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Cachorro morre e mulher fica ferida por mordidas de capivaras em Balneário Camboriú

23 Janeiro 2020

Caso ocorreu domingo quando jovem passeava com dois cães na área verde de edifício. Um dos cachorros ficou internado e morreu na terça-feira. Marcella tem 25 anos e
há 12 convivia com Pitu Maria Beatriz Rebello Cozer/Arquivo pessoal O cãozinho Pitu, o filhote dele, Freddy, e a tutora Marcella Rebello Cozer foram surpreendidos enquanto passeavam na área verde do edifício onde moram em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, no fim da tarde de domingo (19). Pitu foi mordido por capivaras. Marcella, de 25 anos, tentou defendê-lo e acabou também ferida. O cãozinho foi encaminhado a um hospital veterinário, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (21) após uma parada cardiorrespiratória. A tutora levou 23 pontos. “Tem uma área comum no prédio e a gente sempre ia lá, eu o Pitu e o Freddy. Nesse dia, levei o Freddy na guia e o Pitu no colo. Soltei e ele saiu correndo. Enquanto eu soltava a porta, ouvi um rosnar. Era o Pitu e uma capivara. Foi rápido, uma foi em cima dele e depois vi que eram umas cinco capivaras. Eu fui para cima tirar”, conta Marcela, que também sofreu ferimentos. A área verde fica atrás do prédio, próximo a um rio no Centro da cidade. “Duas me morderam e mais duas no Pitu. E eu vendo ele sofrer, chorar, enfiei a mão na boca de uma das capivaras para ela soltar o cachorro. Tudo que eu tinha no alcance, vaso, tudo toquei nelas, a gente age por instinto”, relembra. Ferida, ela saiu com o maltês no colo e entregou para a sua mãe para que o levasse para um hospital veterinário. As capivaras fugiram. “Nem percebi que eu estava ferida, não senti na hora. Meu pai viu e fui para o hospital”, conta. Ela levou 20 pontos na coxa e três na canela por causa das mordidas. Marcella ainda sofreu arranhões e precisou tomar vacina antirrábica. Pitu morreu após ser mordido por capivaras em Balneário Camboriú Marcella Rebello Cozer/Arquivo pessoaç Pitu ficou ferido por mordidas e também levou pontos. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória. "O Pitu teve atendimento imediato, fez cirurgia torácica e realizou suturas em várias mordidas, porém não suportou, veio a óbito na terça-feira às 15h", explica Maria Beatriz Rebello Cozer, mãe de Marcella. "Após todo o trauma, agora minha filha Marcella está bem. A culpa e a revolta ainda assediam seu coração, mas este anjo de quatro patas Freddy, filhote do Pitu, está acalentado o coração dela, na verdade o nosso", disse Maria. "Ele ia fazer 12 anos em 31 de janeiro. Estamos vivendo um luto, perdemos alguém da família", diz Marcella, emocionada. Marcela, a mãe Maria, o irmão e o pai, além dos cães Pitu e Freddy no Natal de 2017 Marcella Rebello Cozer/Arquivo pessoal Área verde fica próxima a rio A área onde ocorreu o incidente fica próxima a um rio e não há cercas que impeçam o acesso de animais à área do prédio, segundo a moradora. Além de Pitu, do filhote Freddy e Marcella, vivem com a jovem os pais e o irmão dela. “Tive muitos sentimentos, até da talvez minha falta de atenção, mas hoje vejo que não tinha como eu saber. Já tinham visto uma capivara ali naquela área e ninguém do prédio falou nada. É uma revolta que tenho. E é uma área que vão crianças. Negligência do prédio e também por parte da prefeitura. Esperaram uma pessoa ser atacada, um animal morrer para talvez fazerem alguma coisa”, afirma Marcella, que cresceu em companhia do cãozinho. Marcella ficou ferida nas pernas após ser mordida por capivaras Maria Beatriz Rebello Cozer/Arquivo pessoal O G1 procurou o síndico do prédio para saber se os moradores estudam colocar alguma proteção na área ou tomar alguma medida, mas não obteve retorno. A Prefeitura de Balneário Camboriú soube do caso na tarde de quarta-feira (22) e trata o fato como isolado. “A capivara é um animal silvestre, as pessoas precisam ter noção de que elas não podem chegar perto do animal e infelizmente, nesse caso, o cachorrinho estava solto e foi em direção ao animal. Não existe nenhuma política pública, uma vez que são casos isolados”, explica Maria Heloisa Furtado Lenzi, secretária de Meio Ambiente da cidade. Perda de habitat pode levar capivaras para áreas urbanas A perda de locais considerados habitat natural das capivaras contribui para que elas cheguem a áreas urbanas. Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), esses ambientes seriam principalmente lagoas, rios, banhados e manguezais. Ainda de acordo com o IMA, outro fator que afeta no aumento do número desses animais é a diminuição dos predadores naturais, como jacarés, gatos-do-mato e cachorros selvagens. "São animais silvestres. Provavelmente por falta de predador e por de redução do habitat, elas têm utilizado áreas urbanas. Isso é conhecido em várias cidades de Santa Catarina, como é o caso de Itajaí, na [Avenida] Beira-Rio, em Blumenau elas chegam até a ser encontradas na piscina das casas", completa a secretária municipal de Meio Ambiente. Em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, um cachorro chegou ser perseguido por uma capivara, mas o cãozinho ficou bem. IMA deve discutir situação Com a repercussão de incidentes envolvendo capivaras, especialmente no Vale do Itajaí e Litoral Norte do estado, o IMA informou, através de assessoria de imprensa, que este ano "deve discutir a situação das capivaras junto com outras instituições, inclusive órgãos municipais e a iniciativa privada". Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC), a população deve evitar contato com esses animais e, em casos de acidentes com capivaras, deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e tomar vacina antirrábica. "Esses animais são, na grande maioria das vezes, pacíficos"', afirmou a secretária. Veja outras notícias do estado no G1 SC

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