-->

'Escâncara o preconceito', diz líder LGBTI sobre suposto áudio de prefeita que chamou grupo de gueto e baixo clero

22 Fevereiro 2020

Coordenação Estadual da Aliança Nacional LGBTI emitiu nota sobre gravação atribuída à prefeita Cinthia Ribeiro. Áudio vazado nas redes sociais tem causado polêmica; gestora diz que é montagem. Áudio
de prefeita sobre bar da capital causa polêmica; entenda "Isso escâncara o preconceito, escâncara a falta de senso de um gestor, que antes de tudo deveria defender a diversidade, a pluralidade, que é a nossa cidade". A fala de João Paulo Procópio Vieira Silva, um dos coordenadores estaduais da Aliança Nacional LGBTI, é sobre um áudio supostamente atribuído à prefeita de Cinthia Ribeiro (PSDB), onde a gestora chama o público de um estabelecimento de 'gueto', 'baixo clero' e 'coisa louca'. O áudio foi divulgado na noite desta sexta-feira (21), horas após a Prefeitura de Palmas retirar parte da estrutura de um bar que tentou realizar uma programação particular de carnaval na cidade. A festa até começou, mas precisou ser interrompida após a chegada da Guarda Metropolitana e de um promotor de Justiça porque o bar não apresentou o alvará de funcionamento. Em nota, a prefeita Cinthia Ribeiro afirmou que o áudio se trata de uma montagem fora de contexto. "O áudio que circula em redes sociais é uma clara montagem, foi distribuído com fins eleitoreiros e certamente por pessoas que não merecem credibilidade. Tal contexto não condiz com a nossa prática", diz nota publicada. O áudio foi recebido com perplexidade pelo movimento LGBTI do estado. "A gente recebeu esse áudio com total perplexidade dado à gravidade do tema. Porque nós percebemos que o que está em jogo não é a segurança do público que vai ao Mujica [bar envolvido na polêmica], não é a estrutura física, se pode receber pessoas, se vai correr algum risco de ter algum acidente, nada disso. A gente percebe que o simples fato de negar um alvará é porque é um local frequentado, majoritariamente, por LGBTs", comentou João Paulo Procópio. O líder informou que entrou em contato com a Defensoria Pública e com a OAB e pretende acionar a Polícia Civil para investigar o caso, além de pedir uma perícia particular do áudio. "Vamos aguardar o fim dessa atividade de carnaval, do feriado de carnaval, para que a gente possa se reunir com a Defensoria Publica e a OAB para alinharmos as nossas falas, fazermos o boletim de ocorrência para que seja feita a perícia nesse áudio na Polícia Civil." O G1 solicitou um posicionamento da prefeita sobre o assunto na noite deste sábado (22), mas a assessoria de comunicação informou que não iria se manifestar. A Polícia Civil do Tocantins informou que até a presente data não foi registrado nenhum boletim de ocorrência relacionado a esse caso. "Portanto, não há como abrir procedimento investigativo." João Paulo Procópio Vieira Silva é um dos coordenadores estaduais da Aliança Nacional LGBTI Arquivo Pessoal Polêmica no carnaval A polêmica entre a prefeitura e o bar começou em 2018. Na época, o município não autorizou que o estabelecimento realizasse uma festa de Carnaval na rua. Isso porque a quadra, onde ele está localizado, tem muitas residências e poderia configurar perturbação de sossego. Mesmo assim, foliões se organizaram pelas redes sociais e foram para a frente do bar. A festa terminou em confusão com a Polícia Militar. Pessoas foram atingidas com balas de borracha e os militares também jogaram spray de pimenta para dispersar a multidão. No ano passado, após mobilização nas redes sociais, a prefeitura acabou autorizando a realização do evento. Neste ano, o organizador reservou um espaço privado para fazer a festa, às margens da avenida Teotônio Segurado. O advogado Nile William Fernandes explicou que no dia 13 deste mês o dono do bar recebeu um email enviado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Emprego, com o título "Alvará de Funcionamento", mas na verdade, foi anexado um outro documento sem relação com o alvará. Acreditando que teria a liberação, o dono organizou o local e por determinação dos Bombeiros, colocou uma estrutura na calçada usada em casos de evacuação de emergência. Segundo o advogado, nesta sexta-feira, a prefeitura retirou a estrutura alegando uso de espaço público. Pedido na Justiça A defesa do bar entrou na Justiça para que a prefeitura devolvesse a estrutura. Na tarde deste sábado (22), o Tribunal de Justiça mandou a prefeitura devolver os objetos apreendidos para que fossem usados "de acordo com o alvará da prefeitura e aprovado pelo Corpo de Bombeiros". Porém, não há uma decisão sobre a continuidade do evento do bar. Sobre a devolução da estrutura apreendida, a Prefeitura de Palmas informou que em decorrência do feriado de Carnaval, os prédios públicos municipais estão fechados, sem expediente. "Com isso, os interessados podem procurar a Fiscalização de Obras e Posturas na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Serviços Regionais [...] na próxima quarta-feira (26), para solicitar a devolução do material recolhido", diz nota do município. Prefeita Cinthia Ribeiro durante reunião para apresentar programação de carnaval Edu Fortes/Prefeitura de Palmas/Divulgação Confira a nota da Coordenação Estadual da Aliança Nacional LGBTI A Aliança Nacional LGBTI, por meio de sua Coordenadoria Tocantinense, em parceria com o Instituto Equidade Tocantins, Associação Anjos de Resgate, Associação de Travestis e Transexuais do Estado do Tocantins, Casa A+, Igreja Episcopal Anglicana, Rede Nacional De Operadores de Segurança Pública LGBTI, Segmento LGBT Socialista do Tocantins e Triângulo Rosa vem a público se manifestar sobre a suposta fala preconceituosa de uma gestora de Palmas. Por anos nós LGBTI’s fomos perseguidos por nossa forma de amar, diversos governos, de monarquias à ditaduras, tentaram nos reprimir e nos subjugar aos guetos, vielas, em meio ao baixo clero. No caso da liberação do alvará do estabelecimento comercial Mujica, vemos que ele não seria liberado por questões técnicas ou pela segurança da vida dos foliões que ali vão se divertir. Simplesmente não será liberado porque é um ambiente frequentado por LGBTI’s. A atitude da suposta mensagem atribuída deixa claro o apartheid promovido em nossa atual sociedade, segregando pessoas simplesmente por exercer seus direitos individuais, expressos na constituição. O Movimento LGBT moderno, desde 1970 têm sido resistência e não será nossa geração que irá se curvar a atos como esse. Nós, como sociedade civil organizada, repudiamos tal ação que retire os direitos, por qualquer parte das esferas de poder e vamos comunicar aos órgãos competentes de forma oficial, pedindo perícia no áudio em questão, para que seja comprovada sua autenticidade, a fim de que as medidas cabíveis sejam tomadas. Confira nota na íntegra da prefeita de Palmas O áudio que circula em redes sociais é uma clara montagem, foi distribuído com fins eleitoreiros e certamente por pessoas que não merecem credibilidade. Tal contexto não condiz com a nossa prática. Respeito todos os credos, raças, gênero e orientação sexual, tanto que somos referência no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em relação à população LGBT, apoiamos a parada LGBT, e de forma transversal várias outras ações desse segmento. Palmas tem como uma de suas marcas, a diversidade, e nossa gestão tem compromisso com todos. Desde já, quero me desculpar pelo constrangimento e embaraço que essa situação pode ter causado às pessoas. Buscarei na Justiça a reparação dessa tentativa de difamação e quero deixar claro que nada vai me impedir de continuar trabalhando pelo bem de Palmas. Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

Em breve novidade aqui!!!

We use cookies to improve our website. Cookies used for the essential operation of this site have already been set. For more information visit our Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree