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Ministério da Saúde tira do ar portal com informações sobre coronavírus no Brasil

06 Junho 2020

O Coronavírus Brasil, site do Ministério da Saúde que reunia as informações e dados sobre o novo coronavírus no país, foi retirado do ar. Desde a noite da última sexta-feira

(6), quem acessa o link apenas vê a mensagem "Portal em manutenção".

Portal segue fora do ar e não há informações sobre quando estará disponível
(Foto: Reprodução)

O site trazia os números oficiais sobre a covid-19 no Brasil, incluindo quantidade de casos confirmados, de mortes em decorrência da doença e de pessoas já recuperadas. Também existiam gráficos que mostravam o avanço do coronavírus por estados e por regiões. O governo não informou por qual motivo o portal foi retirado do ar, nem por quanto tempo isso acontecerá e quando ele estará disponível novamente.

O Ministério da Saúde, porém, já afirmou que pretende fazer uma recontagem do número de mortes por covid-19 no Brasil. Carlos Wizard, que vai assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, afirmou ao jornal O Globo que os dados atuais são, em sua opinião, "fantasiosos ou manipulados".

Neste sábado, o presidente Jair Bolsonaro oficializou a divulgação do boletim do Ministério da Saúde para às 22h. Na gestão de Luís Henrique Mandetta, os dados eram publicados às 17h. Depois, passaram para 19h. Desde quarta-feira (3), porém, já eram anunciados somente depois de 21h.

"As rotinas e fluxos estão sendo adequados para garantir a melhor extração dos dados diários, o que implica em aguardar os relatórios estaduais e checagem de dados. Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão", escreveu Bolsonaro no Twitter, em nota assinada pelo Ministério da Saúde.

5- Para evitar subnotificação e inconsistências, o @minsaude optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão.

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) June 6, 2020

Na sexta-feira (5), quando foi questionado sobre o horário do levantamento, o presidente afirmou que "acabou matéria no Jornal Nacional". Em declaração à imprensa em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro ainda disse que "ninguém tem de correr para atender a Globo"

O formato do boletim também mudou e deixou de trazer o número total de mortos e contaminados - agora, só aparecem os números do dia.

"A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostram as situações como as cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação. Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica", continuou Bolsonaro no Twitter.

Projeto de lei determina que dados sejam repassados à Câmara dos Deputados
Para driblar o atrado no boletim do Ministério da Saúde, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (PDT-CE), vai apresentar, na segunda-feira (6), um projeto de lei que determina que os números da covid-19 no Brasil sejam repassados pelas secretarias estaduais à Câmara, ao mesmo tempo em que são enviados ao governo federal.

Em entrevista ao Estadão, Figueiredo disse que a ideia é que o parlamento divulgue os dados com rapidez. "Vamos sistematizar os dados pelo parlamento e daremos a publicidade que o governo não quer dar", afirmou. "A transparência é um dever do poder público e o presidente da república vem tratando com desdém o sofrimento de 35 mil famílias que perderam entes para o coronavírus", continuou.

Figueiredo também garantiu que números acumulados de casos e mortes pelo coronavírus também deverão ser divulgados pelos deputados. "Temos que divulgar da maneira mais clara para a população", completou.

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