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História de São Paulo explica crises com chuvas e enchentes na cidade

16 Fevereiro 2020
Cidade cresceu com processos que envolvem a impermeabilização do solo Arquivo/Estadão Conteúdo

A inundação que resultou na perda de sete mil toneladas de alimentos da Ceagesp, o contato das pessoas com as águas contaminadas, sobretudo crianças, e inúmeras famílias desabrigadas – tudo isso em menos de uma semana – evidenciam a crise que afeta São Paulo ano a ano. Um problema que, se inicialmente era estrutural, torna-se de saúde, social e até econômico. Entre soluções que não impedem os estragos e o aumento no volume das chuvas, especialistas em urbanismo explicaram ao R7 que o problema se repete a cada verão por razões históricas.

Para Angélica Benatti, diretora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, é necessário “entender São Paulo a partir do processo histórico de organização da cidade”. A capital paulista, prossegue Benatti, cresceu com processos que envolvem a impermeabilização do solo.

Professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), Angelo Filardo aponta falhas na expansão pela cidade: “As áreas inundadas [após a segunda-feira] são planícies de inundação natural. O problema é antigo: a cidade não devia ter ocupado esses locais. Uma área como essa sempre passará por inundação. O que se pode, hoje, é diminuir a frequência com que isso acontece”.

Desde o século 19, como relatam os professores, a cidade viveu seu desenvolvimento urbano com a construção de prédios e avenidas em áreas de cerca de 300 rios e córregos, hoje abaixo das obras de concreto.

De acordo com a professora, o processo de construção de vias sobre o leito dos rios fez com que São Paulo tivesse uma área no centro expandido – e também algumas distantes do centro – com forte impermeabilização. “É um desenvolvimento que via na urbanização excessiva o modelo possível. E há muito tempo vemos os efeitos reversos”, pondera Benatti.

Filardo recorda que o padrão de solo impermeabilizado se deu por uma grande população que se concentrou em uma bacia hidrográfica pequena. “Não tendo vegetação que amorteça a água, aumenta a quantidade e a velocidade da água que chega aos rios da cidade. Essas áreas foram ocupadas como se não fossem inundáveis”, diz ele, que alerta: “Como é um problema construído ao longo de muitos anos, também demorará muito para ter uma solução”.

Apesar de se alinharem a respeito das questões históricas da urbanização paulistana, Filardo e Benatti não têm opinião tão próxima a respeito das soluções possíveis. Enquanto Angelo aponta que a cidade precisa concluir as obras de piscinões ao longo de sua bacia, Angélica diz que o poder público precisa buscar aliar as técnicas de engenharia, como os reservatórios de concreto, a medidas não-estruturais, com implantação de áreas verdes e permeáveis. “Precisamos de políticas de planejamento ambiental”, defende.

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