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Pais de autistas se reinventam em meio à pandemia do coronavírus

28 Março 2020
28 de março de 2020
- Gustavo Gouvêa

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Grande parte dos pais que possuem filhos autistas dispõem de grande parte do seu tempo para cuidar deles e leva-los às inúmeras sessões de terapias que são necessárias para a melhor progressão possível deles. Acontece que, em meio à pandemia do novo coronavírus e todas as restrições por ele impostas – sobretudo a quarentena – as instituições que promovem os atendimentos aos autistas no Espírito Santo, como Apae e Amaes, suspenderam os trabalhos, assim como as clínicas que realizam as terapias de forma particular ou pelo plano de saúde.

Diante disso, pais e mães – alguns deles que abriram mão de seus empregos para cuidarem de seus filhos de forma exclusiva – relatam que não está sendo fácil passar pelo confinamento forçado sem contar com a rotina das terapias que tanto contribuem para o desenvolvimento e a vivência cotidiana dos pequenos.

“Conversamos comas terapeutas e pegamos algumas atividades para fazer com ele em casa. É claro que fica muito descompensado, ele está mais agitado que o normal, está bem mais eufórico do que o normal. Então tivemos que tentar trabalhar isso, tanto que essa semana estamos com um rotina um pouco diferente em casa. Meu filho está há mais de cinco dias sem sair de casa. Teve febre semana anterior e aquele dia levamos pro médico, mas depois está totalmente em casa”, relatou Ivonei.

Ele explicou que o filho está acostumado com uma rotina pesada, de sair todos os dias, e que chegou a se arrumar para pode sair de casa. “Minha esposa teve que conversar com ele, insistir, para poder acalmá-lo. Daqui para frente temos que mesclar entre atividades em casa e brincadeiras e vamos tentando levar com as terapias domiciliares até o governo decretar que está tranquilo. Demos um tempo da minha mãe, que está no grupo de risco. Teve dia que a casa ficou cheia de brinquedo, até a cozinha, mas vamos tentando com as estratégias que temos até quando puder”.

A dona de casa Renata Jasmin, 35, passa por situação semelhante. Seu filho Eric, de três anos, faz terapia ocupacional e fonoaudiólogo, mas agora está direto em casa desde o domingo do dia 15 de março. Ela também tem uma filha que fará dois anos, que também apresenta autismo.

“Estamos direto em casa. Infelizmente, está vendo bastante desenho animado, tomando bastante banho, que são coisas que os deixam mais tranquilos. Brinca de carrinho um pouco, corre pra lá e pra cá pela casa. Em certos horários boto pininhos coloridos e outros recursos com o que fazem na terapia. Estão doidos para sair, porque tínhamos essa rotina. O ideal seria que continuassem a receber os estímulos que tinham nas terapias. Mas, no momento, não temos o que fazer, por medida de segurança”, relatou ela.

Rita de Cássia, mãe de Arthur, de seis anos, o leva para aos atendimentos de terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicólogo e psicopedagogo de segunda a sexta-feira. No início da quarentena, todos em casa ficaram desorientados, inclusive ela, que também sofre de autismo. Eles estão em casa desde a terça-feira (17).

“No início, ficou todo mundo agitado dentro de casa, porque Arthur se arrumava, ia pra porta e chamava para sair porque aquele horário era o de sair e ele entendia dessa forma. E eu acordava horário que era para levar para terapia. Quando dávamos por si que não era hora de sair, não tinha nada para fazer todo mundo começa a ficar agitado. Ele a por a mão na boca, repetitivo, andar de um lado para outro, eu também fico agitada, meu esposo fica nervoso ao ver que o Arthur não está bem”, explica ela, que com o passar dos dias vem acostumando a família à nova rotina.

Ela explica que lidar com o confinamento não é simples como em crianças que não possuem autismo, mas tem adaptado as atividades dentro de casa. “A gente tenta fazer as atividades adaptadas. Tem os videozinhos, os joguinhos, mas não consegue se concentrar. Agora, vamos aguardar, depois da primeira fase dessa semana que passou para ver começa a se concentrar mais. Temos que ficar em casa e tentar fazer. Colocamos vídeos do You Tube Kids e tentamos dançar com ele, mas é duas, três musicas e já cansou. Vamos continuar nos esforçando”.

Diante do atual cenário em relação à pandemia de Coronavírus que acontece no mundo, a Apae de Vitória, referência em tratamento ao autismo na Capital, informou que antecipou o recesso de julho do Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE). “Não haverá aulas para os usuários do CAEE a partir desta segunda-feira, 23 de março até 6 de abril”, informa a instituição.

A Apae informa ainda que passa a funcionar das 9 às 15 horas, de segunda a sexta-feira. “A Apae de Vitória segue orientações da Federação das Apaes do Estado do Espírito Santo (Feapaes-ES), balizadas pelas diretrizes tomadas pelas autoridades sanitárias do Governo do Estado sobre condutas e ações na prevenção preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (…) Pela gravidade da situação e o avanço do Covid-19, as informações e ações de conduta podem mudar em poucos dias. Por isso mantemos as famílias informadas”.

A instituição tem tomado medidas de prevenção internas e funcionários acima de 60 anos que pertencem ao grupo de risco estão trabalhando de casa. “Usuários ou funcionários com sintomas de gripe são orientados a buscar atendimento médico (…). Os atendimentos do Centro Clínico e do Centro de Diagnóstico estão mantidos”.

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