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Músicas diminuíram 10 segundos nos últimos 3 anos: saiba o motivo

14 Dezembro 2019

Quando Iza lançou Evapora, sua parceria com Ciara e Major Lazer, um detalhe chamou atenção do público: a faixa tem apenas 02 minutos e 07 segundos.

A popstar está seguindo uma tendência que tomou a cena brasileira e internacional. Músicas mais curtas que o “padrão” de 3 minutos dominam o mercado fonográfico.

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De acordo com levantamento feito pelo (M)Dados, núcleo de análise de dados do Metrópoles, as músicas ficaram 10 segundos mais curtas nos últimos três anos. A análise levou em conta as 30 faixas brasileiras mais tocadas no Spotify em 2017, 2018, 2019.

Em 2017, em média, as músicas duraram 03 minutos e 08 segundos. Já em 2018, o tempo chegou a 03 minutos e 04 segundos. Neste ano, o padrão baixou da casa tradicional: a média é de 02 minutos e 58 segundos.

Os mais recentes lançamentos da música pop brasileira seguem esse padrão. Luan Santana, com Quando a Bad Bater, por exemplo, chega a 02 minutos e 59 segundos. Gloria Groove, no EP Alegoria, não tem nenhuma faixa ultrapassando a marca dos 03 minutos – o mesmo ocorre com Pabllo Vittar na primeira parte do disco 111.

Valesca Popozuda, há algumas semanas, divulgou o single Furduncinho e levou a questão da duração ao extremo: a faixa tem 01 minuto e 46 segundos. “Uma música curta que tenha uma letra com uma batida bacana é mais agradável de se ouvir diversas vezes em comparação a uma canção longa e repetitiva. Pelo lado comercial, essa estratégia torna-se bem mais viável”, comenta a funkeira, em entrevista ao Metrópoles.

Reprodução/ Instagram
Pabllo Vittar também entrou na tendência de ter músicas com menos de 03 minutos

A estratégia comercial referida por Valesca Popozuda está ligada ao novo contexto de distribuição de música. Com streamings e YouTube, artistas são remunerados com a quantidade de “plays” (ou “streams”), portanto, faixas menores têm chances maiores de serem tocadas mais vezes.

“Acredito que a chegada das plataformas de streaming tem grande influência nesta transformação. Se antes a obra do artista era adquirida fisicamente e consumida como um todo, hoje isso é sobreposto pela dinâmica de singles e distribuição digital”, diz Gloria Groove.

Economia da atenção

Além da dinâmica dos meios digitais e também das rádios, artistas e produtores indicam outro motivo para a redução das faixas: a economia da atenção. Boa parte dos jovens, os mais ávidos consumidores de novidades, são bombardeados por diversos conteúdos ao longo do dia. E, em regra, os mais ágeis levam vantagem.

Instagram/Divulgação
Rapper Konai reforça a necessidade de captar a atenção dos ouvintes

O rapper Konai, por exemplo, defende essa tese. “Com o número de lançamentos hoje em dia, você precisa prender a atenção das pessoas. Para isso, temos que acompanhar esse ritmo, produzindo faixas que captem os ouvintes da forma mais rápida e eficaz possível”, avalia o músico. Para ele, redes sociais e streaming aumentaram a oferta de conteúdo disponível.

Para o DJ DUH, produtor da Laboratório Fantasma, do rapper Emicida, a nova geração de ouvintes resiste a faixas mais extensas. “Fui pai de adolescente e percebo que a juventude e as rádios não gostam de lidar com músicas mais longas. Eles perdem a paciência e as largam na maior parte das vezes”, relata.

Produtor de nomes como Rael, Drik Barbosa, Rashid e Muzzique, DUH discorda, porém, da lógica de que canções menores são mais ouvidas. Para ele, a qualidade ainda tem um peso maior do que o tamanho, por exemplo.

“O que gera mais ‘plays’ é uma música bem construída, com refrão legal e uma melodia mais interessante. Isso é o mais importante, afinal, estamos lidando com entretenimento. Faixa boa é aquela que se canta e se tem vontade de ouvir”, conclui.

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