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Por que a Usina de Itaipu é um fenômeno da engenharia?

10 Dezembro 2019

Atuação das diversas modalidades profissionais foi fundamental na construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo, líder mundial em produção de energia Existem no mundo obras de engenharia que
se destacam pela grandiosidade. Uma das mais modernas é a Burj Khalifa, em Dubai, o maior arranha-céu do planeta com 160 andares e cerca de 828 metros de altura. No Brasil podemos destacar a Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, líder mundial em produção de energia limpa e renovável que no ano de 2016 alcançou o recorde de produção de 103,1 milhões de Megawatts-hora (MWh). A Itaipu Binacional tem 7.919 metros de extensão e altura máxima de 196 metros, o equivalente a um prédio de 65 andares. Desde o início da sua produção, em 1984, mais de 2,6 bilhões de MWh de energia foram produzidos em 20 unidades geradoras que, juntas, fornecem 15% da energia consumida no Brasil e 90% no Paraguai. E quando o assunto é Itaipu Binacional, tudo é gigantesco. Os números são surpreendentes. Para começar a obra os engenheiros tiveram que alterar o curso do Rio Paraná removendo 55 milhões de metros cúbicos de terra e rocha para escavar um desvio de 2 km. Na sua construção, que teve início em 1975, foram necessários 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Para se ter uma ideia da dimensão da obra, o ferro e o aço utilizados na obra permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel. Esses números transformaram a usina de Itaipu em referência nos estudos de concreto e na segurança de barragens. O superintendente adjunto de engenharia da Usina de Itaipu, o engenheiro eletricista Alexandre Cezário Pereira, diz que todo o conhecimento de engenharia que existia na época foi usado na construção. Parte da estrutura era italiana e americana. Para a geração de energia foi usada a tecnologia alemã e suíça. “Foi algo inédito no mundo, de proporções gigantescas, por isso todo o conhecimento que existia nas engenharias foi captado em várias partes, nas mais diversas áreas da engenharia civil, mecânica, elétrica, hidráulica e outras”, observa. O engenheiro lembra também que fábricas foram instaladas no canteiro de obras para a construção da usina. “Foi um desafio completo. Na época de obra civil, pela quantidade de concreto, nós tivemos que instalar duas usinas de concreto dentro da planta além da maior fábrica de gelo do mundo, porque o concreto precisava ser misturado com o gelo [já que o resfriamento evita a formação de trincos]. Assim, 24 horas por dia era feito concreto e jogado na obra”, destaca Pereira. No dia 13 de novembro de 1978, o volume de concreto lançado na estrutura do canal de desvio alcançava a marca histórica de 1 milhão de metros cúbicos, chegando a 12,7 milhões de metros cúbicos até o fim da obra. Arquivo Itaipu Para o superintendente Alexandre Cezário Pereira, sem o trabalho das diversas engenharias, não seria possível a construção de Itaipu. “A pluralidade das disciplinas das engenharias foi fundamental para sua construção. Engenheiros civis, mecânicos, elétricos, hidráulicos, geólogos e tantos outros foram, e são necessários, para manter a produção de uma obra dessa envergadura”, constata. Para garantir a segurança das operações, cerca de 80 engenheiros atuam hoje na área técnica brasileira no setor de produção de energia. Para ajudar a suprir o concreto necessário na construção, foram implantadas quatro centrais de britagem (produção de agregados) e seis centrais de concreto, com capacidade de 180 metros cúbicos/hora. Arquivo Itaipu O nascimento de uma grande cidade A construção da hidrelétrica transformou a região em um “formigueiro humano”. Na época, Foz do Iguaçu era uma cidade com apenas duas ruas asfaltadas, entretanto, em dez anos houve um boom populacional: o número de habitantes passou de 20 mil para mais de 101 mil habitantes. Para abrigar os trabalhadores da obra foram construídas mais de 9 mil moradias nas duas margens do Rio Paraná, além de um hospital para atender os operários. Ao longo da obra, foram contratados cerca de 100 mil trabalhadores. Em 1978, com o fim da escavação do desvio do Rio Paraná, 58 toneladas de dinamite explodiram as duas ensecadeiras, que protegiam a construção do novo curso para a construção da barragem principal em concreto. Em um único dia foram lançados na obra 7.207 metros cúbicos de concreto, um recorde sul-americano, o equivalente a um prédio de dez andares, a cada hora, ou 24 edifícios no mesmo dia, com o uso de sete cabos aéreos para o lançamento de concreto. O total despejado na barragem, 12,3 milhões de metros cúbicos, seria suficiente para concretar quatro rodovias do porte da Transamazônica. Em 1980, o transporte de materiais para a Itaipu Binacional mobilizou 20.113 caminhões e 6.648 vagões ferroviários. Em 1981 com a concretagem quase pronta, a fase seguinte foi a montagem das unidades geradoras e o transporte de peças inteiras dos fabricantes foi outro grande um desafio. A primeira roda da turbina, que tinha 300 toneladas, saiu de São Paulo no dia 4 de dezembro de 1981 e chegou ao canteiro de obras, em Foz do Iguaçu, no dia 3 de março de 1982. O peso das turbinas era grande, por isso a carreta que levava a peça teve de percorrer um caminho mais longo para chegar ao destino: 1.350 km. O recorde do transporte foi 26 dias de viagem entre a fábrica e a usina. Mas todo esse esforço valeu a pena. A itaipu Binacional é hoje a maior produtora mundial de energia limpa e renovável e segue, de olho no futuro. Para o superintendente de operações da Itaipu, engenheiro eletricista José Benedito Mota Júnior, se a usina fosse construída hoje, o que mudaria seria a tecnologia empregada. “Eu acredito que a parte da construção pesada seria igual, a construção civil seguiria a mesma regra do passado, mas o que poderíamos melhorar hoje seria a parte mais fina, de controle das unidades, de linhas de transmissão, usando materiais mais modernos como a fibra óptica, por exemplo”, explica. Desde sua construção lá se vão 44 anos e o uso da tecnologia avança na Itaipu Binacional. Entre 2002 e 2006 foram implantadas duas novas unidades geradoras de energia totalmente digitais, com o que há de mais moderno no mundo, uma tendência para os próximos anos. “Para o futuro eu entendo que vamos usar cada vez mais a tecnologia da fibra óptica e equipamentos digitais que facilitam a supervisão e o controle operacional além de contar com o avanço das engenharias, tão importantes para o desenvolvimento da empresa”, conclui Mota Júnior. Jornalista Geovana Diesel - Crea-PR

Em breve novidade aqui!!!

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