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A crônica sobre Queila Regiane, a mulher morta enquanto dormia

08 Dezembro 2019

Ela era expansiva, falava muito, tinha facilidade em fazer amigos.

Ele veio de Goiás, da roça, e não falava muito.

Muito quieto, todos disseram.

Era até estranho para alguns. Muito quieto.

Mas era o jeito dele, pensavam. Muito quieto.

Tão querida a Jane, que outras duas pessoas da família foram batizadas com o mesmo nome. Queila. Queila Jane, madrinha de muitos. As crianças a amavam.

Trabalhou por último como faxineira, mas, depois da bariátrica que fez para “ficar bonita para o Iron” e com um mioma, desmaiava com frequência e foi mandada embora. Ironílson, o marido calado, também havia sido demitido por conta de uma hérnia de disco. Não conseguiu manter o emprego devido às dores. Jane segurou as pontas da família. Uma filha grande, já morando com o namorado. E a caçula, ainda adolescente.

Depois de um incidente com o marido, que brigou num bar e esfaqueou um rapaz, mudaram-se de Sobradinho, para uma área mais afastada. Catingueiro, na Fercal. Longe de tudo. Umas casas esparsas, com pó que entra na garganta, calor, sol. Os vizinhos eram o irmão, a mãe e a filha mais velha.

Depois da bariátrica para ficar mais bonita, ela foi murchando. Ficou magra. Iron tinha ciúmes. Os dois estavam tocando um bar localizado em um dos cômodos da casa, o da frente. Uma casinha vermelha, repleta de plantas, perto de uma igreja evangélica. Chegou a frequentar uma ou duas vezes os cultos, mas não era convertida. Uma mulher muito generosa, dividia o pouco que tinha. “Tudo era ela mais os outros”, contou uma amiga.


Em breve novidade aqui!!!

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