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Brasileirão: todas as Bolas de Prata conquistadas por times baianos

08 Agosto 2020

O Campeonato Brasileiro começa neste sábado (8), e com ele a tentativa do futebol baiano de se tornar protagonista no cenário nacional. Em 2020, o Bahia é o único representante do

estado na Série A.

O torneio, além de consagrar grandes times, como o Internacional de 1979, o Palmeiras da era Parmalat no biênio 1993/94, o Vasco de 1997, o Santos de 2002 e o Flamengo de 2019, valoriza também os destaques individuais, que são laureados através da Bola de Prata, premiação anual criada pela Revista Placar em 1970 para coroar o melhor jogador de cada posição (portanto, 11 ao todo) e que se tornou um selo de qualidade para os envolvidos na principal competição do país.

Ao longo dessa história de 50 anos da premiação, 17 vezes o prêmio já foi dado a um jogador de um time baiano, sempre do Bahia ou do Vitória. Foram oito ganhadores com a camisa tricolor e nove com a rubro-negra. E são eles que nós apresentamos a seguir:


1970 Picasso (Bahia)

O Bahia emplacou um jogador na Bola de Prata logo no ano de criação do prêmio, em 1970. Foi o goleiro Picasso, que estava na reserva do São Paulo e chegou ao tricolor baiano emprestado para disputar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, equivalente na época ao atual Campeonato Brasileiro, que só seria criado no ano seguinte. Pelo Bahia, Picasso foi eleito melhor o goleiro da competição e retornou ao São Paulo em 1971. Atualmente, tem 81 anos e mora no Rio Grande do Sul, seu estado natal.

O time do Bahia em 1970. Em pé: Aguiar, Zé Oto, Roberto Rebouças, Amorim, Paes e Picasso. Agachados: Lourival, Sanfilippo, Zé Eduardo, Baiaco e Artur
(Foto: Reprodução / Revista Manchete)


1972 Osni (Vitória)

Destaque do Vitória e depois do Bahia na década de 1970, o atacante ganhou duas vezes a Bola de Prata, ambas jogando pelo Leão. A primeira delas foi em 1972, um ano guardado com muito carinho pelos torcedores rubro-negros por causa do título baiano comandado pelo ataque formado por Osni, André Catimba e Mário Sérgio. No Brasileiro, só Osni entrou para a seleção do campeonato. Tem 68 anos e vive em Salvador.

Leia também: Osni, vida e obra de um dos maiores craques de Bahia e Vitória

O Vitória de 1972. Em pé: preparador Raimundo Barbosa, Luiz Motta, Fernando Silva, Luiz Rangel, Valter, Agnaldo, França e o massagista Gaguinho. Agachados: Osni, Gibira, André Catimba, Almiro e Mário Sérgio
(Foto: Reprodução / Acervo pessoal)


1973 Mário Sérgio (Vitória)

Um dos maiores craques que já vestiram a camisa do Vitória em 121 anos de história do clube, Mário Sérgio também quatro Bolas de Prata, sendo duas pelo rubro-negro, em 1973 e 74. As outras foram no Internacional, em 1980 e 81. Faleceu em 2016, aos 66 anos, no acidente com o avião da Chapecoense. Ele era comentarista da Fox Sports na época e viajava para a cobertura da final da Copa Sul-Americana, na Colômbia, no mesmo voo do time catarinense.

Mário Sérgio defendeu o Vitória de 1971 a 75
(Foto: Reprodução)


1974 Joel Mendes, Mário Sérgio e Osni (Vitória)

Neste ano o Vitória fez uma bela campanha, terminando a primeira fase em 4º lugar entre os 20 clubes do Grupo A (havia mais 20 no B) e brigando até a última rodada da segunda fase com o Vasco, que segurou o empate em 0x0 na Fonte Nova e acabou eliminando o Leão e classificando para o quadrangular semifinal. A boa campanha foi premiada com três jogadores na seleção Bola de Prata: o goleiro Joel Mendes e a dupla Mário Sérgio e Osni, que ganhava a honraria pela segunda vez na carreira. Ao fim da temporada, Joel Mendes voltou para o Santos, de onde fora emprestado ao Vitória – depois seria bicampeão baiano pelo Bahia em 1976/77. Tem 74 anos e mora no Paraná, onde é ídolo do Coritiba, clube onde iniciou a carreira.

