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Estudo da UFG prevê que casos de coronavírus em Goiás podem crescer exponencialmente a partir do dia 31

27 Março 2020

Pesquisa comparou evolução da pandemia com outros estados e países e concluiu que em Goiás a taxa de crescimento (22% ao dia) é menor que a taxa média do Brasil (29,3%)

São Paulo SP 18 03 2020-Protegidos com mascaras por causa da pandemia do Coronavírus paulistanos caminham na avenida Paulista | Foto: Guilherme Gandolfi

A Universidade Federal de Goiás (UFG) através da Secretaria de Planejamento, Avaliação e Informações Institucionais (Secplan/UFG) realizou um estudo técnico sobre o coronavírus e seu impacto na saúde e na economia em Goiás.

O objetivo da pesquisa é prever o comportamento futuro da epidemia no estado, em relação aos contextos internacional e nacional, e os possíveis impactos socioeconômicos das medidas adotadas pelo governo estadual.

Propagação do vírus

Depois de avaliar a evolução da pandemia em outros países, o estudo concluiu que o número de casos tende a crescer de forma exponencial a partir do 50º caso. De acordo com a pesquisa, o Brasil segue a mesma tendência verificada na França e apresenta uma taxa média de 29,3% novos casos por dia. Em Goiás, a taxa de crescimento é de 22% ao dia. Se essa tendência for mantida, o 50º caso pode ocorrer no dia 31 de março.

Em um dos principais epicentros da epidemia no País, São Paulo, a taxa média é de 28,3% ao dia. Em comparação com o cenário paulista, os números de Goiás não são tão altos.

Subnotificação ou resultado do isolamento?

No entanto, os pesquisadores não estão certos sobre a baixa taxa de crescimento de casos em Goiás e  alertam que pode haver subnotificação da doença.

Por outro lado, esse número também pode refletir os efeitos da quarentena decretada pelo governo estadual. “Caso sejam efeitos das restrições à circulação de pessoas, a disseminação da covid-19 pode ser controlada”, afirmam os pesquisadores.

Medidas restritivas e impactos econômicos

A pesquisa verificou que as medidas adotadas até o momento pelo governo do estado estão alinhadas ao que foi feito na cidade chinesa de Wuhan, onde não há mais transmissão comunitária do vírus. O principal foco dos casos de infecção em Goiás está localizado em Goiânia. Segundo os pesquisadores, o estado deve atuar para conter o surgimento de novos focos e evitar uma situação parecida com a da Itália, onde a existência de diversos focos dificulta a concentração de esforços.

As medidas restritivas, no entanto, geram impactos econômicos significativos nas atividades de diversos setores, pois alteram a dinâmica de funcionamento das estruturas de serviços e do comércio no estado de Goiás. A situação de emergência foi decretada no estado no dia 13 de março. As aulas escolares foram suspensas e os eventos esportivos passaram a ser realizados sem a presença do público.

Novos decretos foram publicados posteriormente, suspendendo atividades econômicas em feiras e centros comerciais, academias, bares e restaurantes. Também foi proibida a circulação de transportes interestaduais. De acordo com o estudo, a manutenção de tais medidas é importante para diminuir a velocidade de disseminação da doença. No entanto, elas podem provocar impactos significativos na economia do estado.

“Essas medidas, se prolongadas, por um lado podem gerar demissões, fechamento de empresas e diminuição de arrecadação de tributos, potencializando a crise econômica. Por outro, se não adotadas, podem gerar colapso no sistema de saúde pública, além de aumentar o número de óbitos pela doença”, dizem os pesquisadores.

Apesar do cenário preocupante, a realização de estudos sobre os impactos das restrições pode contribuir para a elaboração de políticas públicas com o objetivo de normalizar a economia no Estado. “São duas frentes de ação necessárias: uma na área de saúde e outra na área de economia”, concluem.

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