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Excesso de informações sobre Covid-19 na saúde mental de idosos é tema de estudo da UFRGS

05 Agosto 2020

Pesquisa vai analisar dados de 3.330 entrevistados, sendo 390 de Porto Alegre. Para especialistas, é importante que as pessoas busquem boas atividades para período de distanciamento social. UFRGS participa
de estudo sobre como o excesso de informações sobre Covid-19 está impactando a saúde mental de idosos Ramon Moser / Divulgação Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participam de um estudo que tenta descobrir como o excesso de informações sobre a Covid-19 impacta na saúde mental dos idosos. Serão analisados os dados de 3.330 entrevistados, sendo 390 de Porto Alegre. O questionário pode ser respondido por pessoas que tenham mais de 60 anos e morem na Capital. “Trata-se de uma pesquisa em que os idosos vão responder a instrumentos validados no Brasil sobre estresse e depressão”, afirma o professor Alexandre Fávero Bulgarelli, um dos coordenadores do estudo. Os idosos fazem parte de um dos grupos de risco do coronavírus, no entanto, segundo os pesquisadores, é preciso que as informações não causem pânico em quem está na terceira idade. "Não temos ainda informações sobre como eles têm acesso a tais notícias, teremos após a pesquisa, mas, talvez, o impacto das notícias no grupo seja maior, pois temos muitas reportagens sobre morte de idosos, muitos idosos em instituições de longa permanência contaminados, além de algumas pessoas divulgarem que, caso tenha que haver escolhas, provavelmente, os mais jovens seriam escolhidos para os tratamentos, uso de respiradores, etc. O que se vê atualmente, contudo, é que muitos jovens estão sendo contaminados e muitos idosos têm se recuperado, e isto deve ser levado em consideração", explica a professora Maira Rozenfeld Olchik. A pesquisa é coordenada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Estão sendo entrevistados idosos em Divinópolis e Viçosa (Minas Gerais), em Porto Alegre (RS), no Rio de Janeiro e Niterói (RJ), em São Paulo e Ribeirão Preto (SP), e em Brasília (DF). Estão previstas também coletas de dados fora do Brasil, como em Portugal (Lisboa), Espanha (Madri e Barcelona), Itália (Roma) e Chile (Concepción). A proposta geral é analisar a relação entre a quantidade massiva de informações sobre o coronavírus e as repercussões na saúde mental. O estudo apura também como é o acesso do público às informações que são transmitidas por televisão, rádio, sites da internet e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. Participam do estudo Alexandre Fávero Bulgarelli, um dos coordenadores da pesquisa, as professoras Maira Rozenfeld Olchik e Adriane Ribeiro Teixeira, coordenadoras da Universidade Aberta para Pessoas Idosas (Unapi/UFRGS), e a professora Camila Mello dos Santos, diretora do Centro de Pesquisa em Odontologia Social. Segundo Maira, o objetivo é construir, na terceira fase do estudo, um Consenso de Estratégias de Enfrentamento da Infodemia (excesso de informações) em idosos. Além disso, se pretende divulgar os dados, para que sejam conhecidos os efeitos da quantidade massiva de notícias. "Na Universidade Aberta para Pessoas Idosas temos trabalhado com palestras mensais, além das atividades semanais, e a ênfase tem sido, não na questão do excesso de informações, mas, sim, a importância da informação de qualidade, como cada um interpreta as informações e o momento em que recebe essas informações". Os dados começaram a ser coletados, em Porto Alegre, no dia 15 de julho. O link da pesquisa vai ficar disponível até que se consiga 390 respostas. É preciso ter equilíbrio Uma sugestão das professoras Maira e Adriane é que os idosos procurem se informar de forma equilibrada. "Ficar o dia inteiro buscando informações ou lendo mensagens que vem em grupos ou em redes sociais não é o mais indicado. Além disso, é importante verificar se as informações são de fontes confiáveis ou se são fake news. É importante ter informações sobre o tema, especialmente com relação à prevenção, sintomas, busca de atendimento. Mas não é saudável, para qualquer pessoa, não só os idosos, passar o dia inteiro buscando ou recebendo e lendo informações sobre a pandemia", relata Maira. Outra dica das profissionais é buscar boas atividades para este período de distanciamento social: ver bons filmes, ler livros, ouvir música, e manter contato, à distância, com os amigos e familiares. "Na Universidade Aberta para Pessoas Idosas (UNAPI/UFRGS) temos mais de 100 idosos envolvidos em várias atividades online, desde grupos que estão confeccionando máscaras e roupas para doação a grupos de leitura, música, atividade física, discussão de filmes, entre outros. Além disso, temos palestras abertas a comunidade, sempre na primeira segunda-feira do mês, transmitidas, ao vivo, pelo Facebook da Unapi", relata a professora. Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19 Initial plugin text
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