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Fala de Guedes sobre privatização do Banco do Brasil pode fazer ativo desvalorizar

29 Mai 2020
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Nesta semana, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, fez declarações acerca de uma possível venda do Banco do Brasil. Em reunião ministerial

divulgada por vídeo no dia 22 de abril, o Ministro voltou a defender a privatização da instituição. Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro sofreu resistência e defendeu que só se fale em vendas da instituição após 2022, ou seja, depois das eleições. A decisão de retirar o sigilo da gravação veio do Ministro Celso de Melo do Supremo Tribunal Federal (STF), e o conteúdo faz parte da investigação da acusação feita pelo ex-ministro Sérgio Moro de que Bolsonaro desejava interferir na autonomia da Polícia Federal para proteger sua família.

No material divulgado, Paulo Guedes fez críticas duras à gestão do Banco do Brasil, que segundo ele, o Governo deveria vender logo e que já era caso de privatização. Para Guto Ferreira, Analista Político-Econômico da Solomon’s Brain, a fala foi desproposital. “Demonstra uma completa falta de conhecimento da importância do Banco do Brasil para a economia brasileira. O Banco do Brasil nasceu em 1888 com Dom João VI e tem representação em mais de 30 países, é sólido, as ações antes da crise valiam por volta de R$ 41,00. É uma ótima ação. É um banco que tem liquidez, que está na história do país, principalmente depois do período hiper inflacionário do Governo Sarney. Foi por meio do Banco do Brasil que os pequenos e médios agricultores cresceram nesse país. Se não fosse o Banco do Brasil não teríamos o que nós conhecemos hoje como agronegócio estabelecido financeiramente, com compra de maquinários, etc.”

Guedes declarou também que o Governo não consegue fazer nada no BB, mas no BNDES e na Caixa, que são públicos, disse que fazem o que querem. Enfatizou que há um liberal no banco, se referindo a Rubem Novaes, atual Presidente. “Agora, ainda que se possa concordar com a privatização, apenas 50% é do Governo, pois 50% do Banco do Brasil hoje já é da iniciativa privada. Quando ele fala que ele não consegue fazer alguma coisa tem que agradecer, tem que bater palma, porque graças aos 50% da iniciativa privada é que muita coisa não é feita de errada no Banco do Brasil. Agora, ainda que se concorde com isso a estratégia é muito ruim. Então como negociador o Ministro Paulo Guedes tem se demonstrado um ótimo vendedor de sonhos. A estratégia dele é péssima e eu tenho a absoluta certeza de que a privatização do Banco do Brasil dificilmente sai no governo atual”, finaliza.

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