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Acusado de matar transexual em São Borja é condenado a 24 anos de prisão

21 Janeiro 2020

Júri considerou que Douglas Gluszszak Rodrigues é culpado pela morte de Thalia Costa Barboza, em junho de 2018. Defesa deve entrar com recurso nesta quarta (22). Julgamento ocorreu
em São Borja Alfredo Pereira/RBS TV O ex-jogador de futebol Douglas Gluszszak Rodrigues, acusado de matar uma transexual em São Borja, na Fronteira Oeste, foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado na tarde desta terça-feira (21) por homicídio qualificado. Ele segue preso no presídio estadual da cidade. A defesa deve entrar com recurso nesta quarta-feira (22), quando começa a contar o prazo para apelação. Ao G1, o advogado do réu, Walter Paulo Prieb, contestou o tamanho da pena. "A pena é fora da realidade. É uma qualificadora só", afirma, referindo-se ao agravante de matar sem oferecer condições de defesa à vítima. O juiz Marco Antônio Preis, que assina a sentença, afirma que outras circunstâncias foram consideradas, como a "premeditação", o comportamento de Douglas após o crime, por não prestar socorro, mesmo que anonimamente, e por deixar o corpo desfalecido em um local ermo à beira do rio, "demonstrando desprezo à vida humana". Além disso, o magistrado destacou o fato de a vítima ser transexual e de o crime contra ela representar um atentado aos direitos humanos. "O direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou expressão de gênero, manifestação da personalidade da pessoa humana e, como tal, cabe ao Estado reconhecê-la, nunca constituí-la, sendo que a pessoa transgênero, independentemente de procedimentos cirúrgicos ou o registro público formal, há de ter este direito fundamental (...) reconhecido", diz, na decisão, o juiz Preis. Segundo a denúncia do Ministério Público, o réu teria causado a morte de Thalia Costa Barboza, de 33 anos, após agredi-la com chutes e golpes de garrafa, em junho de 2018. Ela teve hemorragia cerebral em decorrência de um traumatismo crânio-encefálico e morreu. Conforme a sentença de pronúncia, Douglas confirmou o fato em seu interrogatório, mas disse que não tinha a intenção de matar Thalia. Ele disse ainda que conheceu a vítima por meio de outro jogador de futebol, mas que nunca tiveram relação sexual. O réu disse ainda que era menor que Thalia e que ela "tentou forçá-lo a manter relação sexual, ao que a empurrou e disse que não queria". "Referiu que, ato contínuo, Thalia foi para cima do declarante, que desferiu um soco no rosto da vítima, que tornou a investida, oportunidade em que pegou uma garrafa vazia que estava no chão, com a qual desferiu um golpe na ofendida, que caiu. Sustentou que não sabia se Thalia morreu na hora em que recebeu o golpe, pois ficou assustado, pegou o carro e foi para casa. Negou ter chutado a vítima, referindo que machucou o pé treinando. Sustentou que estacionou o carro próximo ao apartamento, pegou os pertences de Thalia, descartou os documentos e ficou com o celular para apagar as fotos", diz a sentença de pronúncia. Família de Thalia pede justiça Arquivo pessoal O caso Douglas atuava pela Associação Esportiva São Borja, time que disputava a Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho na época. A polícia chegou até o atleta, natural de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por meio de câmeras de segurança. Os dois aparecem chegando juntos a um apartamento. Os documentos da vítima, além do carro dela, foram encontrados próximo à residência onde o suspeito morava, junto com outros colegas de equipe. A irmã da vítima, Mariane Costa Barboza, contou ao G1 na época que Thalia e Douglas eram um casal que estava junto há um mês. "Nós éramos muito próximas, ela me contava tudo. Muita injustiça o que foi feito com ela, ela não merecia isso. Pedimos justiça, pois esse monstro destruiu nossa família", afirmou Mariane, à época do crime. A irmã conta que conversou com Thalia um dia antes de corpo ter sido encontrado. Ela relatou que Douglas era carinhoso com a namorada, e nunca poderia imaginar que uma coisa dessas poderia acontecer. "Tenho áudios enviados por ela para mim, em que ele falava que amava ela e que não queria ficar sem ela. Uma pessoa que diz que ama outra não faz essa monstruosidade", afirma.

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