-->

Prova que mede aprendizado nas escolas públicas do Paraná aponta dificuldade em interpretação de texto e cálculo básico de área

05 Dezembro 2019

Terceira edição da Prova Paraná dos ensinos fundamental e médio, sobre Língua Portuguesa e Matemática, foi aplicada nas escolas das redes estadual e municipal; confira os resultados. A avaliação
diagnóstica é sobre as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática Divulgação/AEN A terceira edição da Prova Paraná, que mede o aprendizado nas escolas estaduais, indicou dificuldade dos estudantes para identificar o tema de um texto e para resolver problema envolvendo o cálculo de área de figuras planas. Conforme o resultado, por exemplo, apenas 16% dos alunos do 7º ano do ensino fundamental conseguiram acertar essas duas questões. Confira mais resultados abaixo. A avaliação sobre as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática foi aplicada em todas as escolas das redes estadual e municipal. Participaram mais de 900 mil estudantes, do 5º ao 9º do ensino fundamental, da 1ª à 4ª série do ensino médio, e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) fase II e ensino médio. O levantamento foi realizado em setembro deste ano e divulgado pela Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (Seed) em novembro. De acordo com a Seed, o percentual de acerto é referente ao número de alunos daquela série/ano que responderam a avaliação. Questões de Língua Portuguesa Números mais baixos: 18% dos alunos do 8º ano conseguiram identificar a finalidade de textos de diferentes gênero. 18% dos alunos da 3ª e 4ª séries acertaram a questão sobre estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la. 28% dos alunos da 2ª série conseguiram identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa. 28% dos alunos da 1ª série conseguiram identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa. 37% dos alunos do 9º ano identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados. Números mais altos: 88% dos estudantes da 1ª série reconheceram o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações. 88% dos estudantes do 9º ano conseguiram interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso, como propagandas, quadrinhos, foto. 89% dos estudantes da 2ª série conseguiram localizar informações explícitas em um texto. 89% dos alunos da 3ª/ 4ª série localizaram informações explícitas em um texto. 86% dos estudantes do 6º ano identificaram efeitos de ironia ou humor em textos variados. Questões de Matemática Números mais baixos: 6% dos alunos do 9º ano conseguiram identificar relação entre quadriláteros por meio de suas propriedades. 6% dos estudantes da 1ª série reconheceram o gráfico de uma função polinomial de 1º grau por meio de seus coeficientes. 7% dos alunos da 2ª série conseguiram reconhecer o gráfico de uma função polinomial de 1º grau por meio de seus coeficientes. 12% dos alunos da 3ª/ 4ª série relacionaram as raízes de um polinômio com sua decomposição em fatores do 1º grau. 15% dos alunos do 6º ano conseguiram identificar diferentes representações de um mesmo número racional. Números mais altos: 85% dos estudantes do 6º ano conseguiram calcular o resultado de uma adição ou subtração de números naturais. 86% dos alunos da 3ª e 4ª série associaram informações apresentadas em listas e/ou tabelas simples aos gráficos que as representam e vice-versa. 81% dos alunos do 9º ano conseguiram identificar a localização de números inteiros na reta numérica. 85% dos estudantes da 1ª série associaram informações apresentadas em listas e/ou tabelas simples aos gráficos que as representam e vice-versa. 89% dos alunos do 5º ano conseguiram identificar propriedades comuns e diferenças entre figuras bidimensionais pelo número de lados, pelos tipos de ângulos. Prova Paraná foi aplicada em todas as escolas das redes estadual e municipal Divulgação/SEED Avaliações sobre a prova O G1 conversou com duas professoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que analisaram os resultados da terceira edição da prova. Ambas afirmam que o problema das avaliações em larga escala é que elas são feitas à revelia do que a escola, de fato, ensinou. "Pressupondo que todas as escolas ensinam as mesmas coisas, do mesmo jeito, no mesmo tempo. E isso não é verdade, porque as escolas têm ritmos diferentes e os estudantes também. Essa padronização é inexistente. Não mostram o que os alunos aprenderam, mas sim o que a prova perguntou", disse Mônica Ribeiro da Silva, também pesquisadora em políticas educacionais e coordenadora do Observatório de Ensino Médio. A outra docente, Maria Tereza Carneiro Soares, que também é mestra e doutora em educação, disse que, atualmente, existe bastante complexidade tanto na formação de professores quanto nas condições de trabalho na escola, e isso pode "respingar" nos resultados de avaliações sobre o conhecimentos dos estudantes. "Muitas vezes, os estudantes não conseguem ver a relação com o que aprendem na escola com o que aplicam em seu cotidiano. Na hora do teste, o modo como a questão é feita, pode impossibilitar ou confundir", explicou Maria Tereza. Segundo elas, é comum que, realmente, as dificuldades apareçam muito mais fortes em interpretação, embora as escolas tenham investido em leitura e em letramento. Além disso, as professoras consideram difícil avaliar os números da forma em que é colocado pela secretaria. "É muito raso, pois o desempenho dos estudantes é fruto de uma série de fatores, incluindo o que a escola fez. Não é apenas o desempenho dos alunos que servem para fazer a avaliação da educação, explicou a professora Mônica. Na avaliação dela, é necessário fazer outros testes a cerca das condições de ensino para saber quais políticas seriam efetivas. Conforme a Secretaria de Educação do Paraná, a Prova Paraná não é, exatamente, uma avaliação para medir o conhecimento dos estudantes do estado, e sim para apontar quais são os conteúdos em que há mais dificuldade de aprendizado. "O objetivo é oferecer subsídios sobre o aprendizado de cada aluno", informou a secretaria. Entenda a prova A prova é impressa pela Seed e distribuída para todas as escolas estaduais e para as escolas municipais de cidades que aderiram ao programa, gratuitamente. O aluno tem duas horas para realizar a prova. 3ª edição da Prova Paraná Arte/G1 "A 3ª edição teve novo recorde de participação e isso, na avaliação da secretaria, mostra como a prova, enquanto instrumento pedagógico de diagnóstico da aprendizagem, tem sido aprimorada edição após edição, com as contribuições de toda a rede, como sugestões, críticas e elogios", segundo a Seed. Para 2020, a secretaria afirmou que os desafios serão para aprimorar a ferramenta e o trabalho que é realizado após a prova, considerado o mais importante. "O trabalho pedagógico realizado a partir dos resultados, para ajudar os estudantes a aprenderem mais, a superarem suas dificuldades. Todas as ações são pensadas tendo em vista a meta de garantir a melhor aprendizagem aos alunos, seu pleno desenvolvimento", conforme a secretaria. Para a professora Mônica, a prova é um cenário geral do sistema, mas ela não pode ser uma medida isolada. "Deve ter um conjunto de políticas para melhorar a qualidade da educação, os salários dos professores e funcionários, condições de trabalho e materiais didáticos também", comentou ela. Esta edição da prova foi realizada em todos os municípios do estado Divulgação/SEED Melhorias A intenção da secretaria é que, após a correção dos testes, os professores e demais profissionais da educação tendo as informações mais aprofundadas sobre as dificuldades dos alunos, consigam desenvolver estratégias pedagógicas e de ensino mais adequadas para superar as dificuldades. A secretaria desenvolve o programa "Tutoria Pedagógica", que é uma das frentes de ação da pasta junto aos Núcleos Regionais de Ensino e às escolas a partir dos resultados. "Um tutor acompanha a escola, dá apoio ao diretor e professores para fazer a análise dos resultados e pensar em atividades que ataquem as dificuldades. A secretaria também disponibiliza listas de questões direcionadas para o desenvolvimento do aprendizado dos conhecimentos abordados na prova", explicou a secretaria. A Seed afirmou que auxilia a planejar ações e estratégias para superar as defasagens de aprendizagem relacionadas às habilidades cognitivas avaliadas com menor número de acertos na prova. "Como, por exemplo, monitoria entre estudantes, aulas de reforço, nivelamento, resolver a prova com os estudantes e retomar cada questão", informou. Além disso, as escolas têm autonomia para desenvolver projetos e ações pedagógicas próprias a partir dos resultados, o que acontece na grande maioria das escolas, segundo a Seed. "Temos escolas em que há professores que gravam vídeos sobre os descritores, por exemplo", disse a secretaria. A professora Maria Tereza afirmou que todas as iniciativas que buscam uma participação maior do professor, da família, tendo como foco o aluno, são interessantes. "É essencial o papel do professor na interpretação desses resultados para que realmente surjam resultados positivos", concluiu. Após a correção dos testes, professores conseguem desenvolver estratégias mais adequadas para superar as dificuldades dos alunos Natalia Filippin/G1 Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.
We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree