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Tabaco está ligado a 44 mortes por Covid-19 no ES

31 Mai 2020
31 de maio de 2020
- Gustavo Gouvêa

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Foto: reprodução/Web

Neste domingo (31) é celebrado em todo o mundo o Dia Mundial sem Tabaco, data que tem o objetivo de conscientizar a população sobre os perigos do tabagismo. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) dão conta de que sete milhões de pessoas morrem todo o ano em função do uso constante do tabaco. O tabagismo também um dos fatores de risco relacionados às mortes pelo novo coronavírus (Covid-19). De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa), 44 dos 538 óbitos confirmados tinham este mal como comorbidade.

O tabagismo também está diretamente ligado a outras comorbidades relacionadas ao coronavírus, entre elas as pulmonares (ligada a 61 das mortes) e as cardíacas (relacionada a 291 das mortes). Dos 44 tabagistas que vieram a óbito, 22 tinham complicações pulmonares e 31 cardíacas, significando que alguns deles tinham ambas as complicações.

“O paciente que fuma já tem uma imunidade ruim e está mais suscetível a ter infecção viral ou bacteriana, mesmo antes da Covid-19. Com Covid-19 não é diferente. Este paciente terá mais risco, pois as defesas dele estarão ruins. Além disso, o tabagismo é causador de problemas cardíacos, vasculares e respiratórios, e poderíamos citar alguns, entre elas a insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial. O tabagismo é mais um fator, trazendo maior risco de doenças mais graves relacionadas à Covid-19”, explica a pneumologista Jéssica Polese.

Segundo a OMS, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por tipos diversos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

O Programa Estadual de Controle de Tabagismo, da Sesa, busca reduzir os casos de tabagismo no Espírito Santo, com a capacitação dos municípios para implantação do programa e apoio na realização de campanhas educativas e ações de abordagem para estimular a adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis.

“O Programa registrou, em 2019, um total de 2.727 pessoas que deixaram de fumar, sendo 680 pessoas na região Sul, 1.161 pessoas na região Central, 750 pessoas na região Metropolitana e 136 pessoas na região Norte”, informou a Sesa, em nota.

No Estado, o tratamento ao fumante é ofertado em 65 municípios por meio de equipes multidisciplinares. O acompanhamento é realizado com abordagem cognitiva-comportamental. “O usuário passa por uma avaliação clínica que verifica o grau de dependência e, posterior, a inserção em um grupo de apoio. A indicação de medicamento é feita aos usuários que têm elevado grau de dependência. São ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) os repositores de nicotina (adesivos) e antidepressivo”, explicou a Secretaria.

Levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em parceria com o Hospital das Clínicas da FMUSP, mostrou que 65% dos homens e 25% das mulheres com tumores de bexiga apresentavam histórico de tabagismo. Este tipo de câncer se desenvolve porque muitas substâncias nocivas do cigarro são absorvidas e eliminadas pela urina, afetando o sistema urinário.

“Tabagistas têm de duas a seis vezes mais chances de desenvolver câncer de bexiga em relação a quem não fuma. É importante dizer que cerca de 75% dos casos de câncer de bexiga são superficiais, com melhor prognóstico e tratamento mais simples”, explica o urologista Gabriel Moulin.

Segundo ele, os tumores invasivos da bexiga, além de pior prognóstico, podem envolver tratamento complexo, com cirurgia para remoção do órgão e a possibilidade de quimioterapia e radioterapia.

O câncer de bexiga é uma formação maligna que tem como principal causa o tabagismo: de 50% a 70% dos casos estão associados a esse fator. Substâncias tóxicas contidas na fumaça são eliminadas pelos rins junto com a urina e agride as paredes que revestem o interior da bexiga.

O cigarro tem mais de cinco mil substâncias presentes em sua composição e chega a ser responsável por mais de 50 doenças.  Em cada tragada a pessoa inala, aproximadamente, 4.700 substâncias tóxicas e, como a fumaça do cigarro é absorvida por combustão, seus prejuízos são ainda maiores.

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