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Produtores rurais do Paraná enfrentam dificuldades em primeira quinzena de reflexos do novo coronavírus

05 Abril 2020

Queda nas vendas de hortigranjeiros nas centrais de abastecimento chega a quase 1,5 toneladas por dia; agricultores de pequenas propriedades tentam impulsionar vendas na internet. Bloco 01 Caminhos do
Campo 05 04 2020 Após duas semanas do fechamento parcial do comércio em várias cidades do Paraná, os impactos no campo aumentaram, segundo os produtores. Um dos setores mais atingidos no estado é o de hortigranjeiros, que conta com o trabalho de pequenos agricultores. Segundo um levantamento da Central de Abastecimento (Ceasa) de Curitiba, a queda nas vendas destes produtos nas centrais de abastecimento do Paraná chega a quase 1,5 mil toneladas por dia, uma redução de 25%. O agricultor Vanderlei Rendak diz que, sem compradores, já está perdendo produtos na lavoura. Ele reclama que mesmo com a redução dos preços, os produtos não tem tido saída. Para o setor de flores, a situação é ainda mais crítica. No mercado de flores que funciona dentro da CEASA de Curitiba, a queda chega a quase oitenta por cento, após o cancelamento de festas e eventos na região. Bloco 02 Caminhos do Campo 05 04 2020 Na Ceasa de Foz do Iguaçu, que também teve o movimento reduzido em 50%, a crise é provocada pelo fechamento da fronteira. Quase metade da clientela dos agricultores que vendem seus produtos em Foz é formada por paraguaios que, agora, estão impedidos de cruzar a fronteira para buscar a mercadoria. Só está liberado o transporte por caminhões. Carros pequenos estão sendo barrados na Ponte da Amizade. Com isso, agricultores da região estão dando férias coletivas para os empregados. O agricultor Ponciano Redigolo, de Medianeira, diz que deu férias para todos os funcionários e, agora, a colheita tem sido feita apenas pela família. Além de ter que reduzir a produção, ele teme que a circulação de pessoas pela propriedade possa aumentar os riscos de transmissão do vírus. Queda nas vendas de hortigranjeiros nas centrais de abastecimento chega a quase 1,5 toneladas por dia, no Paraná Reprodução/RPC O mercado de leite do estado também enfrenta dificuldades. Segundo Wilson Thiesen, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Laticínio e Produtos Derivados do Paraná, as empresas já estão com os estoques cheios e praticamente sem condições de receber novas encomendas dos produtores. Otimismo na produção de grãos O setor de grãos, que espera colher uma super safra este ano, está mais otimista. Com o dólar alto, o setor, que destina boa parte da produção para a exportação, espera uma lucratividade boa. A safra de soja deste ano deve passar dos 40 milhões de toneladas, se aproximando das safras recordes de 2016 e de 2017. Alta no preço do dólar incentiva o otimismo de produtores de grãos no Paraná Reprodução/RPC O milho também está com um bom preço. Segundo Salatiel Turra, diretor do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, e o melhor preço dos últimos dez anos e 50% superior ao preço do ano passado. No entanto, o que tem deixado os produtores de grãos preocupados é o impacto que o avanço da pandemia pode ter sobre os transportes, no momento em que precisarem escoar esta safra. Bloco 03 Caminhos do Campo 05 04 2020 Enquanto isso, em pequenas propriedades nos arredores de Curitiba, os agricultores seguem semeando as lavouras e buscando formas alternativas de comercialização. Muitos têm recorrido às redes sociais para divulgar os produtos disponíveis ou entrado em contato direto com os consumidores, via telefone. Pequenos produtores de hortaliças tentam manter atividades durante isolamento social pelo coronavírus Reprodução/RPC Veja mais notícias na página do Caminhos do Campo.
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