Big Banner Hospedagem de Site 1360x150
Sábado, 05 Setembro 2020 07:00

Capixabas no estilo de vida contra a petrodependência

O consumo desenfreado de produtos derivados do petróleo estálotando o planeta de lixo. A conscientização dos malefícios de práticas comunsdo nosso dia a dia pode ser o primeiro passo para adotarmos

medidassustentáveis para salvar as gerações futuras.

É difícil mudar as práticas que crescemos acostumados, quevão do consumo de alimentos embalados nos supermercados, ao descarte de lixo.Somos uma geração que cresceu acostumada com a praticidade das coisas, sempensar muito nas consequências.

É sobre isso que grupos de pessoas se unem para tentar transformar uma sociedade mais consciente. O integrante do coletivo Pedalamente (), Hudson Ribeiro, 26, é uma dessas pessoas.

Nascido em Guarapari, Hudson foi acostumado desde criança a andar na garupa da bicicleta onde os pais o levavam para todos os lugares. “A bicicleta foi sempre meu meio de transporte pra tudo, mas há oito anos, quando me mudei para Vitória, foi um choque cultural muito forte quando tentei manter essa prática aqui”.

O estudante destaca a relação complicada das pessoas com otrânsito. “Já quase fui atropelado várias vezes, não há punição”, afirma.Segundo ele, aumentar a circulação de bicicletas é incentivar a desaceleração.“Quando você privilegia medidas para a circulação dos carros, você incentiva avelocidade. É preciso dar mais espaço para as ciclovias em uma integração com otransporte público”.

Para ele, essa desaceleração é importante não só no trânsitoquanto na vida. “A sensação de poder que o carro dá é muito grande, pelaquantidade de energia que é liberada ao apertar o acelerador. As pessoasreclamam do trânsito, mas não entendem que o transporte não está funcionando dojeito que está”.

Hudson Ribeiro se envolveu com a causa da mobilidade urbana para chamar a atenção do poder público. Foi quando se tornou integrante do grupo Bicicletada, que tem como objetivo promover manifestações a favor das ciclovias.

“A partir de 2016 começamos a nos organizar como coletivo. O Pedalamente move diversas ações com foco na educação no trânsito. São oficinas, manutenção de bikes, atividades educativas nas escolas e comunidades para o incentivo do uso de bicicletas”.

As vantagens da transição para o transporte são muitas, e vão desde a própria saúde física ao benefício do coletivo. “A bicicleta, além de um exercício físico que proporciona lazer, é utilizada para o tratamento de doenças. Para o coletivo, diminui a emissão de carbono, reduzindo a poluição. Infelizmente a bicicleta não é 100% livre do petróleo, mas ainda é muito eficiente em relação a outros veículos”.

Não é preciso ser uma pessoa perfeitamente livre dederivados do petróleo. De acordo com a mestra em urbanismo e técnica emagroecologia, Nathalia Messina, 33, a diminuição do consumo de plástico já é umprimeiro grande passo. “Entendo que é difícil desvincular do plástico, queconsegue manter o produto por mais tempo, mas incentivo o plantio de alimentosfrescos em casa”.

Foi com essa iniciativa que nasceu a Rede Urbana Capixaba de Agroecologia – RUCA (), com o objetivo de unir coletivos para fortalecer práticas agrícolas nas cidades do Espírito Santo. Segundo ela, mesmo morando em apartamento, é possível ter uma produção. “Mais do que querer ser perfeito, o ideal é multiplicar a prática”.

Primeiramente, é importante entender o ciclo dos produtos. É o que explica a integrante da RUCA. “A agroecologia envolve sistemas alimentares que independem do petróleo. É preciso entender de onde vem e pra onde vai o que consumimos. O cultivo agrícola hoje se tornou dependente de insumos de origem petroleira, desde o plantio à distribuição”.

A produção caseira de alimentos e o consumo a granel foram seus primeiros passos em busca de uma vida mais sustentável. “Comecei com a construção de uma horta comunitária em Recife, durante meu mestrado. Vindo para cá, morei em apartamento por muito tempo. Portanto, comecei através do plantio de alimentos, entre eles rúcula, hortelã, couve, agrião, e também com o plantio medicinal, tipo o boldo”.

