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Deslizamento atinge imóvel na Gamboa de Baixo e coloca em risco 25 famílias

24 Mai 2020

As chuvas dos últimos dias em Salvador causaram mais deslizamentos e estragos em imóveis na capital baiana. Quase um ano após uma casa desabar e outras dezenas serem notificadas na

Gamboa de Baixo, uma outra residência foi atingida neste domingo (24), por volta das 9h, na Rua Hamilton Sapucaia, principal meio de acesso dos moradores do bairro, colocando em risco outras casas e cerca de 25 famílias no local.

De acordo com a Defesa Civil de Salvador (Codesal), o deslizamento de parte da via aconteceu sobre a laje de um imóvel, "sem causar nenhum tipo de dano ou vítimas".

Ao CORREIO, a presidente da associação dos moradores da Gamboa, a comerciante Ana Cristina da Silva, 46 anos, contou que a comunidade sempre passa por situações de risco no período de chuva, mas a coisa piorou no ano passado, após o desabamento da casa da auxiliar de serviços gerais Gleide Passos. Isso fez com que cerca de 50 famílias fossem notificadas e ficassem com acesso dificultado as suas casas no local. Com o deslizamento da manhã deste domingo, Ana estima que pelo menos mais 25 famílias tiveram suas casas colocadas em risco.

"A gente está com esse problema desde julho do ano passado. O deslizamento de hoje é na mesma rua. O caminho de acesso ficou interditdo, fazendo com que os moradores estejam improvisando formas para sair e entrar no local. No ano passado, uma parte do caminho deslizou em cima de uma casa de moradora. Ela perdeu a casa e várias outras pessoas foram notificadas. Vários órgãos da prefeitura fizeram visitas e nada foi feito. Hoje, depois das chuvas todas dos últimos dias, um deslizamento atingiu uma casa que já está notificada desde o ano passado. Agora a rua está quase toda interditada. Se os deslizamentos continuarem, a população da Gamboa vai ficar ilhada. Vidas estão sendo colocadas em risco", disse a representante.

Segundo a moradora, após o desabamento do ano passado, a prefeitura prometeu uma reforma na Gamboa de Baixo. "Antes dessa loucura de pandemia, a gente fez uma manifestação e eles disseram que iam fazer uma escada provisória. Em março deste ano, colocaram uma equipe para refazer uma escada de madeira para as pessoas descerem e entrarem na comunidade. Trabalharam por três dias e depois informaram que não tinha mais material", afirmou.

Confira a publicação feita pela Associação nas redes sociais.

Em nota, a Codesal informou ao CORREIO que, assim que acionada, neste domingo (24) enviou uma equipe ao local: "A Codesal esteve no local fazendo avaliação e solicitando as intervenções emergenciais para que novos acidentes sejam evitados. Três famílias precisaram ser evacuadas dos imóveis no entorno e a via foi parcialmente interditada. Além disso, foi solicitada a retirada do material que ficou depositado sobre a laje e colocação de lona. A Codesal, órgão que integra a categoria de serviços fundamentais do município, atende normalmente a população pelo telefone gratuito 199".

Sobre as reformas previstas para acontecer no local, a Codesal informou que apenas faz a vistoria e encaminha as demandas para os órgãos responsáveis. As obras ficam a cargo da Secretaria de Manutenção da Cidade (Seman) e Superintendência de Obras Públicas (Sucop).

A reportagem ainda não conseguiu contato com a Seman e a Sucop.

Casa desabou em 8 de julho de 2019
A residência da auxiliar de serviços gerais Gleide Passos desabou na Rua Hamilton Sapucaia, na Gamboa de Baixo, em 8 de julho de 2019. Ela, que morava sozinha, perdeu todos os pertences e até hoje não tem um lar.

A namorada de Gleide, a pintora Antônia Silva, estava na companhia dela quando o imóvel desabou. Elas estavam juntas no bairro de Narandiba, quando os vizinhos as avisaram do ocorrido. "Foi cedo da madrugada. Nós estávamos na minha casa. Assim que chegamos vimos tudo no chão. Ela perdeu tudo, não para de chorar. Ela tem problema de pressão, está muito mal. Estou muito preocupada. Estamos vendo as condições dela para ver se levamos para o hospital", contou Antônia, ao CORREIO.

A casa foi demolida pelas equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e da Empresa Bahiana de Águas e Saneamento (Embasa). Outras duas casas no entorno da dela foram evacuadas e interditadas.

A Embasa informou, na época, que as redes de água e esgoto do local foram afetadas por movimentação de terreno encharcado pelas fortes chuvas que atingiram Salvador em julho. A Empresa disse ainda que a localidade da Gamboa não tem rede de drenagem pluvial, estrutura responsável pelo escoamento adequado das águas de chuva no meio urbano. A rede de água foi fechada e a Embasa está aguardando a liberação da Codesal para iniciar os reparos.

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