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Em meio à pandemia, fiscalização ambiental é reduzida

27 Março 2020

Sem contratar funcionários mais jovens há anos, Ibama tem de reduzir número de agentes por causa do Covid-19, abrindo brechas para novos crimes ambientais

Desmatamento assola bioma brasileiro | Divulgação

Com o medo de contaminação por coronavírus, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reduziu o número de fiscais enviados para o campo. Com isso, o combate aos crimes ambientais será diminuído.

Cerca de um terço dos funcionários do órgão têm quase 60 anos ou comorbidades que colocam em risco mais grave sua saúde perante o coronavírus. “Você não tem como colocar as pessoas que estão no grupo do risco, expor essas pessoas ao vírus. Não há uma escolha entre uma coisa e outra, é um obrigação de fazer”, disse Olivaldi Azevedo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, à Reuters.

Além do medo de ser infectado, agentes que não quiseram se identificar relataram apreensão em levar a doença para as regiões rurais em que atuam.

No decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, na última semana, a fiscalização ambiental é considerada um serviço essencial e que não deve parar de ocorrer durante a pandemia. Mesmo diante disso, o órgão teve de reduzir seu efetivo pessoal para preservar a vida dos fiscais.

Desafios de hospedagem, alimentação e transporte também se tornaram ainda maiores, com grande parte dos estabelecimentos fechados e voos cancelados. Por isso, o Ibama passou a utilizar veículos alugados, até para reduzir o risco de contágio.

O problema, no entanto, é que o governo federal cortou recursos do Ibama nos últimos anos, impedindo o órgão fiscalizador de realizar novas contratações. Cerca de 60% da Amazônia fica no Brasil e as consequências dessa falta de fiscalização podem ser muito graves. “Enfraquecer a vigilância certamente significa um risco maior de desmatamento, por razões óbvias”, comentou Sergio Margulis, economista ambiental e pesquisador do tema.

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