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Insônia e problemas psicológicos são reflexo da pandemia nos profissionais da saúde

04 Agosto 2020

Pesquisa aponta que mais de 40% dos profissionais da saúde que estão no enfrentamento da Covid-19 sofrem de insônia. Além disso, problemas psicológicos são apontados por profissionais capixabas como um possível

agravante pós-pandemia.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM/ES), Celso Murad, destaca que não só os profissionais da saúde mas como o sono de toda a população foi afetado pela pandemia. “A inatividade e incertezas causam insônia”.

“Para quem está dentro de casa há mais de 4 meses é difícil que não tenha alterações no sono. Mas no caso dos profissionais da saúde é o contrário, é difícil chegar em casa e conseguir relaxar”, explica o médico.

“A complexidade da doença e a velocidade com a qual ela apresenta mudanças faz com que precisemos redobrar a atenção, quando chegamos do plantão precisamos de um tempo até processar tudo aquilo”, conta.

O presidente do conselho explica que a empatia faz com que a falta de sono durante uma pandemia seja comum. “Normalmente já é difícil para nós, médicos, conseguirmos dormir sem pensar no paciente. Levamos os problemas do trabalho para a cama, é difícil descansar”.

“O custo que estamos pagando por essa pandemia não é só físico, mas emocional. E isso tira o sono”, desabafa. O médico destaca ainda que há poucas chances da pandemia durar pouco. “As pessoas estão relaxando com os cuidados, as ruas estão cheias e isso pode trazer uma segunda onda de contaminação”.

“A Covid-19 é uma doença muito resistente. Depois da pandemia muitos problemas emocionais vão surgir, nós da saúde teremos que fazer muitos atendimentos por sequelas físicas da doença. As consequências da pandemia vão continuar, não está na hora de relaxar”, destaca.

Segundo a presidente da Associação Brasileira do Sono – regional ES, Jéssica Polese, a situação que os profissionais estão vivendo causam estresse que consequentemente influencia no sono. “Toda a ansiedade que os médicos, enfermeiros, motoristas de ambulância, socorristas, etc., estão vivendo ocasiona a insônia”.

Foto: Paolo Miranda

“Além disso, muitos não estão voltando para casa para proteger família e entes queridos e assim se submetem a dormir em ambientes diferentes que também pode provocar uma deficiência do sono”, explica a especialista em sono.

É sobre isso que destaca o presidente do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem (Sitaen-ES), Osmano Amaral. “Nossa profissão requer um cuidado maior com o paciente. A maioria, em um plantão de 12 horas, pode ter apenas uma hora de sono. E o corpo se acostuma com isso”.

“Quando chegamos em casa é difícil dormir, o medo de contaminar a família, a dificuldade de se desligar no trabalho, tudo isso interfere em nosso sono”, explica.

A falta de sono gera cansaço, mau humor e atrapalha na concentração durante o trabalho. “Nós nunca vimos uma pandemia como essa, é muita coisa que precisamos lidar”, desabafa o enfermeiro.

Segundo ele, a categoria tem sentido muitos impactos emocionais, além do cansaço físico. “Muitos profissionais estão longe da família. As mulheres são 90% em nossa profissão, e muitas delas tem filhos pequenos e estão morando sozinhas durante a pandemia por medo de contaminá-los”.

De acordo com o presidente do Sitaen-ES, o sindicato entrará com um pedido para que os profissionais da enfermagem tenham direito à acompanhamento psicológico durante e após a pandemia. “Todos precisaremos disso, pois o mundo não vai mais ser o mesmo que conhecemos”, destaca.

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