Joel Mendes treinando no Vitória em 1974
(Foto: José Martins/Revista Placar)


1976 Perivaldo (Bahia)

O lateral direito nascido em Itabuna, no sul do estado, ganhou duas Bolas de Prata, uma por cada clube em que mais se destacou na carreira: pelo Bahia, em 1976, e pelo Botafogo, em 1981, ano em que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em um amistoso. Faleceu em 2017, aos 64 anos.

Perivaldo quando jogava no Bahia
(Foto: Reprodução/Revista Placar)


1978 Jésum (Bahia)

Tricampeão baiano de 1976 a 78, Jésum emendou a Bola de Prata no Brasileirão no último ano. O ponta esquerda tinha tanta facilidade no drible que ganhou o apelido de Uri Jésum por entortar os laterais adversários – uma referência a Uri Geller, o israelense naturalizado britânico que entortava talheres nos programas de TV brasileiros da época com seus supostos poderes paranormais. Com o destaque no Brasileirão, Jésum foi para o Grêmio no ano seguinte. Hoje aos 66 anos, mora em Uberlândia (MG).

Time do Bahia hexacampeão baiano em 1978. Agachado, Jésum é o penúltimo à direita, de bigode
(Foto: Reprodução/Acervo Ronaldo Passos)


1988 Pereira, Paulo Rodrigues e Bobô (Bahia)

O time campeão não poderia faltar na lista. Em 1988, ano do título brasileiro, três jogadores do Bahia foram agraciados com a Bola de Prata: o zagueiro Pereira – que ficou sem contrato na reta final porque o campeonato invadiu 1989 e foi para o Guarani -, o volante Paulo Rodrigues e o meia Bobô.

Em pé: Sidmar, Pereira, João Marcelo, Paulo Robson, Edinho, Paulo Rodrigues e o preparador físico José Carlos Queiroz. Agachados: Zé Carlos, Gil, Bobô, Renato e Marquinhos
(Foto: Reprodução/Revista Placar)

1993 Dida, Roberto Cavalo e Alex Alves (Vitória)

O Vitória esbarrou no Palmeiras na final, mas a campanha do vice-campeonato tornou o time rubro-negro uma sensação naquele ano. E o resultado disso foram três jogadores contemplados: o goleiro Dida, o volante Roberto Cavalo e o atacante Alex Alves. Atualmente, Dida tem 46 anos e é treinador de goleiro nas categorias de base do Milan, um dos clubes onde fez sucesso na carreira; Roberto Cavalo é técnico do Criciúma; e Alex Alves faleceu em 2012, aos 37 anos.

O Vitória de 1993 na final contra o Palmeiras. Em pé: Dida, China, João Marcelo, Gil Sergipano, Rodrigo e Renato Martins; Agachados: Roberto Cavalo, Paulo Isidoro, Claudinho, Giuliano e Alex Alves
(Foto: Reprodução)


1999 Leandrinho (Vitória)

Outra grande campanha do Vitória no Brasileirão aconteceu em 1999, quando chegou à semifinal. Um dos destaques do time era o jovem lateral esquerdo Leandrinho, então com 20 anos, que havia sido garimpado no América-RJ. Ele arrebentou no Brasileirão e ganhou a Bola de Prata. Defendeu o Leão até o início de 2002, quando foi para o Cruzeiro, e teve uma segunda passagem em 2009.

Leandrinho ganhou a Bola de Prata em 1999; a imagem é da segunda passagem dele pelo Vitória, em 2009
(Foto: Antonio Queirós/CORREIO)


2001 Emerson e Preto Casagrande (Bahia)

Pelo regulamento do campeonato, os oito primeiros colocados da primeira fase se classificavam para as quartas de final, quando começava o mata-mata. O Bahia avançou com a última vaga e enfrentou o São Caetano, que liderou com folga após ter sido vice-campeão no ano anterior. Em jogo único, o tricolor empatou em 0x0 fora de casa e acabou eliminado por causa da vantagem do adversário, fruto da melhor campanha. Emerson fez uma das suas melhores partidas pelo Bahia naquela noite. Preto, que organizava as ações ofensivas do time naquela temporada, também ganhou a Bola de Prata. Foi a última vez que um time baiano teve um jogador premiado.

Emerson e Preto Casagrande foram os últimos a ganhar Bola de Prata por um time baiano
(Fotos: Arquivo CORREIO)


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