-->

Políticos reagem a vídeo disparado por Bolsonaro convocando para ato

26 Fevereiro 2020

Vídeo distribuído pelo celular pessoal do presidente pede que todos compareçam a manifestações em defesa do governo e contra o Congresso

Presidente Jair Bolsonaro, fala à imprensa ao sair do

Palácio da Alvorada

Após o presidente da República, Jair Bolsonaro, compartilhar dois vídeos convocando os brasileiros a participarem de atos em apoio ao governo no dia 15 de março, políticos reagiram à fala e apontaram ameaça à democracia. Além do apoio a Bolsonaro, os atos organizados por movimentos de direita protestam contra o Congresso Nacional e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um dos vídeos, aparecem imagens da facada que Bolsonaro recebeu durante a campanha eleitoral acompanhada de frases apontando que o presidente quase morreu para defender país e, agora, precisa de apoio. Segundo a jornalista Vera Magalhães, Bolsonaro divulgou o material acompanhado da seguinte mensagem: “15 de março. Gen Heleno / Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso. Não dos políticos de sempre”.

“Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, diz um trecho da mensagem.

Reações

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se manifestou sobre a convocação de Bolsonaro via Twitter.” A ser verdade, como parece, que o próprio PR tuitou convocando uma manifestação contra o Congresso (a democracia) estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto de tem voz, mesmo no Carnaval, com poucos ouvindo”, escreveu.

Já a ex-presidente Dilma Rousseff escreveu: “Bolsonaro e o general Heleno estão atentando descaradamente contra a constituição e a democracia ao convocar manifestação contra o Congresso Nacional. Torna-se urgente e necessária forte resposta das instituições ou o País mergulhará, mais uma vez, na escuridão das ditaduras.”

“Se o próprio presidente da República convoca manifestações contra o Congresso e o STF [Supremo Tribunal Federal], não resta dúvida de que todos aqueles que prezam pela democracia devem reagir. É criminoso excitar a população com mentiras contra as instituições democráticas e sem causa nenhuma, a não ser sua agenda anti-pobre, anti-produção e entreguista de nossas riquezas aos estrangeiros. Vamos lutar pela preservação da Constituição e pelo Brasil”, escreveu Ciro Gomes, em mensagem postada no Twitter.

O líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), propôs uma reunião de emergência entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e líderes dos partidos para decidir o que fazer diante das manifestações do presidente Jair Bolsonaro contra o Congresso. “Temos que parar Bolsonaro! Basta! As forças democráticas deste país têm que se unir agora. Já! É inadiável uma reunião de forças contra esse poder autoritário. Ou defendemos a democracia agora ou não teremos mais nada para defender em breve”, afirmou Molon.

Nas redes sociais

Nas redes sociais, o assunto tem dominado os debates e a hashtag #EuApoioBolsonaro já ultrapassou 76 mil tweets, Já a hashtag #ImpeachmentDeBolsonaro tem mais de 30 mil tweets. O assunto democracia foi citado em 152 mil tweets e Congresso 144 mil tweets. Até o momento, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre não se manifestaram sobre as mensagens enviadas por Jair Bolsonaro.

Há alguns dias, circula pelas redes sociais um panfleto assinado por “movimentos patriotas e conservadores” com uma convocação para o ato. A imagem traz fotos dos generais Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Hamilton Mourão, vice-presidente. “Vamos às ruas em massa. Os generais aguardam as ordens do povo. Fora Maia e Alcolumbre”, diz o panfleto.

Procurada pela imprensa, a assessoria do Palácio do Planalto se limitou a dizer que “não comentará a publicação”.


Em breve novidade aqui!!!

We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree