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Investir por oportunidade ou necessidade? Empresários contam como abriram o próprio negócio

18 Novembro 2019

Analista financeira de Ribeirão Preto (SP) e engenheiro de Jardinópolis (SP) relatam experiências. Gestora de inovação do Sebrae explica por onde começar um empreendimento de sucesso. A empresária Bruna
Cristina de Castro atende cliente na loja em Ribeirão Preto Adriano Oliveira/G1 O pensamento de que empreender é para poucos ou uma espécie de talento cai por terra nas trajetórias de Bruna Cristina de Castro e Valter Divino dos Santos. A primeira, analista financeira, deixou de lado o emprego dos sonhos em uma multinacional para se lançar no mercado de cosméticos veganos. O segundo, químico industrial com especialização em engenharia clínica, enxergou uma oportunidade de negócio na área em que trabalhava e investiu em uma fábrica de equipamentos laboratoriais. “Todos os dias, quando entra uma pessoa na minha loja e conta a dor que tinha, a alegria de poder usar um produto hoje, como um batom, de o meu trabalho conseguir fazê-la feliz, já me sinto uma profissional realizada”, diz Bruna. O G1, em parceria com a EPTV, afiliada da TV Globo, publica esta semana a série "Futuro Patrão", com reportagens sobre empreendedorismo. Mudança de trajetória A contadora especialista em finanças, a jovem de Ribeirão Preto (SP) diz que o antigo trabalho em uma multinacional proporcionou a ela conhecimento e experiência, além da possibilidade de morar em cinco países. Mas, após 11 anos na empresa, não se sentia mais realizada. “Você começa a ver que outras coisas são mais importantes na vida do que apenas trabalho. Já estava em uma vibe mais natural, mudei minha alimentação, porque estava passando muito mal por conta do estresse. Perdi cabelo, tinha crise de ansiedade, depressão”, relembra. Foi então que a empresária, vegetariana convicta, decidiu apostar tudo o que tinha em um negócio nessa área. Bruna se aprofundou no mercado de cosméticos naturais e veganos, buscou especialização, apreendeu sobre empreendedorismo e inaugurou uma loja online. As vendas pela internet deram tão certo que, em quatro meses, Bruna inaugurou a loja física, na zona Sul de Ribeirão. Ali, os clientes podem ver de perto e até experimentar os produtos, que não contêm aditivos químicos e também não são testados em animais. “Hoje, vejo que não teria condições de ficar atrás de um balcão, fechando imposto de renda e balanço comercial. Se falir, tento abrir outro negócio. Tem muito espaço e o mercado de produtos naturais tem muito a ser explorado, a cada dia cresce mais”, afirma. Bruna Cristina de Castro deixou o emprego como analista financeira para investir na loja de cosméticos veganos em Ribeirão Preto Adriano Oliveira/G1 O caminho do empresário Valter Divino dos Santos foi um pouco diferente daquele percorrido por Bruna. Ele trabalhava em uma empresa de equipamentos para laboratório de análises clínicas, quando enxergou nesse setor uma oportunidade de negócio. Santos e um colega de trabalho inauguraram, em 1988, uma empresa de manutenção em aparelhos laboratoriais. Quase 20 anos depois, o avanço da tecnologia fez o empresário dar um passo maior, inaugurando uma fábrica de equipamentos para saúde, em Jardinópolis (SP). “Quando terminei a faculdade há 20 anos, não tinha nada de novo, era tudo igual. Depois que o mercado teve a abertura, começaram as importações, vinham equipamentos novos, surgiu a necessidade de se fazer cursos e treinamentos, então houve uma evolução”, diz. Químico industrial, Santos especializou-se em engenharia clínica na Unicamp e hoje produz equipamentos não só para laboratórios de análises clínicas, mas de calibração, de pesquisa e bancos de sangue, empregando 30 pessoas. A empresa até exporta para a Bolívia. “Montei a indústria, sem dinheiro, sem nada, consegui fazer o prédio, montei a tornearia, estou produzindo, tendo uma evolução constante nos equipamentos. Na época de crise, o faturamento tem crescido. Então, eu me sinto realizado, com certeza”, afirma. O empresário Valter Divino dos Santos orienta os funcionários na Inbras em Jardinópolis, SP Adriano Oliveira/G1 Necessidade ou oportunidade? Gestora de inovação do Sebrae em Ribeirão Preto, Mariana Rossatti