-->

Operação mira lavagem de dinheiro da maior facção do tráfico do RJ

17 Setembro 2020

Com relatórios de inteligência financeira, polícia e MP localizaram 10 pessoas e 35 empresas usadas para lavar os ganhos da facção. Esquema com empresas de fachada movimentou R$ 200
milhões em um ano. Operação mira lavagem de dinheiro da maior facção criminosa do Rio de Janeiro A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro identificaram, depois de cinco anos de investigações, um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, a maior facção do tráfico de drogas do RJ. Essa rede de pessoas físicas e empresas — muitas de fachada — é alvo da Operação Overload 2, deflagrada nesta quinta-feira (17). Segundo a força-tarefa, em pouco mais de um ano, 10 CPFs e 35 CNPJs movimentaram R$ 200 milhões — com ordens que partiam de dentro de presídios. Entre os 12 denunciados estão os líderes da organização, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, ambos presos na penitenciária federal de Catanduvas. Além de expedir os mandados, a 1ª Vara Criminal Regional de Madureira também determinou o bloqueio de contas bancárias ligadas ao esquema. Agentes saíram para cumprir 28 mandados de busca e apreensão — não há mandados de prisão — em 10 cidades de cinco estados. No Rio, os endereços visados eram em Ramos e na Penha. A lavagem, segundo a polícia, ocorria quando o dinheiro das atividades criminosas era depositado nas contas dessas empresas e "transformado" em salários ou lucro — o que daria uma aparência de legalidade. "No transcorrer da investigação, foram detectadas inúmeras negociações de vendas de armas e drogas pela organização criminosa, sendo identificadas diversas contas bancárias envolvidas na transação", afirmou a polícia. Operação Overload cumpre mandado em Ramos Leslie Leitão/TV Globo As pessoas jurídicas utilizadas na atividade criminosa ficavam situadas no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. “Algumas delas nem sequer possuíam sede própria ou funcionários cadastrados”, destaca a polícia. Além do Rio, agentes cumpriram mandados em Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Curitiba (PR), Araucária (PR), Guarapuava (PR), Ponta Grossa (PR), São José dos Pinhais (PR), Belo Horizonte (MG) e Mafra (SC). As investigações começaram com a apreensão de um celular pertencente a um integrante da facção criminosa, durante incursão policial no Morro do Juramento, em 2014. "Um relatório de interceptação telefônica revelou diversas mensagens entre criminosos onde foram indicadas ao menos 28 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, que serviam para ocultar, circular e dissimular a origem do dinheiro obtido ilicitamente pela organização criminosa através do tráfico de drogas e armas", afirmou o MP. Operação Overload cumpre mandados em Belo Horizonte (MG) Reprodução A Operação Overload 1 Em junho de 2015, mais de 400 policiais participam da primeira fase da operação e prenderam nove pessoas. Na ocasião, a polícia descobriu que o faturamento mensal da quadrilha somente na Baixada Fluminense ultrapassou mais de R$ 7 milhões. Ao fim das investigações, a Justiça condenou 61 traficantes da cúpula do Comando Vermelho — entre eles, chefes que agiam de dentro de presídios federais. Alguns dos condenados são: Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como líder da organização criminosa; Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, tido como dono do tráfico de todas as favelas da Baixada Fluminense e suspeito da morte do jornalista Tim Lopes; Elieser Miranda Joaquim, o Criam, “ajudante de ordens” de Elias Maluco; Edson Silva de Souza, o Orelha, chefe do tráfico do Complexo do Alemão; Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, do Complexo do Alemão; Elizeu Felício de Souza, o Zeu; Alcindo Luiz Fernandes, o Da Cabrita; Luiz Claudio Machado, o Marreta; Anderson Sant’Anna da Silva, o Gão; Claudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira; Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira. Todos estão presos, mas, segundo as investigações, continuam dando ordens para a quadrilha. A Operação Overload 2 é uma parceria da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, 25ª DP (Engenho Novo) e Delegacia de Combate às Drogas, com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. "Desarticulamos toda a engenharia financeira da maior facção do RJ que movimentou milhões, fruto do lucro com a venda de drogas", afirmou o coordenador da operação, o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada. A ação faz parte de diretriz do novo secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski para intensificar o combate à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas. Invasão ao São Carlos A polícia afirma que o Comando Vermelho articulou a tentativa de invasão contra o Complexo de São Carlos, no fim de agosto, que levou confrontos a diferentes pontos do Rio. “O fortalecimento do poderio bélico da facção está diretamente vinculado aos altos valores auferidos pelas suas atividades ilícitas, o que tende a aumentar com as recentes decisões judiciais que vedam as ações policiais em comunidades dominadas pelo tráfico”, sustentou a polícia. VÍDEOS: Os mais assistidos no G1 nos últimos dias
We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree