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Memória familiar e afeto em musical interativo na estreia de circuito de teatro

05 Agosto 2020

O setor cultural é um dos mais atingidos pela pandemia da Covid-19. Por esse motivo, artistas capixabas usaram da criatividade para abrir a temporada de peças com o musical “Amor de

Pai”.

O espetáculo será transmitido ao vivo do Convento da Penha , nesta sexta (7), . E será uma homenagem ao , em forma de história, poemas e canções para toda a família.

Foto: Divulgação

Os cantores capixabas Jeremias Reis e Mariana Coelho (The Voice) darão voz à diversas músicas brasileiras. Eles serão os filhos do cantor Renato Casanova, representando o pai da família.

A atriz Luana Eva será a mãe, que declamará poesias de Adélia Prado, Elisa Lucinda, Florbela Espanca e Mário Quintana. “Queremos trazer a memória familiar e o afeto dos pais”, declarou a atriz.

A artista revela que o retorno da classe nesse novo formato é um desafio, mas também uma esperança de retorno aos palcos. “Qualquer espaço público é um espaço para a arte. O maior diferencial desse formato é o cuidado com o distanciamento”, conta. “Ter que atuar sem poder abraçar nem encostar é estranho, mas necessário. Foi preciso um novo estudo para podermos reforçar os gestos e o olhar”, conta.

Luana Eva fará o papel da mãe Foto: Camila Baptistin

Para a artista, a quarentena colaborou para levar às pessoas uma reflexão sobre a importância da cultura. “Passaram a consumir mais música, livros, séries e filmes. Quem sabe assim as pessoas percebam a necessidade da arte no dia a dia?”, questiona.

A peça conta com uma seleção de poemas e canções escolhidas a dedo. “Convidamos as pessoas a celebrarem o dia dos pais em nossa casa, a mistura de canções e poemas convida a uma identificação emocionante e divertida. Seja para quem está perto ou longe dos pais nesse dia”.

O amor paterno será o tema principal do espetáculo, que convida o público a uma interação. “Será uma oportunidade de reunir a família e assistir a uma linda homenagem que poderá ser personalizada. As fotos marcadas pela tag da campanha poderão ser projetadas nas paredes do Convento da Penha”.

A campanha é uma iniciativa da Unimed. Para participar é só publicar uma foto com seu pai nas redes sociais com a tag#AmordePaiUnimed durante a exibição do musical na próxima sexta-feira (7).

Impactos no setor

O CEO da WB Produções, Wesley Telles destaca o enorme impacto da pandemia no setor criativo e artístico do Estado e de todo o país. “Quando daríamos início às temporadas de apresentações e eventos, surgiu a necessidade do distanciamento social e da suspensão de várias atividades. O setor foi totalmente afetado. Muitos grupos praticamente deixaram de existir”, analisa.

Ele tem razão: além da significativa perda cultural por causa da pandemia, o impacto econômico foi imensurável. Segundo dados do IBGE 44% dos profissionais da indústria cultural são autônomos, trabalhando por projeto. Geralmente, não recebem salário fixo e nem têm carteira assinada ou são MEI (Microempreendedor Individual).

Artistas dependem de incentivo da lei
Espetáculos empregam mais de 200 pessoas no Espírito Santo. Foto: WB Produções

Umestudo da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), divulgadoem maio deste ano, mostrou que mais de 50% dos eventos programados para 2020foram cancelados no Brasil. A entidade prevê que as perdas do segmento criativocheguem a R$ 90 bilhões. A pesquisa apontou ainda uma estimativa dedemissões de 30% dos colaboradores diretos do setor de eventos. Se levarmos emconta o total de trabalhadores – cerca de 1,9 milhões – serão, em média, 580mil demissões.

Murilo Goes é diretor artístico da Quebra-Cabeça Cia de Teatro e afirma que o grupo tinha uma série de apresentações previstas para este ano. “Como todo mundo, fomos surpreendidos pela pandemia. Chegamos a pensar em uma logística para continuarmos nossos trabalhos, porém, com a gravidade da situação, acabamos ficando inertes”.

Goes diz que o novo formato trouxe novas possibilidades. “O convite da Unimed nos fez ressignificar nossas atividades. Estamos agora num momento de pensar como ocupar esse novo lugar, que é a internet, com a nossa arte. Estamos trabalhando em uma nova linguagem para oferecer o melhor ao público”, assinala.

Uma das gestoras do grupo Ribalta, Roberta Aparecida de Godoy Portela, diz que a pandemia fez tudo girar ao contrário na cultura e que a oportunidade de fazer o circuito de forma virtual é um recomeço. “Essa é uma oportunidade para a arte se reinventar e estar presente no dia a dia da sociedade novamente, mesmo que em um novo formato”, idealiza.

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