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'Destrói a estrutura, mas não o desejo de ensinar', diz jovem após chuva alagar escola feita de lona

15 Fevereiro 2020

Jovem Carlos André da Silva sonha ser professor e construiu a escola, em Miracema do Tocantins, de forma improvisada, para dar aulas de reforço. Livros recolhidos de lixão ficam
molhados sempre que chove. Jovem decide dar aulas voluntariamente para comunidade carente em Miracema Crianças e adolescentes de uma comunidade carente de Miracema do Tocantins, na região central do estado, estão sofrendo consequências causadas pela chuva. É que uma escola feita de lona fica parcialmente inundada e precisa ser reconstruída todas as vezes que chove. "'A chuva destrói a estrutura, mas não o desejo de ensinar', diz Carlos André que sonha ser professor e, por isso, decidiu montar um local para dar aulas de reforço. (Veja o vídeo) A estrutura foi construída de forma improvisada e as salas são feitas com pedaços de madeira, lonas e tecidos, quase todos recolhidos no lixo. A ideia começou em 2008 com brincadeiras entre cinco crianças. Atualmente o local é dividido por grau de escolaridade e faixa etária e tem até sala de professores e cantina para atender cerca de 60 crianças. Sem ter condições de comprar objetos que auxiliam no aprendizado, Carlos procura livros e materiais escolares em um lixão. Apesar do prazer em ensinar, ele diz ser trabalhoso ter que reconstruir o local e ver as crianças sem aula quado chove. "Há 11 anos, a cada chuva que vem aqui, eu sou obrigado a construir a escola do zero", disse. Escola improvisada fica alagada quando chove Reprodução/TV Anhanguera Ele conta com a ajuda de professores mirins, também voluntários, e pais de alunos. "Tentamos salvar coisas daqui. Livros e cadernos porque a maioria molhou. A gente vai reaproveitar, botar no sol para ver se seca", disse a pequena Denise da Silva. Carlos, que recolhe livros do lixo, lamenta ver tudo sendo destruído pela água. "Me sinto muito triste porque as coisas estão se desperdiçando. Molhando tudinho. A gente fica sem graça. Boa parte do meu esforço e do meu trabalho está indo embora", desabafa. A vizinhança é responsável por doar os lanches, e quando não tem, Carlos André leva comida da própria casa. "Eu sei que se não tivesse lanche os alunos não iam querer vir para a escola", afirmou Carlos André. Jovem corre para salvar materiais da chuva Reprodução/TV Anhanguera O pai dele, Domingos Costa, é lavrador e trabalha vendendo buritis, fruta típica do cerrado. "Não tenho trabalho fixo. Por mês da uns 60, 70 reais". A renda é usada para sustentar as nove pessoas da casa. "Fico feliz por conta que ele está tirando as crianças da rua. Tenho orgulho de ser o pai dele". Além das crianças, toda a comunidade enxerga o resultado das aulas e apoiam o trabalho voluntário e feito com amor. "A gente aprende na escolinha a se comportar, ler, escrever", disse um garoto. "Meu sonho é ser médica e a escolinha tá me ajudando nisso", contou outra criança. Mesmo diante das dificuldades, o jovem, que aprendeu a ler e escrever aos 10 anos, não pensa em desistir e diz que ainda vai ter a própria escola da forma que sempre sonhou. Pensando no futuro, Carlos já escolheu o nome da unidade escolar. "Escola Alegria do Saber", diz emocionado. Escola foi feita com lona e madeiras recolhidas do lixo Reprodução/TV Anhanguera Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

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