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Pará de Minas terá novo sistema de abastecimento e captação de água a partir de julho, diz Vale

28 Mai 2020

Novo ponto de captação será no Rio Pará. Município captava água no Rio Paraopeba que foi atingido pela lama da barragem que se rompeu em Brumadinho. Novo sistema
de abastecimento começará a funcionar em julho Vale/Divulgação O município de Pará de Minas, que captava água no Rio Paraopeba, local atingido pela lama da barragem que se rompeu em Brumadinho, irá receber um novo ponto de captação, agora no Rio Pará. A previsão é de que as operações comecem no mês de julho, conforme foi informado pela Vale. Segundo a Prefeitura, o fato do Rio Paraopeba ter sido atingido pela lama de Brumadinho não afetou o fornecimento de água na cidade em nenhum momento. Na ocasião do incidente, a Concessionaria Águas de Pará de Minas suspendeu a captação do Rio Paraopeba e o Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura e a Vale, para garantir o abastecimento na cidade. A Vale construiu imediatamente um novo canal de captação em uma represa do município e iniciou as obras de construção da nova adutora que vai coletar água do Rio Pará. Novo sistema Segundo a Vele, a capacidade do novo sistema será de pouco mais de 1 milhão de litros por hora, mesma vazão outorgada para o município no Rio Paraopeba. A Vale desenvolveu e protocolou junto ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), um estudo que verificou a disponibilidade hídrica do Rio Pará para subsidiar o pedido de outorga do novo ponto de captação sem prejuízo do curso d’água.  Após a conclusão da obra e com o possível retorno da captação no Rio Paraopeba, o município poderá ter a capacidade outorgada mais que dobrada em relação ao que era antes do rompimento. Quando concluído, o empreendimento será entregue à Prefeitura e poderá ser operado remotamente pela Concessionária Águas de Pará de Minas por meio de um sistema completo de automação instalado. Obra Adutora - Vale - Pará de Minas Vale/Divulgação Rompimento barragem O rompimento da Barragem I, na Mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, completou 1 ano em janeiro. A tragédia deixou mais de 200 pessoas mortas e causou diversos danos ao meio ambiente. O Rio Paraopeba localizado em Pará de Minas, na Região Centro-Oeste do Estado, foi um dos locais atingidos pela lama da barragem. O rio é um dos afluentes do Rio São Francisco e era utilizado como principal fonte de captação de água para abastecimento na cidade. Desde o ocorrido, o Paraopeba deixou de ser utilizado pelo município. A barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, se rompeu em 25 de janeiro e vitimou 270 pessoas. Peritos já identificaram 259 mortos. A Polícia Civil de Minas Gerais disse, em 28 de novembro de 2019, que havia concluído o laudo sobre o desastre. Um estudo técnico, realizado por uma empresa contratada por um escritório de advocacia que atende a Vale, confirmou que a causa do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho foi “liquefação” - situação que ocorre quando um material sólido passa a se comportar como fluido. Em entrevista concedida pelo presidente da Vale, Fábio Schvartsman, na época, ele destacou que vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos - na tragédia de Mariana, há 3 anos, foram 43,7 milhões. A barragem que rompeu não era usada há três anos. Ainda na época, o Governo de Minas Gerais enviou equipes até Brumadinho para um trabalho de força-tarefa que durou mais de 100 dias. Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho foi registrado em janeiro de 2019 TV Globo/reprodução Lama no Paraopeba O vazamento de rejeitos deixou em estado de atenção municípios banhados pelo Rio Paraopeba. Segundo José Hermano, ainda há lama da barragem alojada em boa parte do Rio na parte que passa por Pará de Minas. “Não sabemos o tanto de lama que está dentro do rio, porque veio descendo ao longo de vários quilômetros e foi se alojando no fundo do Rio. O Paraopeba recebeu uma carga muito grande destes rejeitos, eles continham diversos tipos de metal, isso foi constatado por laudos emitidos Igam na época”, destacou o biólogo na ocasião do fato. O biólogo disse na época que apesar de ainda haver vida no rio, em boa parte dele a situação não é favorável. “A mortandade inicial de peixes se deu por causa do arraste que ela lama foi fazendo. Contudo, esses metais pesados contaminam os animais ou quem os ingere de forma mais lenta, então como ainda temos lama dentro do Rio e temos peixes, é provável que estes peixes estejam contaminados. E isso é dramático porque vira uma loteria ao contrário, o rio vai ter peixe e as pessoas vão ver como aparentemente era antes, mas não vamos poder consumir nada”, declarou o especialista. Rejeitos ficaram acumulados nas margens do Paraopeba Raquel Freitas/G1 Obras em Pará de Minas A Vale assinou em março de 2019 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de Pará de Minas, assumindo a responsabilidade pela realização de obras que garantiriam o abastecimento de água do município. O TAC previa que a Vale refizesse a captação de água para o município a partir do Rio Pará. Para tanto, era necessário a construção de uma adutora de 47 km de extensão. Além disso, o acordo previa que fosse feito um reservatório com, no mínimo, 50 milhões de litros d’água para suprir as necessidades de abastecimento do município durante o período de estiagem. De acordo com a Prefeitura, nenhum prazo acordado no TAC foi quebrado até o momento. Análises No dia 4 de fevereiro de 2019, uma análise feita por uma equipe da Fundação SOS Mata Atlântica afirmou que o Rio Paraopeba estava morto no trecho que corta Pará de Minas. Para tentar conter os rejeitos, a Vale instalou três barreiras de contenção ao longo do curso do rio na cidade. No entanto, a análise revelou que as barreiras continham apenas 95% dos rejeitos. No mesmo dia, o prefeito Elias Diniz decretou situação de emergência em Pará de Minas devido aos prejuízos causados pela contaminação da água. O relatório final das análises feitas pela equipe da Fundação, divulgado no dia 27 de fevereiro, revelou a presença de metais pesados na água do rio e afirmou que a água do rio estava imprópria para consumo em uma extensão de 305 km.
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