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No Piauí, somente 31% de microempresas conseguiram crédito

03 Julho 2020

Segundo um levantamento feito pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a pandemia

do coronavírus tem afetado o dia a dia e as finanças dos pequenos negócios, com isso, 39% dos pequenos negócios do Brasil e 37% do Piauí precisaram recorrer a crédito para se manter no mercado. Isso significa um total de quase 6,7 milhões de empresas no país e 60 mil empreendimentos no Estado buscando socorro financeiro junto aos bancos.

O levantamento revela que, dos 6,7 milhões de empreendedores de pequeno porte que tentaram empréstimos junto às instituições financeiras, pouco mais de um milhão efetivamente obteve êxito no processo. No Piauí, dos 60 mil pedidos, apenas 18,6 mil foram atendidos. A pesquisa, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi realizada entre os dias 29 de maio e 02 de junho, tendo 7.703 respondentes em todo o país, dos quais 72 entrevistados são do Piauí, entre Microempreendedores Individuais (MEI) e proprietários de microempresas e de empresas de pequeno porte.

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O Sebrae, em nível nacional, está atento a essa situação e tem dialogado com governos e instituições financeiras para facilitar o acesso ao crédito por parte dos pequenos negócios, tratando ainda da redução das taxas de juros. O Fampe e o Pronampe são exemplos de medidas adotadas pelo governo e operadas pelos agentes financeiros com o intuito de dar fôlego aos MEI e às micro e pequenas empresas.

Mário Lacerda, superintendente do Sebrae no Piauí (Foto: Arquivo/ODIA)

Além desses dois programas, existem outras linhas de crédito disponíveis no mercado. Mas é preciso que essas linhas sejam operadas com taxas extremamente vantajosas, para não inviabilizar a tomada de empréstimo e o retorno da produção”, afirma o diretor superintendente do Sebrae no Piauí, Mário Lacerda.

Ainda segundo Lacerda, o Sebrae não opera com financiamentos. A instituição apenas orienta os empreendedores para a tomada segura e eficiente de crédito junto aos bancos e agências de fomento. “A nossa preocupação é que os empresários tenham o máximo de conhecimento e informação para que o crédito não venha a se tornar um problema futuro”, explica.

De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, nos países desenvolvidos existem políticas de crédito a juros zero para os pequenos negócios, o que não ocorre no Brasil. “No nosso país, o crédito continua caro e burocrático. De cada sete pequenos negócios que buscam empréstimo em banco, só um consegue. E em tempos de pandemia, a prioridade deveria ser manter os pequenos negócios vivos, já que eles representam 99% dos empreendimentos do país e respondem pela maior parte dos empregos com carteira assinada. Se não houver socorro às empresas que precisam de crédito, não sairemos dessa crise tão cedo”, pontua.

Das empresas piauienses que buscaram empréstimo e tiveram o pedido negado, 41% dizem que a recusa do banco foi justificada pelo score baixo, que seria uma espécie de análise da capacidade de pagamento da dívida. O mesmo percentual de entrevistados disse não saber o motivo da recusa, enquanto 12% afirmaram que o motivo foi CPF negativado e 6% informaram que o banco não esclareceu a razão.

Além de confirmar a dificuldade de acesso a crédito, a pesquisa atual mostrou também um crescimento do número de empresas com dívidas/empréstimos em atraso, quando comparada com o levantamento realizado no início de maio. Em todo o país, saltou de 33% para 41% o percentual de empreendimentos nessa situação. No Piauí, o aumento foi menor, variando em apenas dois pontos percentuais, de 41% para 43%.

Receitas das empresas cai 95% no Piauí

A pesquisa do Sebrae e da FGV revela ainda outros dados sobre o cenário dos pequenos negócios nessa fase de pandemia. Desde que iniciaram as medidas de isolamento social, a redução no faturamento afetou 87% dos pequenos negócios em funcionamento no país. No Piauí, o impacto da Covid-19 foi mais acentuado, com uma diminuição de 95% das receitas das empresas.

Entretanto, melhorou o nível de faturamento. Numa sondagem, feita no início de abril, o resultado estava, em média, 75% abaixo do normal, considerando todos os entrevistados do país. No Piauí, era de 81%. Já essa última pesquisa, aponta que a redução do faturamento foi em média 62% no Brasil e 64% no Piauí.

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O levantamento aponta também que o WhatsApp é o principal canal de vendas online utilizado pelos pequenos negócios tanto em nível de Brasil como de Piauí, seguido pelo Instagram e pelo Facebook. 21% dos entrevistados no Estado dizem que passaram a vender online por causa da crise e outros 21% afirmam que pretendem adotar essa estratégia em breve. Apenas 3% não pretendem vender pela internet e 20% dizem não saber como aplicar as ferramentas digitais nos negócios.

E diante das dificuldades, o otimismo vai perdendo força entre os empreendedores. A expectativa de retorno à normalidade, na média dos entrevistados, passou de março para julho de 2021.

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Fonte: Com informações do Sebrae-PI
Por: Da redação

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