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Salas de estar de casas em Aracaju viram estúdios de revistas em quadrinhos

14 Dezembro 2019

Produtores sergipanos usam a criatividade para ganhar espaço no mercado editorial. Salas de estar de casas em Aracaju viram estúdios de revistas em quadrinhos A sala de estar medindo
cerca de cinco metros quadrados de uma casa localizada em um vila no Bairro Aeroporto, Zona Sul de Aracaju, em nada lembra a pujança dos grandes estúdios de quadrinhos da norte americana ‘Marvel’ ou da brasileira ‘Maurício de Sousa Produções’. Ao invés de telas de exposição, os desenhos são exibidos diretamente na parede causando admiração nos que chegam à residência. É neste espaço que o designer gráfico Edson Masakiro passa horas debruçado na produção dos quadrinhos no estilo japonês, os mangás. Uma arte, que o sergipano buscou inspiração nos grandes nomes da modalidade para desenvolver o trabalho aprimorado ao longo dos anos. “Meu primeiro contato com a cultura japonesa foi no ano de 2001. E aí me apaixonei pela arte e logo comecei a fazer os desenhos. Já trabalhei em uma gráfica, mas deixei tudo para me dedicar a essa produção, que me realiza”, conta Masakiro. Edson Masakiro no estúdio improvisado Anderson Barbosa/G1 Edson é quem pensa tudo [roteiro, arte e digitalização do material] antes de seguir para uma gráfica no estado de São Paulo, onde os quadrinhos são impressos. O mangá mais conhecido do quadrinista foi criado no ano de 2012 e se trata de ‘Tropicária’, uma ilha paradisíaca cercada de mistérios com os antepassados e os atuais moradores, que tem Hokui como protagonista da história, sendo o responsável por desvendar os mistérios por trás do enigma da própria origem. Edson Masakiro, quadrinista Anderson Barbosa/G1 “Criado pelo pescador Kunanuscada, um grande mentiroso local, mesmo ainda sem saber de tudo que o liga a ilha, Hokui protege o lar que ama. Junto com seus amigos Míron e Suy, Hokui acabará por enfrentar a ‘Ordem Abrahadabra’, uma poderosa organização criminosa, caçadora de artefatos místicos, sempre em busca de poder para realizar seus planos obscuros”, conta Masakiro. 'Tropicária' está na quarta edição Anderson Barbosa/G1 A história mescla cultura nipônica com elementos brasileiros, ação e muita comédia. "Ele envolve coisas que o Brasil tem de melhor. Em Tropicária, existe um monumento, que é um peixe, que da boca dele sai um teleférico que leva a outra ilha. Isso me inspirei no Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro", revela Edson. A revista, que está na quarta edição, é vendida em bancas de jornal de Aracaju e em sites especializados. Os desenhos já ganharam a versão animada, usada para divulgar a produção do sergipano em uma rede social. A poucos quilômetros da casa de Edson, encontramos Rodrigo Seixas, um pai de família, professor de artes em sete escolas de Aracaju e apaixonado pelos quadrinhos. Para fazer as produções, ele utiliza um cantinho da sala do apartamento de 48 metros quadrados, no Bairro Inácio Barbosa. São mais de 20 anos fazendo este trabalho, sempre com um toque de sátira. Rodrigo Xavir também usa um pedaço da sala de estar para produzir os quadrinhos Anderson Barbosa/G1 Assim como a maioria dos quadrinistas, ele teve os primeiros contatos com os desenhos ainda na infância, quando o pai comprava as revistas para ele e os irmãos. Passaram os anos e Rodrigo trocou a posição de leitor pela de produtor de conteúdo. "Os quadrinhos sempre estiveram presentes em minha infância e depois isso influenciou bastante", afirma. E em meio a correria diária, Xavier ainda encontra tempo para ensinar a arte dos quadrinhos a nova geração. "Tem o ensino indireto, com meus alunos das redes estadual e particular que trazem os desenhos e pedem orientação. E a direta, dando aulas sobre história dos quadrinhos na Academia Relicato e na R2 Oficina de Desenhos, esta última meio que virou um selo", explica. Rodrigo Costa faz as revistas artesanalmente. Ele segura alguns dos títulos produzidos recentemente Anderson Barbosa/G1 O Xará dele, Rodrigo Costa, é carioca e está em Aracaju há cerca de 10 anos, logo no começo da história em Sergipe conheceu Xavier em um festival de quadrinhos. Foi o início de uma parceria que virou a revista 'Ói'. "Sempre me peguei no sotaque e na forma de falar por aqui. Ouvia muito: 'ói', 'pronto'. E achei que o 'ói' daria um bom nome para a nossa revista", conta Entre os quadrinistas, Costa se destaca por fazer a revista de forma manual. Dentro de casa, ele faz o processo de impressões. "Faço tudo. O roteiro, desenhos, impressão e montagem. Só a capa peço pra fazer a impressão na gráfica. Sempre que alguém faz uma encomenda inicio o processo de forma manual", conta.

Em breve novidade aqui!!!

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