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Começa terceiro dia de júri de três réus acusados de matar adolescente em Charqueadas

22 Janeiro 2020

Jovem de 17 anos morreu após ser espancado na saída de uma festa, em agosto de 2015. Julgamento é retomado nesta terça (21) no fórum de Charqueadas Divulgação/TJ RS O
julgamento popular de três dos nove réus acusados de matar o adolescente Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, em Charqueadas, Região Metropolitana de Porto Alegre, foi retomado na manhã desta quarta-feira (22). O júri, que começou na segunda (20), está na fase de debates entre acusação e defesas, e deve terminar ainda nesta quarta. O jovem de 17 anos morreu após ser espancado na saída de uma festa, em agosto de 2015. Os réus Peterson Patric Silveira Oliveira, Vinícius Adonai Carvalho da Silva e Leonardo Macedo Cunha respondem por homicídio qualificado (por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa), associação criminosa e corrupção de menores. São acusados também por outras três tentativas de homicídio qualificado, já que agrediram, também, o pai da vítima, Ronei Wilson Faleiro, e um casal de amigos. No primeiro dia, os pais de Ronei e as primeiras testemunhas prestaram depoimento. Na terça-feira (21), outras testemunhas foram ouvidas, tanto de defesa quanto de acusação, além dos três réus. O primeiro réu a depor foi Leonardo Cunha, que relatou a agressão que cometeu contra o pai de Ronei Jr, conforme o réu, para proteger um amigo. "Dei uma voadeira nele. Ele caiu e eu caí". O pai estaria com uma garrafa na mão, na versão de Leonardo. O réu negou conhecer o "bonde da aba reta", e disse também que não conhecia a vítima. O segundo a responder aos questionamentos da promotoria foi Peterson Oliveira. Ele admitiu que golpeou Ronei Jr com a garrafa duas ou três vezes. "Foi uma fatalidade, acertei a pessoa errada. Não tinha nada contra ele", acrescenta, lembrando que queria proteger um amigo e que a rixa era com o adolescente que estava com Ronei. Peterson disse ainda que, na noite do crime, bebeu cerveja, vodca e consumiu drogas. Ele citou que, de um a 10, seu nível de embriaguez seria de "nove". "Nem conseguia falar direito", afirmou. O terceiro réu, Vinicius Silva, disse que viu a confusão e foi atingido por uma garrafa quando se aproximou do veículo, mas não agrediu ninguém. "Foi algo que aconteceu, mas acho que ninguém queria matar alguém. Peço desculpas pelo que aconteceu." No segundo dia, um segurança do mercado ao lado do clube onde o crime ocorreu também prestou depoimento. Ele presenciou a briga e viu quando o pai da vítima tentou afastar os agressores. Questionado por um dos advogados de defesa, Celomar Cardozo, sobre se ele reconhecia um dos três réus que estão no plenário, como um dos agressores, o homem explicou que, no ângulo em que presenciou a cena, não tinha como identificá-los. Primeiro dia de júri Pai de Ronei foi o primeiro a ser ouvido durante o júri, que iniciou nesta segunda-feira (20) Divulgação/TJ RS Na segunda-feira (22), o pai da vítima, o engenheiro Ronei Faleiro, narrou os fatos do dia do crime. "Não era uma briga. Era um ataque, pelo número de pessoas", afirmou durante o júri. "Era um filho que nunca deu trabalho, que queria fazer uma faculdade", conta o pai ao também afirmar que nunca ele se envolveu em uma briga. "Nossa rotina era toda em torno dele", recordou. O jovem agredido, Richard Saraiva, também falou ao júri. Segundo o jovem, ele foi avisado por um segurança do clube de que havia um grupo querendo bater nele, e que Ronei ofereceu ajuda ao casal. "A gente desceu, e eles se botaram", descreveu. Ele não conhecia nenhum dos três réus, conforme afirmou no Tribunal. Richard contou ter presenciado a agressão e acompanhado a vítima até o hospital. "Ele vomitou, deitou na maca e apagou", relata. O jovem relatou ainda que se sente ameaçado e que até hoje prefere não sair de casa. Júri em duas partes Outros seis réus que respondem pelos mesmos crimes serão julgados em outras duas datas. Alisson Barbosa Cavalheiro, Volnei Pereira de Araújo e Geovani Silva de Souza serão julgados a partir de 13 de abril, e Jhonata Paulino da Silva Hammes, Matheus Simão Alves e Cristian Silveira Sampaio em 27 de abril. Todos tinham na época do crime entre 18 e 21 anos. Os nove réus permanecessem presos (um deles em prisão domiciliar, os demais em preventiva) até seus julgamentos. O júri popular, marcado inicialmente para novembro, foi dividido em três julgamentos diferentes a pedido da defesa. Há um décimo adulto acusado de envolvimento nos crimes. Ele foi denunciado depois dos demais e seu caso é apurado em outro processo. Ele já foi pronunciado e deve ir a júri, ainda sem data marcada. O MP apontou, ainda, a participação de sete menores de idade no crime. Quatro deles receberam medida socioeducativa de internação por três anos, prazo máximo estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os outros três foram absolvidos. Relembre o caso Ronei, morto a garrafadas em Charqueadas Reprodução/Facebook Na madrugada de sábado (1º de agosto), Ronei Júnior estava em uma festa, no Clube Tirandentes. Testemunhas relataram que, durante a festa, um amigo da vítima havia sido ameaçado de morte pelo grupo autodenominado Bonde da Aba Reta. Na saída da festa, ele ofereceu carona para o amigo e a namorada. Porém, os três foram abordados pelos agressores. Ronei Júnior foi agredido por chutes, socos e golpeado com os cacos de vidro de garrafas. O pai do jovem, que chegou ao local para buscá-lo, também acabou agredido. Ele socorreu e levou o filho até o Hospital de Charqueadas. O adolescente chegou a ser encaminhado para o Hospital Santo Antônio, em Porto Alegre, mas não sobreviveu a um traumatismo craniano. O Ministério Público pediu a prisão preventiva de oito adultos e a internação provisória de seis adolescentes pela morte do jovem. Eles foram detidos preventivamente três dias após o crime. Naquela semana, moradores de Charqueadas viajaram para a capital para protestar e pedir mais segurança em frente à Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Os charqueadenses ainda fizeram uma manifestação na cidade para pedir justiça pelo caso. Ao todo, 15 envolvidos foram presos ou apreendidos, sendo nove adultos e seis adolescentes, com idades entre 15 e 21 anos. O inquérito concluiu que o crime foi motivado por uma disputa entre o grupo e outro formado por moradores de São Jerônimo, cidade próxima. Segundo a polícia, os suspeitos não demonstraram remorso e se vangloriaram em um aplicativo de celular. O engenheiro Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, pai da vítima, reconheceu alguns dos agressores como amigos de infância do filho. "Eram pessoas que conviveram com meu filho em alguns momentos, alguns frequentando a minha casa, em aniversários. Há pessoas que eu não conheço, mas entre os jovens tem pessoas conhecidas. Isso ratifica que vivemos em uma sociedade falida", comentou, à época. Pai de jovem morto em Charqueadas, RS, lamenta morte do filho

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