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MP investiga pagamento de R$ 5 milhões em propina ao deputado Ricardo Barros em fraude na contratação de energia eólica

16 Setembro 2020

Segundo investigação, deputado intermediou compra de ativos de empresa controlada pela Galvão Engenharia à Copel, entre 2011 e 2014. Escritório do parlamentar foi alvo de mandado de busca e
apreensão na manhã desta quarta-feira (16). Ricardo Barros é deputado estadual e atual líder do governo Bolsonaro Aldo Carneiro/Pernambuco Press O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga o pagamento de R$ 5 milhões em propina ao deputado federal e atual líder do governo Jair Bolsonaro, Ricardo Barros (PP), em uma negociação envolvendo a contratação de energia eólica por parte Companhia Paranaense de Energia (Copel). A investigação resultou em uma operação que cumpriu oito mandados de prisão na manhã desta quarta-feira (16). Um dos alvos foi o escritório de Ricardo Barros, em Maringá, no norte do Paraná. Segundo as investigações, o deputado intermediou a compra de ativos da empresa São Bento Energia, controlada pela Galvão Engenharia, por parte da Copel nos anos de 2011 e 2014. À época, Barros era secretário de Indústria e Comércio do Paraná. Por meio de nota, Ricardo Barros disse estar tranquilo e em total colaboração com as investigações. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-PR, a investigação começou com base em informações da colaboração premiada da Operação Lava Jato, que foram enviadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2019. O MP-PR informou que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. No pedido enviado à Justiça para a ação, o órgão justificou a necessidade de coleta de provas e o levantamento de informações ditas durante a colaboração premiada. Esquema De acordo com o Ministério Público, em 2010, a Copel realizou uma chamada pública com o interesse de firmar parcerias para contratação de energia eólica. Conforme o MP-PR, Eduardo de Queiroz Galvão, vice-presidente da Galvão Participações, teve interesse em vender à estatal paranaense participação da São Bento Energia, que era dona de quatro parques eólicos em construção. As investigações apontam que Eduardo de Queiroz Galvão foi orientado a procurar Ricardo Barros para intermediar a venda, pois o então secretário tinha influências na gestão da estatal. Para a negociação, Barros pediu o pagamento de R$ 1 milhão, além de 1,5% do valor total que seria pago pela Copel na compra de ativos da São Bento Energia, segundo o MP-PR. Em novembro de 2011, a Copel pagou R$ 38,9 milhões pela compra de 49,9% dos ativos da empresa, de acordo com o órgão. Ainda segundo o Ministério Público, em dezembro de 2013, a Copel comprou o restante da São Bento Energia por R$ 109,5 milhões. Nesta segunda negociação, Ricardo Barros pediu pagamento de R$ 1,2 milhão, além de 2,5% do valor da transação, conforme o órgão. Pagamentos Em colaboração premiada, Eduardo de Queiroz Galvão afirmou ter pago em espécie a quantia de R$ 1.550.000,00 a Ricardo Barros pela venda da São Bento Energia à Copel. Os pagamentos foram feitos em parcelas entre outubro de 2013 e março de 2014, segundo a investigação. Ainda segundo o colaborador, Barros determinou que o restante do pagamento da propina fosse feito por meio de doações eleitorais ao diretório nacional do Partido Progressistas. As entregas de dinheiro foram operacionalizadas por um funcionário da Galvão Engenharia. Algumas foram enviadas para uma pessoa ligada à Ricardo Barros, de acordo com as investigações. O MP-PR afirmou ainda que há indícios de que o deputado federal tenha usado parte dinheiro da propina para a compra de imóveis e para a construção de um empreendimento. Cumprimento de mandados Além de Maringá, o Gaeco também cumpriu mandados de busca e apreensão em Paiçandu, no norte do Paraná, Curitiba e São Paulo. Os alvos foram a residência de quatro pessoas investigadas, além de quatro empresas com sede Maringá. Durante a operação foram apreendidos documentos, computadores e celulares. Não houve prisões. A ação do Gaeco foi realizada em parceria com a Polícia Civil. Gaeco cumpre mandado em escritório do deputado Ricardo Barros Reprodução/RPC O que dizem os citados Em nota, Ricardo Barros, que está no sexto mandato na Câmara e já foi prefeito de Maringá, disse que está tranquilo e em total colaboração com as investigações. O parlamentar reafirmou ter a sua conduta ilibada e informou que solicitou acesso aos autos do processo para poder prestar mais esclarecimentos à sociedade e iniciar sua defesa. O G1 tenta contato com os demais citados na reportagem. Escritório de Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro, é alvo de buscas do MP Veja mais notícias da região no G1 Norte e Noroeste.
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