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Três em cada dez objetos perdidos no Metrô de SP voltam aos donos

24 Janeiro 2020
Todos objetos são catalogados e ficam por 60 dias na Central da Sé Joyce Ribeiro / R7

Você já esqueceu alguma coisa nas estações do Metrô de São Paulo? A Central de Achados e Perdidos, que fica na estação Sé, no centro, reúne itens no mínimo curiosos: uma prótese de perna, dentadura, aparelho de som, espada, pares de sapatos, celulares, carteiras e milhares de cartões. Só em 2019, foram recolhidos 103.210 itens, um aumento de 13% em relação a 2018.  Desse total, 24.787 objetos foram devolvidos aos donos, cerca de 24%. Uma média de 3 a cada 10 que foram catalogados no sistema.

"A nossa satisfação é conseguir devolver aos donos. Por isso a equipe faz um verdadeiro trabalho de investigação para tentar chegar até o proprietário. Vão daqui para o CSI (série americana de TV sobre investigação)", brincou o supervisor operacional da Sé, Marcelo Carvalho. 

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Qualquer pista que leve à localização do dono é bem-vinda. Carvalho relatou como o trabalho funciona: "se tiver uma dica, tipo o cartão de um clube, a gente liga lá para informar que o cartão está na central. Se for bilhete único, a gente avisa na escola. O importante é devolver o máximo possível".

Mas o que não chega ao dono em até 60 dias, também não é desperdiçado. Roupas, acessórios, sapatos e valores vão para o Fundo Social de São Paulo e serão doados. O supervisor da Sé explica que "passado o prazo, é feita uma triagem em todos os itens. Até o dinheiro recolhido será depositado numa conta do fundo de solidariedade".

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Mara Shirlei cadastra os itens que estão no malote
Mara Shirlei cadastra os itens que estão no malote Joyce Ribeiro / R7

Triagem

Assim que chega às mãos de um funcionário, o objeto localizado é cadastrado no sistema ainda na própria estação e numerado. Depois de uma semana sem que alguém tenha procurado, ele vai via malote para a Central na Sé. Sob o olhar vigilante das câmeras, os itens são confirmados no sistema em duas conferências e catalogados. 

Nesta quarta-feira (22), o R7 acompanhou a contagem de itens de um malote vindo da estação Brigadeiro da linha 2-Verde. Tinham cartões, óculos de sol, garrafa de água, bilhete único, celular, carteiras com documentos e dinheiro, até dólar. Doze funcionários trabalham divididos em dois turnos na Central.

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A operadora de transporte metroviário, Mara Shirlei, está há 5 meses na central, mas tem 30 anos na empresa. Ela conta que, para retirar o objeto, é preciso informar o maior número possível de informações, como características, marca, cor, data, onde sumiu e, se possível, levar até nota fiscal.

"Se tiver identificação com nome e telefone, a gente tenta chegar até o proprietário e agenda a retirada. Para retirar, é preciso descrever o objeto, a gente não mostra nada. Quando tem senha de bloqueio, a pessoa tem que desbloquear e ainda relatar uma foto ou contato telefônico para certificar que o aparelho é mesmo dela", disse a funcionária.

Oportunistas, às vezes, aparecem na Central, mas a desculpa não costuma colar: "tem gente que aparece aqui para tentar dar golpe, mas a gente percebe que não é dele o objeto por não saber as características do item. Com jeitinho, ele sai, mas teve um que acusou a gente de roubar o celular", revelou Mara.

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Todos os objetos recolhidos nas estações das linhas 1, 2, 3, 4 e 15 do Metrô são encaminhados para a Sé e permanecem no local para devolução por 60 dias. Apenas a linha 5-Lilás tem uma central própria. Os itens ficam em uma sala por 2 meses e são separados por categoria.

No local, funciona também um museu com relíquias encontradas, como espadas, instrumentos musicais, máquinas de escrever, discos de vinil, capacetes e até um sombrero mexicano. 

Os documentos e cartões que não retirados na central são destinados aos respectivos órgãos emissores. Os livros que estão em bom estado de conservação passam a compor o acervo do projeto "Achados na leitura", que são estantes itinerantes para retirada de livros por passageiros gratuitamente. Remédios vão para um posto de saúde e o que é perecível ou não pode ter nenhum encaminhamento é descartado.

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Central funciona na estação Sé do metrô de 2ª a 6ª das 7h às 20h, exceto feriados
Central funciona na estação Sé do metrô de 2ª a 6ª das 7h às 20h, exceto feriados Joyce Ribeiro / R7

Ranking das estações

As estações Palmeiras/Barra Funda, Jabaquara, Sé, Corinthians/Itaquera, República, Tucuruvi, São Bento, Trianon-Masp e Santana são as que registram o maior número de objetos perdidos no ano passado. 

Itens mais recebidos na Central em 2019:
1º Cartões diversos (bancários, escolares, agremiações, etc.): 23.316
2º Bilhete único SPTrans: 17.596
3º Documentos (RG): 10.027 e (CNH): 3.000
4º Carteiras: 4.390
5º Bilhete BOM: 2.657
6º Dinheiro (independentemente do valor): 2.475
7º Chaves: 1.696
8º Blusas/casacos/jaqueta: 1.621
9º Celular: 1.478
10º óculos de grau: 1.352

As consultas de objetos identificados e documentos podem ser feitas pessoalmente, na Central de Achados e Perdidos, na estação Sé, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 7 às 20h. Outra opção é a Central de Informações do Metrô, pelo telefone 0800-770 7722 ou ainda pelo site (www.metro.sp.gov.br). Já a consulta de objetos não identificados só poderá ser feita presencialmente na Central de Achados e Perdidos.

Os itens só serão devolvidos ao proprietário após apresentação de documento de identificação. Parentes em primeiro grau também podem fazer a retirada após comprovarem o parentesco.

O Metrô garante que na Central não há produtos apreendidos nos vagões ou plataformas. Nestes casos, a mercadoria é enviada para a subprefeitura e pode ser retirada mediante pagamento do imposto devido. Um boletim de ocorrência é também registrado.

Veja itens curiosos deixados para trás pelos usuários nas estações:


Em breve novidade aqui!!!

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