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Carreata com imagem do Senhor do Bonfim leva celebração às ruas da Federação

14 Setembro 2020

Uma alvorada com fogos de artifícios e toques de sinos acordou cedo os moradores do Engenho Velho da Federação e arredores nesta segunda-feira. Todo dia 14 de setembro é comemorado na

paróquia do bairro o dia da Exaltação da Santa Cruz, um momento para lembrar que a morte de Jesus Cristo na cruz foi um oferecimento de salvação à humanidade.

A festa teve como tema “Antes de mandar amar, eles nos amou” e foi celebrada com missa às 7h30, seguida de uma carreata com as imagens do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora das Dores pelas principais ruas da comunidade, sendo encerrada à noite com ato litúrgico presidido pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Esta saída foi a segunda vez este ano em que a imagem peregrina do Bonfim circulou pela cidade. A primeira tinha sido em abril, logo no início da pandemia de covid-19, e 48 bairros foram visitados. A mais importante figura do catolicismo baiano circulou pedindo pelo fim da situação de calamidade no país. Até então este gesto só tinha acontecido em outros seis momentos difíceis vividos pelos baianos, como epidemias e guerras.

“Desejamos aproveitar o ensejo da pandemia e levar um pouco de paz e consolo às famílias e às pessoas durante este isolamento social. O Senhor do Bonfim fala direto ao coração do povo baiano, tão religioso e fraterno”, afirma o pároco Lázaro Muniz, ex-padre da Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.

Depois da missa de abertura, que homenageou os paroquianos falecidos pela nova doença e por outras razões diversas, a comunidade católica da Paróquia da Santa Cruz saiu em carreata, partindo do Seminário São João Maria Vianney, na Avenida Cardeal da Silva, e seguindo pela Rua Apolinário de Santana até o fim de linha do bairro.

Família de Thiara Souza (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Imagem de Nossa Senhora das Dores
Imagem de Nossa Senhora das Dores (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Padre Lázaro Muniz
Padre Lázaro Muniz (Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
Família de Thiara Souza
Família de Thiara Souza (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Imagem de Nossa Senhora das Dores
Imagem de Nossa Senhora das Dores (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Padre Lázaro Muniz
Padre Lázaro Muniz (Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

A bordo do primeiro carro que seguia as imagens, a família da atendente de telemarketing Thiara Souza, 35, estava presente com três gerações: os pais dela, Claudionor e Arinalda Souza, a irmã Karine, e a sua sobrinha Luna Maria que havia sido batizada na paróquia no domingo. Todos são moradores do bairro e, para eles, ver a imagem do Bonfim passando pelas ruas foi um momento único e emocionante.

“Foi muito bom ver a imagem abençoando o nosso bairro, que é tão carente de tantas coisas. Foi bonito ver as pessoas emocionadas, principalmente as senhorinhas de idade, que estão se sentindo muito sozinhas nessa época. Nós temos muito tempo de paróquia, mas nunca vivenciamos isso. Já fomos no Bonfim, mas nada é como estar no seu chão, ver os rostos conhecidos agradecendo, fazendo reverências”, descreve Thiara, que desde criança é ligada à igreja da Santa Cruz, onde fez catequese, 1ª eucaristia e crisma.

Segundo ela, a chegada do padre Lázaro Muniz à paróquia promoveu o estreitamento dos laços de respeito com as dezenas de terreiros de candomblé existentes no bairro. Lázaro ficou conhecido por abrir, por sete anos, as portas da Rosário dos Pretos para os toques de atabaques e pandeiros como sinal de aceitação da diversidade religiosa. Ele se despediu da igreja do Largo do Pelourinho no início do ano passado com direito a festa com samba, orquestra e muita gente.

“O padre trouxe um olhar diferenciado para o nosso bairro por ele ter contato com outras religiões. É gratificante quando a gente vê que cada um respeita a sua crença e consegue viver em comunhão, então foi muito especial”, conta ela.

O padre justifica que resolveu fazer o passeio da imagem do Bonfim pelo Engenho Velho da Federação para levar o lembrete de que o mandamento “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” não teria sido simplesmente uma ordem, mas um testemunho de amor de Jesus Cristo.

“O mandamento do amor foi vivido por ele, ele foi o primeiro a nos ensinar a amar os amigos, irmãos, e até os inimigos, os que nos odeiam. A amar toda a humanidade”, lembra o pároco.

Dom Sérgio da Rocha e padre Lázaro Muniz (Foto: Rafael Miranda/Paróquia da Santa Cruz)

À noite, às 19h, o cardeal Dom Sérgio da Rocha celebrou a missa de encerramento manifestando seu carinho pelas igrejas batizadas com o nome de Santa Cruz, pois a capela que frequentava na infância levava o mesmo nome. Além disso, citou que ajudou a construir o Santuário da Santa Cruz dos Milagres, no Piauí, onde foi arcebispo, e a própria basílica em que foi ordenado cardeal, em Roma, tem também o nome de Santa Cruz.

O Papa Francisco usou as redes sociais para também emitir uma mensagem sobre a data de Exaltação da Santa Cruz, na qual disse: "A revelação do amor de Deus por nós parece uma loucura. Cada vez que olhamos para o Crucifixo, encontramos esse amor. O Crucifixo é o grande livro do amor de Deus".

A revelação do amor de Deus por nós parece uma loucura. Cada vez que olhamos para o Crucifixo, encontramos esse amor. O Crucifixo é o grande livro do amor de Deus. #ExaltaçãoDaCruz

— Papa Francisco (@Pontifex_pt) September 14, 2020
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