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#AplaudaUmProfessor: profissionais resistem aos desafios do ensino remoto

04 Agosto 2020

Organizações da sociedade civil realizaram, na última semana, uma mobilização nacional com o intuito de reconhecer o trabalho dos professores durante o período de pandemia. A campanha reuniu homenagens virtuais, bem

como um ato em menção aos profissionais da educação.

O reconhecimento surge em um contexto em que os professores precisam lidar com desafios diários para a promoção do ensino, desde a dificuldade com a utilização de recursos tecnológicos até a pressão psicológica causada pela adaptação ao novo cenário.

Com o início dodistanciamento social, professores precisaram lidar com um novo método detransmissão de conhecimento. O ensino remoto, que surgiu como uma alternativade aprendizagem durante a pandemia, trouxe consigo uma série de desafios paraos profissionais da educação. Uma dessas dificuldades é a adaptação àsferramentas tecnológicas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Península, commais de 7 mil professores de todo o país, indicou que, na sexta semana deisolamento, 83% (em média) dos professores brasileiros se sentiam nada ou poucopreparados para o ensino a distancia.

Osdados se referem ao início do isolamento social, mas o cenário atual aindaencontra resquícios dessa dificuldade. Juliano Pavesi, presidente do Sindicatodos Professores no Estado Espírito Santo (Sinpro), conta que muitos professoresnão conheciam as ferramentas que seriam utilizadas, tendo que aprender a lidarcom uma nova dinâmica de ensino, que também requer um conhecimento dasplataformas digitais. “Não é só preparar a aula. Tem que postar nas mídias,responder chat do aluno, lançar a prova online”, relata.

Além da dificuldade de adaptação, muitos professores tiveram que lidar com a ausência de materiais para administração das aulas. Juliano conta que alguns professores não possuíam computadores adequados, nem uma rede de internet que possibilitasse o ensino de qualidade. “Soube de casos de professores que utilizaram banda larga emprestada para ministrar as aulas”, destacou Pavesi.

Oproblema é agravado pela carga de trabalho excessiva. Por causa da dificuldadecom a utilização das ferramentas digitais, muitos professores acabam tendo quetrabalhar além do horário previsto. Carlos Duarte, diretor de políticassindicais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo(Sindiupes), explicou que os profissionais acabam recorrendo ao contraturnopara conseguir planejar e disponibilizar as aulas nos meios digitais.

Todas essas dificuldades acabam acarretando em problemas psicológicos para os profissionais. Juliano Pavesi explica que, no estágio atual da pandemia, muitos professores alcançaram o nível da exaustão, chegando a questionar a própria capacidade intelectual. “Muitos sentem que não têm mais a mesma competência que tinham antes, pois não conseguem se adaptar totalmente”, destaca. Duarte ressalta que, mesmo com todas as dificuldades, os educadores tentam dar o máximo de si. “A maioria gostaria de se dedicar ainda mais do que se dedica”, ressalta.

Perspectivados alunos

Alémdos professores, os alunos também são afetados pelas novas dinâmicas deaprendizagem. Carolina Brasil é mãe de duas crianças em idade escolar e contaque os filhos sentem falta do contato presencial. “O mais velho, que está no 2ºano do Fundamental, exige mais atenção para manter a rotina de aula on-line. Aparceria com a instituição onde ele estuda ajuda muito”, afirma.

Amãe percebe o esforço dos profissionais que, além de se adaptarem aos recursostecnológicos, reservam parte da aula para saber como os alunos estão. “É umapreocupação que vai além do conteúdo programado, já que a situação mexe muitocom o emocional de todos, em especial das crianças”, ressalta.

Diana,mãe da Vitória, de sete anos, conta que, desde o início da pandemia, tentouexplicar para a filha a necessidade de ficar longe da escola durante certoperíodo. A mãe relata que, mesmo entendendo a situação, a filha também éafetada pela mudança na rotina. “Ela não reclama, mas percebo que sente faltados colegas e das professoras”, destaca.

A separação dos alunos tem provocado uma série de desafios, mas o momento também está sendo marcado pela resistência de profissionais que lutam por uma educação de qualidade. “Se hoje a educação privada não parou foi pelos professores, que não se deixaram esmorecer e mantiveram a estrutura de pé”, concluiu Pavesi.  


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