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HGV tem cinco dias para repor estoque de medicamentos da covid

03 Julho 2020

O juiz Anderson Nogueira, da 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública de

Teresina, acatou a ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual (MPPI) e deu um prazo de cinco dias para que o Hospital Getúlio Vargas (HGV) reponha o estoque de medicamentos e insumos em falta. Alguns deles são usados no tratamento de pacientes com covid-19.

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Além de dar um prazo para que essa reposição de insumos seja feita, a justiça determinou também que o HGV forneça com frequência informações atualizadas sobre o estoque de medicamento disponíveis em sua farmácia. A ação civil pública que levou à decisão foi impetrada pelo Grupo Regional de Promotorias de Justiça Integradas de Teresina – Eixo Saúde SUS, no dia 19 de junho.


HGV está com falta de medicamentos e insumos usados no tratamento da covid-19, diz MP - Foto: Governo do Piauí

O que o Ministério Público cobrava do HGV, da Secretaria de Saúde Estadual (Sesapi) e da Fundação Hospitalar do Piauí (FEPISERH) era a reposição do estoque da farmácia do hospital de modo a garantir um tratamento adequado aos pacientes que buscam atendimento na unidade, em especial, aqueles positivados para o coronavírus que se encontram em estado grave na UTI.

De acordo com o promotor Eny Marcos Pontes, a situação não é nova e já vinha desde antes da pandemia. No entanto, com o agravamento da crise sanitária, os problemas crônicos do sistema de saúde público foram trazidos à tona. “Como maior hospital do Piauí, o HGV foi considerado pela rede de covid-19 como uma das referências mais importantes. São 40 leitos de UTI que foram instalados para covid e 30 leitos clínicos. Por isso tem que haver um suporte maior de insumos”, explicou o representante do MPPI.

Na ação civil pública, o ente ministerial destacou a falta de medicamentos da classe dos sedativos e antibióticos que são usados na intubação de pacientes graves com covid-19. O promotor Eny Pontes ressaltou que são fármacos essenciais para diminuir o sofrimento do paciente durante o tratamento. “Ele já sofre com a doença e nesse procedimento, é indispensável esse tipo de medicamento”, finalizou o promotor.


Promotor Eny Marcos Pontes pede providências sobre a falta de medicamentos no HGV - Foto: O Dia

O que diz o HGV

Em conversa com o Portalodia.com, o diretor do Hospital Getúlio Vargas, o médico Gilberto Albuquerque, explicou que os remédios que mais faltam no estoque são os relaxantes musculares, usados na intubação dos pacientes em UTI. Para suprir a falta deste fármaco, os médicos estão aumentando a dosagem de outros remédios usados no tratamento, tais como analgésicos e sedativos.

O médico, no entanto, reconhece que não é um tratamento ideal. “Existem outras drogas que a gente usa quando o paciente está intubado. Quando não tem o relaxante muscular, a gente aumenta a dose dos outros [analgésico e sedativo], mas não é o ideal. O correto é que tenhamos os três remédios para cada paciente”, explica.


Gilberto Albuquerque, diretor do HGV, fala sobre a situação no hospital - Foto: O Dia

O diretor do HGV atribuiu a falta de medicamentos à dificuldade de se encontrar os fármacos no mercado. Segundo Gilberto Albuquerque, são remédios que estão em falta no Piauí, no Brasil como um todo, e no mundo. “Não está tendo matéria-prima é no país e no mundo inteiro. Nós estamos cientes da situação e estamos fazendo o que podemos, mas se não tem no mercado, claro que teremos dificuldade em repor. Estamos providenciando isso, mas temos que reconhecer as limitações que o atual momento impõe”, explicou o diretor do HGV.

No momento, o Hospital Getúlio Vargas está com 44 de seus 50 leitos de UTI ocupados com pacientes covid-19. Dos 30 leitos de enfermaria disponíveis para o tratamento da doença, apenas 12 ainda estão vagos.

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Por: Maria Clara Estrêla

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