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Geração de vínculos é fundamental para processo adotivo de um filho

27 Mai 2020
Foto: Divulgação

A espera de um filho biológico encontra-se na previsão do tempo cronológico. Já na adoção, o processo pode durar para além dos, comumente, nove meses – período

gestacional. O aguardado lar, o tão desejado “filho de coração” traz em si um longo caminho, porém, necessário para geração de vínculo entre as partes.
A expectativa por um lar ainda é realidade enfrentada por, pelo menos, 4.580 crianças e adolescentes no Brasil, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), captado em 20 de maio. No Ceará, há 129 crianças e adolescentes disponíveis para adoção.

A médica Ana Paula Sales, de 47 anos, mãe do Mateus de 10 anos e do João Pedro de 7 anos, há 11 anos teve o sonho da adoção realizado. Ana Paula conta que sempre teve o sonho de ser mãe, principalmente mãe de meninos. O desejo foi adiado por questões externas, mas quando veio a decisão, chegou, também, o desapontamento “foram muitas tentativas naturais, pelo menos três testes positivos, seguido de perdas precoces. Em seguida, novas tentativas, por meio de tratamentos, seguidos de insucessos, nos acompanharam por um bom tempo”, relembra. Foi o esposo de Ana Paula que sinalizou sobre o assunto de adoção e logo ela aceitou a ideia. Então, chegou em suas vidas o Mateus, ainda no ano de 2009, naquele ano ainda estava para ser implementada uma nova legislação para adoção. Portanto, “o processo do Mateus foi mais simples. Entramos com o pedido de adoção, a juíza nos ouviu, soube de nosso desejo, a mãe biológica também contou sobre suas razões para dar o seu filho para adoção. Então, recebemos a guarda provisória e em quatro meses a guarda definitiva”, explica Ana Paula. Porém, o desejo de ter mais um filho continuava, foi quando a médica decidiu, junto ao marido, entrar na fila de adoção “esperamos por quatro anos e não chegava a nossa hora, foi quando decidimos saber qual razão e falaram para gente que entre as razões era o perfil da criança – que precisava ter até 1 ano -, nos indicaram aumentar a idade, foi o que fizemos. Passado alguns meses, recebemos a ligação de que havia uma criança dentro do perfil, momento em que conhecemos o João Pedro. Foi amor à primeira vista, um processo um pouco doloroso, mas necessário. Em seguida, o João Pedro estava em nossa casa, de forma definitiva e foi só amor e alegria”, conclui. Hoje, passado 6 anos, Ana Paula diz que só há gratidão e que algo ficou muito claro “nossos filhos foram gerados em nossa alma, nasceram em nossos corações. A genética importante é a genética do amor”.

Para a psicóloga e estudiosa no assunto, Renata Carvalho, a formação de vínculos demanda de tempo e é um exercício constante. “Na particularidade que envolve a adoção deve ter como base o reconhecimento, da criança como filho legítimo, aceitação respeito quanto ao passado da criança e decisão de amor. É importante conciliar as dificuldades com o real desejo que levou à adoção para, assim, receber um filho que foi concebido na família de forma diferente, mas que é amado e desejado desde a decisão,” conclui.

Entre os inúmeros processos da ação está a escolha do perfil que, normalmente, aponta para uma polêmica sobre “A escolha da faixa etária tem que estar vinculado ao que consegue dar conta. A decisão de adotar implica nesta reflexão e reconhecimento. Será que estou preparado para cuidar, brincar e amparar o meu filho em qualquer idade? Existe uma fantasia que adotar bebê sempre será a melhor escolha. Mas a adoção tardia, que é considerada para criança acima de 02 anos, não só adolescentes, todas as idades tem suas particularidades e muitos encantos. A formação de vínculo acontece sempre que houver o desejo e investimento de tempo” aponta a psicóloga.

“A.dot”:
Para facilitar os trâmites de adoção no Estado, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) aderiu ao aplicativo “A.dot”. A plataforma, desenvolvida e gerida pelo TJ do Paraná, disponibiliza dados pessoais, fotos e vídeos de crianças e adolescentes disponíveis para adoção. O público presente no app tem mais de sete anos de idade, apresenta alguma doença ou são grupos de irmãos. Eles estão em unidades de acolhimento, enfrentam dificuldades para ganhar uma nova família e fazem parte do chamado grupo das adoções necessárias.

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