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Atividade é Vida

17 Fevereiro 2020

Se o descanso é reparador das energias gastas na atividade, o trabalho é, por sua vez, reparador das debilitações ocasionadas pela inércia mental. Convém, pois, sob todos os pontos de vista,

que a mente esteja sempre ocupada em algo útil.

Deve-se ter por conduta o desenvolvimento de uma constante atividade de adestramento mental, no sentido de predispor o ânimo a sustentar uma resolução com firmeza e neutralizar, assim, todos os sinais de indecisão e preguiça.

A paciência há de ser uma das virtudes que mais devem ser cultivadas, por ser ela a que cria a inteligência do tempo.

Compreender a linguagem do tempo e atuar inspirado em seus conselhos deve constituir uma das máximas aspirações do ser humano, pois o arcano que com isto se revela à consciência transcende todos os limites da imaginação.

Para o homem consciente, para o que sabe esperar com sensatez as coisas que são objeto de sua preocupação, por mais variadas e até adversas que sejam ao seu agrado, estas devem continuar existindo para sua razão por todo o tempo necessário, até que se vinculem à sua vida e harmonizem com suas aspirações, se estas são justas e realizáveis. Em outras palavras, as grandes obras, como as pequenas, requerem seu tempo; porém esse tempo deve ser fértil e não estéril. Em consequência, alcançará merecidos triunfos quem persevera e não esmorece em seus afãs enquanto atua com inteligência, discrição e tolerância.

Toda interrupção é perniciosa e compromete a eficácia dos meios honestos e úteis que se empreguem e, também, os resultados a que se aspire chegar.

Na própria Natureza, quando se interrompe um processo, se altera a harmonia de suas combinações, se perturbam as funções dos elementos que intervêm nele e, finalmente, se malogra sua manifestação, ou seja, o resultado do processo. E se isso ocorre justamente nos seres mais visíveis da Criação, não é admissível que, em se tratando do homem, exista uma exceção.

O segredo está, pois, na continuidade, na não interrupção das energias de que se dispõem para alcançar um propósito que haverá de se vincular estreitamente à vida. Nunca se alcançará uma culminação feliz se, em qualquer um dos estados em que o processo iniciado se encontre, os fios de conexão com a consciência forem bruscamente cortados. Esta imagem pode ser ilustrada de forma mais gráfica se tomarmos um exemplo corrente, como o do estudante de direito ou de medicina que interrompe seus estudos. Não chegará, é lógico admitir, a concluir o curso, visto que haverá malogrado o processo que devia levá-lo a seu termo. Um fato que se repete muitas vezes e que evidencia esta tese é que todo aquele que cessa em seus empenhos, hoje nisto e amanhã naquilo, sempre se acha começando e não muda sua posição, mesmo que o passar dos anos sacuda um tanto sua altivez.

Os seres compreendidos neste quadro jamais chegarão a conquistar nada, pois serão impedidos pela inconstância e a imprevisão. Deixe de ser o que é – reza o axioma que sintetiza o mandato supremo instituído pela Lei das Mudanças – se quiser chegar a ser aquilo a que aspira.

Os maiores êxitos obtidos pelo homem na conquista do bem foram alcançados graças à sua perseverança e aos seus contínuos esforços em direção ao ideal buscado.

A natureza humana é frágil. Daí que o homem deva lutar tanto contra suas próprias debilidades, que são, precisamente, as que o fazem ser inconsequente, movediço e pouco amante de tudo o que lhe demanda algum esforço continuado. Busca sempre a sedução dos passos incertos, o acaso com todos seus falsos reflexos, e não a realidade que os passos seguros lhe oferecem. Quantos se extraviaram em inúmeros labirintos, lamentando depois não ter seguido um caminho reto!

Pois bem, se observarem detidamente o quadro psicológico-mental que o ser comum em geral apresenta, verão, por um lado, que esta instabilidade que se adverte na mente humana é o produto ou a consequência da variabilidade dos pensamentos e, por outro, o fato de desconhecer quais são suas possibilidades mentais e qual a função real e específica que corresponde à mente no conjunto de sua natureza e como parte substancial de sua existência. Por isso, aquele que conseguir fixar a mente, isto é, estabilizá-la para que não sofra mais as contínuas alterações a que a ignorância a expõe, e fizer resplandecer nela seus melhores propósitos, terá focalizado sua mira para um destino melhor, o qual, inquestionavelmente, irá operando em sua vida as mudanças mais notáveis que jamais pôde imaginar.

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