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Navio apontado como responsável por óleo no Nordeste teria sido usado em “esquema” da Petrobras

05 Novembro 2019

Informação consta de documentos colhidos pela Operação Lava-Jato junto à estatal

Foto: Reprodução

O navio grego

apontado pela Polícia Federal como responsável pelo vazamento de óleo que atingiu o Nordeste, já foi utilizado pela Petrobras pelo menos uma vez. A informação consta de documentos colhidos pela Operação Lava-Jato junto à estatal. A última contratação do navio teria sido realizada pela companhia em agosto de 2016, aponta a companhia.

A operadora Delta Tankers teria fornecido embarcações para a estatal até julho de 2018. E, além do Bouboulina, operou com outros quatro navios para a Petrobras no período investigado, entre 2011 e 2013. No total, a empresa brasileira pagou US$ 9,4 milhões (R$ 37 milhões na cotação atual) nos contratos envolvendo a companhia grega. Somente em 22011, Em 2011, o Bouboulina prestou serviços a Petrobras ao custo de US$ 1,84 milhão.

Segundo reportagem de O Globo, as investigações mostram que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa teria montado um esquema para privilegiar empresas gregas com contratos com a estatal. A revelação sobre o sequema fez parte de seu acordo de colaboração premiada com a Lava Jato do Paraná em 2017. Nenhum representante da empresa Delta Tankers, porém, foi denunciado.

Esquema 

O esquema consistia em fornecer informações privilegiadas sobre as demandas por navios da Petrobras ao então cônsul da Grécia no Brasil Konstantinos Kotronakis para que empresas de armação gregas ligadas a ele pudessem obter vantagens nos contratos com a Petrobras. Em troca, Paulo Roberto Costa receberia propinas de até R$ 30 mil mensais.

Nesta sexta-feira, 5, a Polícia Federal deflagrou uma operação em conjunto com a Interpol contra empresas ligadas ao navio Bouboulina, apontado como responsável pelo vazamento na costa do Nordeste. Segundo a investigação, a embarcação atracou na Venezuela no dia 15 de julho e o derramamento teria ocorrido a 700 quilômetros da costa brasileira entre os dias 28 e 29 de julho.

A Petrobras esclareceu ao O Globo que em todos os contratos de afretamento de embarcações feitos pela companhia “está previsto o atendimento rigoroso dos requisitos internacionais relacionados ao transporte marítimo regulamentados pela Organização Marítima Internacional – International Maritime Organization (IMO)”.

Segundo a Petrobras, todos os navios “passam por um processo de análise prévia de sua documentação, certificados internacionais e autorizações que atestam que estão em conformidade com os requisitos de segurança necessários para a realização das operações”.

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