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Pesquisadores de Covid-19 são detidos no Espírito Santo

18 Mai 2020
18 de maio de 2020
- Gustavo Gouvêa

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Foto: Divulgação

A falta de uma comunicação eficiente tem feito com que pesquisadores do maior estudo populacional sobre o no Brasil, a pesquisa EPICOVID-19, sejam tratados como criminosos em várias partes do País. No Espírito Santo não tem sido diferente. A pesquisa tem sido realizada em 133 municípios brasileiros, dentre os quais incluem-se Vitória, São Mateus, Cachoeiro de Itapemirim e Colatina, no Espírito Santo. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) três pessoas foram detidas em São Mateus.

“Três pessoas foram conduzidas à Delegacia Regional de São Mateus, onde declararam que estavam na cidade a serviço de uma empresa de pesquisas. Os três assinaram um Termo Circunstanciado com base no artigo 41 da Lei das Contravenções Penais (…) Os três foram liberados para responder em liberdade, após assumir o compromisso de comparecer em juízo”, informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Espírito Santo.

De acordo com a Polícia Militar nem mesmo os órgãos oficiais de saúde tinham ciência da pesquisa. “Não houve nenhum registro oficial de agressão ou qualquer tipo de ameaça contra os trabalhadores que realizam a pesquisa. Somente por uma questão de falta de comunicação, a PM foi acionada para atender uma ocorrência do tipo em São Mateus e as partes envolvidas foram convidadas até a delegacia para prestar os devidos esclarecimentos, visto que nem mesmo os órgãos oficiais de saúde tinham ciência do que se tratava a testagem da população”, informou o órgão em nota.

Até o sábado (16), as pesquisas haviam avançado pouco em São Mateus, tendo chegado a somente 24 pessoas. De acordo com a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que coordena a pesquisa com o aval do Ministério da Saúde, em cerca de 30 cidades os pesquisadores foram impedidos de realizar a pesquisa, sendo inclusive “tratados como criminosos” em algumas delas.

“Os pesquisadores estão de braços cruzados esperando autorização dos gestores municipais, num processo burocrático que pode causar prejuízo aos cofres públicos, visto que a pesquisa é financiada com recursos públicos. Nas situações mais graves, os entrevistadores do IBOPE Inteligência foram detidos, com uso de força policial, tendo sido tratados como criminosos”, explica a administração da Ufpel, em nota.

Segundo a universidade são cerca de 2.000 pessoas trabalhando na pesquisa. “Esses pesquisadores mereciam proteção das forças de segurança e uma salva de aplausos por parte da população. Ao invés disso, as forças de segurança em algumas cidades foram responsáveis por cenas lamentáveis e ações truculentas, algumas delas felizmente registradas”.

De acordo com a administração da Ufpel, o Ministério da Saúde responsabilizou-se por contatar os 133 municípios participantes da pesquisa, o que ocorreu por meio de ofício.

“O estudo está divulgado na página oficial do Ministério (www.saude.gov.br). Infelizmente, desde o início do trabalho de campo, no dia 14 de maio, as equipes de pesquisa vêm passando por diversas situações constrangedoras, amplamente noticiadas na mídia. (…)  Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de “xerifes” assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização da pesquisa que pode ajudar a salvar milhares de vidas no país”.

A pesquisa EPICOVID19-BR é o maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil e é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, que há cerca de 40 anos realiza estudos populacionais em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. O EPICOVID19-BR é financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde, como consequência da experiência exitosa do EPICOVID19-RS, que já testou 13.189 gaúchos, de nove cidades, com total sucesso.

O projeto EPICOVID19-RS foi submetido à apreciação ética da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), tendo sido aprovado no dia 28 de abril (CAFE 30721520.7.1001.5313). Para a coleta de dados, foi contratado, via processo seletivo, o IBOPE Inteligência, empresa com larga experiência em pesquisas. Todos os requisitos éticos e de segurança são seguidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual, a inclusão apenas de entrevistadores com teste negativo para coronavírus e protocolos para o descarte dos materiais, conforme pactuado com o Ministério da Saúde.

São 133 municípios do Brasil que participam da pesquisa. A Ufpel fez um apelo a todas as prefeituras das cidades participantes para garantir a segurança dos pesquisadores. Até o fim da reportagem, a Prefeitura de Vitória, onde até o sábado (16), 211 pessoas haviam sido entrevistadas, não respondeu à reportagem.

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