid-19: falta de camisinhas

09 Abril 2020

Com praticamente todo o planeta em quarentena, por causa do novo coronavírus, uma consequência inesperada pode acabar acontecendo: a falta de camisinhas. Várias fábricas de preservativos, assim como de outros produtos,

estão paralisadas, como medida de prevenção à covid-19. Se o cenário se tornar uma realidade, o problema pode ser sério.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), seria desastroso que o produto sumisse das prateleiras no mundo. Isso acarretaria em aumento no número de gestações indesejadas, abortos clandestinos e transmissões de doenças sexualmente transmissíveis.

A Malásia, um dos maiores produtores de camisinhas do mundo, está com política de isolamento desde o dia 18 de março. A medida afetou a Karex, que fabrica um a cada cinco preservativos no mundo, e a empresa estimou que produzirá 200 milhões de unidades a menos até o fim do mês.

"O mundo enfrentará, sem dúvida, uma falta de preservativos. É um motivo de preocupação grande pois as camisinhas são um item sanitário de primeira necessidade", disse o diretor-executivo da Karex, Goh Miah Kiat, à AFP.

A companhia interrompeu a produção em três fábricas na Malásia, por causa do isolamento. Mas, ao mesmo tempo, advertiu que a demanda por preservativos aumentou desde o início das políticas. A imprensa indiana já reportou que cresceu em 30% a venda de camisinhas no país desde que foi imposta a quarentena aos seus 1,3 bilhão de habitantes.

A Agência das Nações Unidas para a Saúde Sexual e Reprodutiva (UNFPA, na sigla em inglês) já avisou que só poderá atender de 50% a 60% dos pedidos de fornecimento de preservativos que normalmente recebe. A agência teme um aumento no número de abortos clandestinos e de contágios por doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids.

"O fechamento de fronteiras e as demais medidas de restrição prejudicam o transporte (de mercadorias) em vários países e regiões. Uma falta generalizada de preservativos ou qualquer outro meio contraceptivo pode gerar um aumento de gestações indesejadas com consequências desastrosas para a saúde e o bem-estar de adolescentes, mulheres, seus parceiros e famílias", disse um porta-voz da UNFPA à AFP.

A solução para a crise pode estar na China - justamente, o país onde a pandemia do novo coronavírus começou. Por lá, as atividades já estão sendo retomadas, incluindo o trabalho dos principais produtores de preservativos do país. De acordo com a AFP, a HBM Protections, que fabrica mais de 1 bilhão de camisinhas por ano, disse que deve retomar o ritmo normal em breve. E ainda anunciou que espera triplicar sua capacidade até o fim do ano.

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