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“As informações são desencontradas no atendimento”, diz capixaba após teste positivo

31 Março 2020
31 de março de 2020
- Danieleh Coutinho

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Foto ilustrativa/ Reprodução da internet

O Espírito Santo está registrando novos casos de coronavírus todos os dias e já reconhece a situação de transmissão comunitária, quando não se sabe de onde partem as contaminações. Na avaliação de quem foi contaminado, falta informação alinhada entre os profissionais. José Martins Junior, 28, pegou o vírus em uma viagem à Europa, mas o primeiro atendimento foi procurado no serviço público de saúde no Estado.

“Na Alemanha eu me senti mal dia 12, quando lá começavam a instaurar o isolamento social. Fiquei no quarto do hotel, mas saia para comer”, relatou. Em Vitória, ele começou a sentir os sintomas – febre, dor de cabeça, tosse, espirro e falta de ar – em 18 de março. “Me senti mal lá, mas depois senti que melhorei e voltei a sentir no dia 18, quando já estava em casa. Mas a partir daí são muitas informações e nenhuma delas batia. Acho que isso dificulta muito para o paciente”, avaliou Junior.

O exame para Covid-19 só foi realizado em 21 de março, mesmo que o paciente tenha relatado sua estada fora do Brasil – Londres e Alemanha – e apresentado os sintomas, ele foi atendido dia 18, e recomendado a ligar para marcar o exame. “Eles me atenderam como caso emergencial, mas me mandaram para casa, recomendaram isolamento, passaram a me ligar para saber como eu estava me sentindo, e me deram um número para que eu marcasse o exame. Só consegui agendar para três dias depois e o resultado demorou mais ainda para sair”.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde, até a última semana, apenas 50 exames estavam sendo realizado pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), mas a capacidade está sendo aumentada, com reforço da equipe e maquinário. A Sesa não soube justificar os motivos da demora para que José Martins Junior tenha demorado para testar, nem pela demora no resultado.

O exame do capixaba, conforme laudo, foi feito no método classificado como “padrão ouro” pelo Governo do Estado: PCR (proteína C-reativa). O resultado apontou que “a amostra foi testada pelo protocolo Charité University of Berlim (Kit Bio-Manguinhos SARS-CoV-2 E/P1) para detecção de SARS-CoV-2 (novo coronavírus), e apresentou resultado positivo”.

A falta de levar a sério a regra do isolamento social associada a falta de informações aos candidatos a casos de coronavírus pode ser um dos grandes inimigos do controle da disseminação do coronavírus no Espírito Santo. O Estado, por meio de decretos, criou regras a impedir aglomerações e desestimular que as pessoas saiam de casa.

Mas José Martins Junior reconhece que não seguiu isso a risca e pode ter contaminado outras pessoas. Quando chegou da Europa, após ter identificado alguns sintomas gripais, sem máscara esteve no aeroporto, usou serviço de aplicativo de transporte, dividiu os utensílios de casa com o colega na república onde mora e chegou a circular pelo seu bairro.

“Eu acho que não fui muito responsável, mas no próprio atendimento, apesar de terem me tratado como prioridade, tomado medicação e soro, me liberaram sem dizer que era para eu ficar de máscara ou nada mais específico. Pegaram meu telefone, passaram a me monitorar para saber se eu estava bem e pronto. Eu avisei ao meu colega e a empresa que eu trabalho, e ele ficou em um hotel e passei a trabalhar em casa, mas precisei sair e fui a uma loja de informática ainda quando eu estava com suspeita. Meu colega não fez o teste, porque não apresentou os sintomas”, finalizou.

A reportagem de ESHOJE questionou a Sesa sobre as recomendações dadas aos pacientes em teste e s motivações para que o teste não tenha sido realizado, tão logo o paciente tenha buscado atendimento na unidade de saúde. Nada foi respondido.

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