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Após um mês em greve, trabalhadores dos Correios farão novo ato nesta quinta (17)

16 Setembro 2020

Após um mês de greve, os trabalhadores dos Correios farão um novo ato nesta quinta-feira (17), às 8h, na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória. A informação é do Sindicato

dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos do Estado do Espírito Santo (Sintect-ES).

De acordo com o presidente do Sintect-ES, Antonio Braga, a ação faz parte de um “calendário de luta” da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Findect). Sindicatos em todo país também estarão realizando o ato.

“Optamos em fazer um café solidário para ficar mais próximo, oferecendo um café, dialogando com a sociedade, e explicando a atual realidade dos trabalhadores dos Correios. E nessa pandemia, mesmo não tendo parado nenhum dia e tendo um acordo vigente por dois anos, e todo descaso da empresa com seus trabalhadores em relação a Covid, onde a mesma foi negligente, a recompensa que eles dão pra gente é chamar uma recomposição salarial em meio a pandemia e derrubar uma liminar pelo STF”, disse.

No último dia 21, a categoria, após decisão em assembléia, decidiu descruzar os braços, mas não para encerrar a paralisação e, sim, realizar uma Marcos Daniel Santos (Hemoes).

Outro lado

De acordo com os Correios, a empresa tenta negociar os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, desde julho. Porém, aponta proposta dos Sindicatos como imprudente.

“Visto a crise atual, a empresa entende que não há margem para medidas incompatíveis com a situação econômica atual e vislumbra uma economia da ordem de R$ 800 milhões ao ano, apenas com o racionamento dos gastos com pessoal: o suficiente para recuperar, em três anos, o prejuízo de R$ 2,4 bilhões acumulados em gestões passadas”, afirma em nota.

Junto disso, a empresa descreve as paralisações como inconsequentes. “Além de afetarem a imagem da instituição e de seus empregados perante a sociedade, trazem prejuízos financeiros não só à própria estatal: grandes e pequenos empreendedores brasileiros contam com o bom funcionamento da empresa para manterem seus negócios vivos, sobretudo no contexto atual”.

Em resposta a essas declarações da empresa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios define como “imprudente e consequente eles (Correios) fazerem isso com seus trabalhadores”.

Por outro lado, segundo Braga, a greve foi causada pela própria empresa. “Se quisessem acabar era só abrir mão da liminar através do (ministro do Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, a desculpa de que não suporta arcar com essas despesas geradas com esse acordo coletivo cai por terra, porque desde janeiro até julho arcando com todas as despesas, já no acordo antigo, os Correios tiveram lucro de R$ 638 milhões, se não me engano. Então, por que não arcaria?”, questionou.

  • Tribunal Superior do Trabalho — (Foto: Reprodução/Google Maps)

Ainda em nota, os Correios reforçam que a empresa luta para atravessar uma crise mundial sem precedentes e busca oportunidades de alavancar o negócio em um dos poucos segmentos com capacidade de crescimento: o e-commerce. Para isso, seguem trabalhando a despeito de paralisações: durante fins de semana e feriados, os empregados têm unido forças para garantir a entrega de milhões de objetos.

A empresa finaliza ressaltando que “aguarda o julgamento do dissídio marcado para o próximo dia 21/9 e, com ele, o retorno dos trabalhadores, cientes da sua responsabilidade para com a sociedade e da sua importância para a prestação de serviços essenciais à população, em um momento tão delicado para o país e o mundo”.

Diante disso, para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, a categoria espera que “a justiça seja feita”. Segundo Braga, a própria ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Kátia Arruda, relatora do processo, reconheceu a greve como legal e a empresa como intransigente.

“Na última reunião da sexta-feira a própria ministra perguntou se os Correio tinham alguma proposta, de debater algumas clausulas sociais, sem impacto financeiro, e a empresa permaneceu em não fazer. Temos cláusulas que a empresa tem que se comprometer em não praticar assédio, homofobia, racismo, e nem isso ela quer se comprometer”, contou, destacando que os Correios insistem em manter nove cláusulas, sendo sete são obrigação por lei e duas que não garantem um comprometimento com o trabalhador por parte dos Correios.

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