Outra prática que já era adotada por Nathalia foi através da manutenção do lixo. “Sempre tive o hábito de separar o lixo úmido, isso veio de família. Mas com o plantio, além da reciclagem, passei a adotar a compostagem para criar meu próprio adubo”.

Foto: Internet

Para quem não sabe, a compostagem é o conjunto de técnicas aplicadas para estimular a decomposição de materiais orgânicos, entre eles restos, talos e casca de verduras e frutas (com exceção das cítricas), cascas de ovo e borra de café. A composteira com minhocas é a mais utilizada em apartamentos, por exemplo. No Espírito Santo a Compostagem da Vila oferece esse tipo de serviço pago ().

Além de cultivar o plantio, a compostagem reduz e dá um destino correto para o lixo. “Com a redução do plástico, é possível chegar uma produção de lixo zero”.  Mas, como lembrado, tudo isso pode ser possível começando aos poucos. “Começando pelo plantio a pessoa acaba se inspirando para procurar um adubo e uma coisa acaba levando a outra. Esse tipo de incentivo pode vir tanto da comunidade quanto do poder público”.

É assim, em passos deformiguinha, que se transforma uma comunidade e a sociedade. Fabíola Melca écoordenadora e idealizadora da Associação Permacultural Jacutinga do Caparaó ().Para quem nunca ouviu falar em Permacultura, ela explica. “É relacionado àcultura permanente de recursos. Consiste em um conjunto de técnicas baseadas emtrês princípios: cuidar de si, do outro, e da terra”.

A permacultura é um conceitocriado nos anos 80, que busca inspiração nas práticas dos nossos ancestrais,com o uso das novas tecnologias. “As principais atividades da permaculturaincluem a utilização de energias renováveis, saneamento ecológico, alimentaçãonatural, educação inclusiva, saúde natural por meio da prevenção com uso deervas naturais, moradia, economia sustentável e destinação correta para olixo”.

“Sempre houve um cuidado na minhafamília, mas sempre pensei que poderia fazer mais”, explica a coordenadora aassociação. A partir disso, Fabíola passou a se envolver com projetosambientais e transformou isso em trabalho. “Há seis anos iniciei minhatransição para o campo em busca de uma vida mais natural e sem escassez”,conta.

A ideia é adotar práticas do campo, na cidade. “As pessoas estão muito desconectadas da realidade de como as coisas funcionam. Uma prática comum para nós, entre elas a descarga, gasta oito litros de água para diluir 70 ml de urina. Para isso, é possível adotar o saneamento seco ou instalar um biodigestor”.

A permacultura acredita que a sociedade está em transição. “O tempo de quarentena que estamos vivendo, por exemplo, nos dá uma oportunidade de olhar para dentro de casa, perceber mais a produção de lixo e, a partir disso, tentar diminuir”, explica a fundadora.

Fabíola destaca que atitudesmicro e macro fazem toda a diferença. “É claro que a atitude pessoal de cada umimporta, mas é preciso cooperação entre comunidade e governo. É importantedestacar a responsabilidade de cada um, sabendo que quanto mais privilégiotemos, nossa responsabilidade é maior. É preciso um equilíbrio socioeconômico”.

Para ela as práticas adotadas pela permacultura não são mais uma alternativa ao uso do petróleo. “Ou paramos de contaminar ou seremos contaminados. Não há mais alternativa”.

Uma coisa esses três capixabas que apresentaram seus projetos têm em comum: a educação socioeducativa. É possível observar que a consciência e práticas sustentáveis vêm de berço. Portanto, cabe às gerações passarem adiante mesmo as pequenas atitudes para garantir o futuro das novas crianças.

Curtir isso:

Ler 16 vezes

Atendimento ao Cliente:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Suporte ao Cliente:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Depto financeiro:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Publicidade & Propaganda: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Notícias

Vídeos

Guia Comercial

Nossa Empresa

Please publish modules in offcanvas position.