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Dia do Orgulho LGBT: data marca visibilidade e representatividade

28 Junho 2020

Hoje, 28 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais,

travestis, transexuais, transgênero, queer, intersexual, assexual e demais orientações sexuais, identidades e expressões de gênero). Uma data que lembra muitas conquistas, mas reforça que a luta continua.

No Piauí, a defensora dos direitos LGBT, professora e coordenadora do Grupo Matizes, Marinalva Santana, enfatiza que o dia 28 de junho é uma data ímpar para o calendário de lutas, e que ficou consagrada exatamente pela resistência histórica. Porém, ela comenta que os desafios são diários e que diversas questões ainda precisam ser combatidas, especialmente o ódio contra a comunidade LGBT.

Marinalva Santana, coordenadora do Grupo Matizes (Foto: Jailson Soares/ODIA)

“Para nós, é sempre um dia de luta e reflexão sobre os desafios que nos aguardam nesta conjuntura tão adversa, que não nos coloca alternativas para comemorar. Termos uma conjuntura de retrocesso e avanço do conservadorismo, mas isso não nos esmorece e vamos continuar firme na luta. E a maior dificuldade é enfrentar esse avanço do conservadorismo, dessas ideias de inspiração fascista que escolhem LGBTs como alvo do ódio dessas pessoas, e por isso temos visto o aumento das manifestações de intolerância em nosso País.

Grax Medina, produtor audiovisual do Coletivo 086, o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+ não deveria ser comemorado apenas em uma única data. Ele comenta que a representatividade desta data é algo maior e passa pela premissa de se comemorar o ato de estar vivo.

Grax Medina, representante do Coletivo 086, durante entrevista cedida ao Jornal O Dia News sobre o Transdoc

“Eu me sinto orgulho da pessoa que eu sou, da minha vida, da minha felicidade, todos os dias. Porém, na sociedade atual que vivemos, é preciso marcar uma data comemorativa para relembrar à sociedade que as pessoas LGBTs existem, que existimos desde sempre e vamos continuar existindo. Para mim, essa data representa visibilidade e representatividade, pois podemos ocupar qualquer espaço que quisermos”, conta.

Medina pontua que o Brasil é o País que mais mata pessoas LGBT na América Latina, sendo o País que mais mata pessoas travestis e trans. Em contrapartida, o Brasil é o que mais consome pronografia de travesti. “Não estamos comemorando o orgulho de ser LGBT ou trans, estou comemorando estar vivo, feliz comigo mesmo, que eu consigo viver minha vida mesmo enfrentando várias coisas”, cita.

Mesmo com algumas conquistas já alcançadas, a comunidade LGBT ainda tem muito pelo que lutar em diferentes áreas. “Não temos acesso completo à saúde, trabalho, educação, como qualquer outra pessoa não LGBT, a direitos, a ter nosso nome respeitado, nossa identidade, nossa sexualidade, que ainda é vista com tabu e fetiche. Eu acredito que ainda é necessário combater tudo isso, o preconceito, a desinformação, além da homofobia e todas as LGBTfobia. Para combater isso, precisamos mostrar para a sociedade, todos os dias, que estamos aqui”, pontua Grax Medina.

Grupos de apoio à comunidade LGBTQIA+ no Piauí

Fundado em 2002 em Teresina, o Grupo Matizes atua na defesa dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, visando à implementação de políticas públicas de suporte e proteção das minorias, com foco na diversidade sexual. Além de receber, encaminhar e acompanhar denúncias de violações dos direitos humanos, o Grupo Matizes desenvolve atividades de formação e educação em saúde, direitos humanos, auto-estima do segmento LGBT, promovendo anualmente a Semana do Orgulho de Ser e a Parada da Diversidade.

“Nós do Matizes ainda não sentamos para conversar, mas é muito improvável que a Parada da Diversidade aconteça este ano, diante do contexto da pandemia. Antes de começar a quarentena estávamos nos articulando para realizar a Parada no último domingo de agosto, mas obviamente que nesse contexto a data está prejudicada. Vamos avaliar se ainda há condições de colocar a data mais para frente”, conta Marinalva Santana, coordenadora do Grupo Matizes.

Das atividades de advocacy do Grupo, resultaram a criação da Delegacia Especializada de Proteção aos Direitos Humanos e Combate à Discriminação, do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Discriminação na Defensoria Pública do Estado; do Disque Cidadania Homossexual em Teresina, além da Lei Municipal nº 3.401/2005, que reconhece, para efeitos previdenciários, as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, e da Lei Estadual nº 5431/2004, que estabelece sanções administrativas para discriminação em razão de orientação sexual.

(Foto: Arquivo/ODIA)

Assim como o Grupo Matizes, o Coletivo 086 surge da necessidade de dar visibilidade às minorias marginalizadas, com destaque para as pessoas LGTBQI+, e faz isso a partir de produções de materiais audiovisuais, debates, ações de fortalecimento do ativismo trans ocupando espaços públicos de forma ativa.

E foi participando da organização do Coletivo 086 que Grax Medina começou a planejar produções audiovisuais com o foco na representatividade LGBTQIA+. O Transdoc é um marco memorável, pois, é a primeira produção do Coletivo 086. A partir dela, Grax Medina passou a compreender a importância de compartilhar histórias de pessoas LGBTQIA+ como uma ferramenta de representatividade. Além disso, o Transdoc permitiu que as histórias de pessoas trans fossem contadas a partir da sua própria perspectiva.

28 de junho

A data é celebrada mundialmente e marca o ocorrido em 1969, na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. No dia 28 de junho, a polícia invadiu o bar gay Stonewall Inn, até hoje um local frequentado por gays, lésbicas e trans, e prendeu diversos clientes alegando “conduta imoral”. As batidas policiais eram frequentes, muitas vezes com demonstração de brutalidade e abuso de autoridade e tinha como objetivo coagir a comunidade LGBT.

Apesar de ter sido uma situação violenta, deu à comunidade, até então underground, o primeiro sentido de orgulho comum em um incidente muito publicitado. O levante contra a perseguição da polícia às pessoas LGBT durou mais duas noites e, no ano seguinte, resultou na organização na 1ª parada do orgulho LGBT, realizada no dia 1° de julho de 1970, para lembrar o episódio. Hoje, as Paradas do Orgulho LGBT acontecem em quase todos os países do mundo e em muitas cidades do Brasil ao longo do ano. Em 2019, na Parada da Diversidade realizada em Teresina, mais de 100 mil pessoas participaram do evento.

Contudo, a perseguição, discriminação e as violências contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero não acabou. Em 38 países da África, por exemplo, a homossexualidade é criminalizada por lei, e ao longo da última década houve diversas tentativas de tornar estas leis ainda mais severas.

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Por: Isabela Lopes

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