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Suporte Aéreo de Vida ganha 14 tripulantes em Montes Claros; conheça histórias de pacientes socorridos pelo helicóptero

20 Janeiro 2020

Desde que o helicóptero começou a ser utilizado, em 2018, 270 pacientes já foram transportados. G1 conta história de dois pacientes socorridos, homem que teve 70% do corpo queimado
e recém-nascido que sobreviveu a paradas cardíacas e convulsões. Helano tem seis meses e se recuperou sem sequelas após ser socorrido Arquivo Pessoal Há quatro meses, o marido de Jucelia Guedes da Rocha teve 70% do corpo queimado enquanto trabalhava com uma motosserra que pegou fogo. Há seis, o filho recém-nascido de Edinalva de Souza Santos lutava para viver após ter paradas cardiorrespiratórias e várias convulsões. Os dois pacientes contaram com o Suporte Aéreo Avançado de Vida (SAAV), que permitiu que fossem levados rapidamente para hospitais onde receberam o tratamento médico adequado à complexidade dos casos. O serviço conta com o helicóptero Arcanjo 05, operado pela Corpo de Bombeiros e tripulado com uma equipe mista composta por militares e profissionais do Samu. Para garantir ainda mais a eficiência do transporte aeromédico, o Corpo de Bombeiros formou 14 novos tripulantes, que estão aptos a atuarem junto à 3ª Companhia Especial de Operações Aéreas em Montes Claros. Desde que o helicóptero começou a ser utilizado, em dezembro de 2018, 270 pacientes já foram transportados. “O Suporte Aéreo Avançado habitualmente é acionado para atuar em missões cuja complexidade exige a resposta rápida, a remoção da vítima em locais de difícil acesso e o transporte imediato a grandes centros médicos”, explica o comandante, o major Welter Chagas. “Quando pensamos em atender urgências e emergências, saímos de casa prontos para situações extremas, em que segundos vão fazer a diferença em vidas. E, quando falamos em vidas, não estamos falando somente da vítima, por trás há uma família, uma mãe, um pai, filho. O que nos motiva e que dá sentido a esse nosso serviço é saber que nosso esforço faz diferença na vida das famílias”, destaca o médico Antônio Cedrim, que está no Samu desde a implantação no Norte de MG e é o responsável técnico pelo SAAV. Apesar da base da Companhia ser em Montes Claros, a equipe está preparada para atuar em todo o Estado. Além da que está no município, há três aeronaves em BH, uma em Varginha e uma em Uberaba. Sobre o curso Novos tripulantes formados pelo Corpo de Bombeiros Corpo de Bombeiros / Divulgação O curso de formação de tripulantes possui 80 horas-aula de instrução e 45 dias de estágio supervisionado. O treinamento ocorreu na Unimontes, no aeroporto de Montes Claros, em uma pedreira e na Represa de Juramento. O estágio foi feito em diversas missões reais no Norte de MG e Belo Horizonte. O comandante da 3ª Companhia destaca que a presença de militares especializados agiliza os trabalhos dos pilotos, médicos e enfermeiros, impactando positivamente no tempo de resposta e na eficiência do salvamento. “A missão dos tripulantes operacionais consiste em auxiliar os pilotos nos pousos e decolagens em locais de difícil manobra [como rodovias e cachoeiras] e complementar a atuação dos médicos e enfermeiros do Samu, que estão diariamente de serviço conosco.” ‘Lutou bravamente para viver’ Edinalva com os filhos Heleno e Helano Arquivo Pessoal Nove anos após viver a experiência de ser mãe pela primeira vez, Edinalva de Souza Santos decidiu que havia chegado a hora de ter outro filho. Era um desejo dela e do marido, mas era também um pedido frequente do primogênito Heleno. “Ele demorou a nascer, quando o tiraram de mim, estava bem roxinho, desacordado e não respirava. Logo foi colocado no balão de oxigênio. Teve uma parada cardíaca de seis minutos, a médica falou que tinha que transferir ele logo e que precisava de ser de helicóptero, porque ele não suportaria uma viagem de ambulância, nem se fosse em uma UTI”, fala Edinalva ao se lembrar do primeiro dia de vida do filho Helano. O bebê foi transferido para Montes Claros, onde teve outra parada cardíaca e várias convulsões. Ficou internado em estado grave e permaneceu entubado por dias. “Meu filho lutou bravamente para viver, mas sei que se ele não tivesse contado com o socorro rápido e o transporte de helicóptero, não teria resistido. Se tenho ele aqui, saudável e sem nenhuma sequela, foi graças ao trabalho de quem também lutou para que a vida dele fosse salva”, finaliza a mãe do bebê que acaba de completar seis meses de vida. ‘Só acreditei quando vi o helicóptero’ Jucelia e o marido Valmir Arquivo Pessoal Jucelia Guedes da Rocha e o marido Valmir Gomes Rodrigues são moradores de Capelinha, Vale do Jequitinhona. Há quatro meses, o homem foi socorrido e levado para Belo Horizonte. “Ele trabalhava com uma motosserra, que pegou fogo. Como sabia que tinha um camburão de gasolina perto de algumas madeiras e queria impedir que elas incendiassem, jogou o camburão para longe, mas houve uma explosão e pegou fogo nele”, fala a mulher. Ao perceberem o que estava acontecendo, os colegas de Valmir tentaram conter as chamas. Eles o socorreram até o hospital local e, pouco tempo depois, o helicóptero pousou e o transportou até o Setor de Queimados do Hospital João XXIII. “Me falaram que ele teria pouquíssimas chances de sobreviver e que não aguentaria ir de ambulância, por isso, tentariam o socorro por helicóptero. Eu não acreditava que conseguiriam, até que realmente vi o helicóptero pousando, era um fio de esperança no meio de toda aquela situação de desespero”, relembra Jucelia, que é esposa de Valmir há nove anos. Valmir teve 70% do corpo queimado e a maior parte das queimaduras foi de 3º grau. Ele já passou por diversas cirurgias e ainda não tem previsão de alta. Desde a transferência de Valmir, a vida da família mudou radicalmente. Jucelia foi para BH para acompanhá-lo e o filho do casal, de sete anos, ficou sob os cuidados de um tio em Capelinha. “Ele sofreu uma parada ao dar entrada no hospital da nossa cidade e deu outra enquanto saía do helicóptero, já em BH. Hoje, eu olho para ele e não acredito que esteja vivo, depois de ter visto como estava. Minha gratidão pelas pessoas que conseguiram salvar a vida do meu marido, sem elas, eu e meu filho não teríamos ele por perto mais”, emociona-se. Experiências com os atendimentos Durante as duas mil horas de voo em helicópteros do Corpo de Bombeiros, o major Welter Chagas conta já ter vivivo inúmeras situações que marcaram seu trabalho dentro da Corporação. Mas os 11 dias em que atuou no desastre de Brumadinho são lembrados pelo piloto como a experiência mais marcante da carreira. “O cenário de desolação e destruição era diferente de tudo o que eu havia vivido até então no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais”, fala o comandante que começou na atividade aérea com um curso em 2005. No Norte de MG, entre as ocorrências atendidas pelo SAAV, uma das mais complexas foi a do incêndio da Creche Gente Inocente, em Janaúba. Catorze pessoas, entre alunos e funcionários, morreram. Esse é um dos atendimentos que marcaram a atuação do médico Antônio Cedrim. Além dessa, ele relembra uma história que a dor foi transformada em amor. “Fomos empenhados para socorrer um jovem em uma colisão entre moto e carro em Capitão Enéas (MG). Analisamos se iríamos deslocar, já que o sol estava se pondo e poderia haver outros riscos. Fomos e vítima estava em coma quando um colega médico chegou no local. Foi entubada e transportada para a Santa Casa”, lembra. O médico estava no maior hospital do Norte de MG e recebeu o jovem acidentado. “Tínhamos uma paciente adolescente internada com hepatite grave, necessitando de um transplante hepático. Após o cadastro na Central de Transplantes, ela foi para o 1º lugar na lista de MG. Estávamos pouco esperançosos e o caso, provavelmente, evoluíria para óbito em horas ou dias. Após o socorro, fechamos o diagnóstico de morte encefálica do jovem acidentado, a família autorizou a doação de órgãos e o transplante foi feito." O caso ocorreu em 2019 e a cirurgia de transplante foi bem-sucedida. "A intervenção deu a chance de uma vida ser salva, e se deu por meio da atitude nobre de uma família que resolveu doar os órgãos”, recorda-se. Paciente é transportado de Pirapora para Montes Claros Corpo de Bombeiros / Divulgação Veja mais notícias da região em G1 Grande Minas.

Em breve novidade aqui!!!

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