Molina afirma que os exemplos de Bruna e de Valter ilustram bem as formas mais comuns de empreendedorismo: por necessidade, como no caso da primeira, ou oportunidade, como ocorreu com o segundo. Maria explica que o empreendedorismo por necessidade acontece, geralmente, quando o profissional busca uma recolocação no mercado. Sem renda, essas pessoas buscam opções de negócio para investir, trabalhar e tentar pagar as próprias contas. Já o empreendedor por oportunidade é aquele que detectou uma excelente chance no mercado e decide apostar nisso. Apesar de ter alternativas de emprego, essa pessoa opta por iniciar um novo negócio porque identifica nele mais chance de crescimento. “O que a gente sente, na prática, é que a maioria das pessoas é um misto entre os dois. É muito raro existir só por necessidade ou só por oportunidade. Então, o pessoal trabalha muito por necessidade, mas tem uma oportunidade de mercado. Então existe um meio termo”, diz. Perfil para negócios? Independentemente dessas duas situações, quem pensa em abrir o próprio negócio precisa analisar, primeiramente, se tem perfil e comportamento empreendedor. Mariana afirma que no começo a empresa depende muito do esforço de quem está a frente dela. “A gente precisa saber: é realmente isso o que eu quero? Tenho um propósito? Porque, se eu não tiver um propósito, a primeira coisa que der errado – e vai dar errado – vou desanimar, vou desistir e vou culpar o mercado, vou culpar todo mundo e não vou para frente”, explica. O empresário Valter Divino dos Santos na fábrica de equipamentos para saúde em Jardinópolis, SP Adriano Oliveira/G1 Primeiro passo A escolha da área de atuação também deixa muito “candidato a empreendedor” em dúvida. Maria explica que o profissional deve basear o negócio em algo que dê prazer, seja um hobby ou uma paixão. Gostar do que se faz é o primeiro – e um importante – passo. “Posso até fazer uma coisa que odeio para ganhar dinheiro. Mas, na maior parte das vezes, não é sustentável. Tem que ter um propósito, uma paixão. Agora, essa paixão também tem que ter viabilidade de mercado. Não adianta gostar muito, mas não ser viável”, afirma. 'Ninguém nasce pronto' Mariana afirma que após identificar o comportamento empreendedor, o profissional pode – e deve – aperfeiçoar essas habilidades. O Sebrae, por exemplo, oferece um curso baseado em metodologia criada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O seminário “Empretec” estimula 10 pontos, entre eles persistência, comprometimento, estabelecimento de metas, planejamento e monitoramento sistemáticos, independência e autoconfiança, exigência de qualidade e eficiência, e persuasão. “Ninguém nasce pronto. Então, não existe empreendedor 100% pronto também. Mas, é possível desenvolver. O ‘eu-empreendedor’ é diferente do ‘eu-profissional’, que recebe todo dia ‘x’ o salário na conta. É um comportamento totalmente diferente”, diz Mariana. Gestora de inovação do Sebrae Mariana Rossatti Molina em Ribeirão Preto, SP Adriano Oliveira/G1 Foco no cliente Ainda segundo a gestora do Sebrae, também é fundamental realizar uma análise do mercado, ou seja, entender a concorrência e a necessidade do produto, além de identificar o público-alvo e determinar quais serão os diferenciais do negócio em relação aos demais. “Se for para abrir uma empresa igual a todas as outras, que diferencial que vou ter? Por que o cliente vai preferir comprar de mim, que ele nem conhece, que é uma marca nova, se ele já tem outra forma de resolver aquele problema?”, questiona. Por fim, é preciso ter os “pés no chão”, saber qual o valor necessário para o investimento e quanto dele o empreendedor tem disponível. Mariana destaca que o empresário também deve se preocupar sempre com as necessidades do cliente. “Muitas vezes, o empreendedor se apaixona pela ideia e não pelo problema de mercado que a ideia oferece. Então, o foco é no cliente. Se você estrutura o negócio pensando nas necessidades do cliente, nas dores e ganhos que eles esperam, a chance de ter sucesso é muito maior.” A gestora de inovação do Sebrae em Ribeirão Preto, Mariana Rossatti Molina Adriano Oliveira/G1 Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca

Em breve novidade aqui!!!

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