No Ministério da Saúde, bilionário defende uso de cloroquina

05 Junho 2020
Carlos Wizard com o ministro Eduardo Pazuello Reprodução/Facebook

De malas prontas para assumir um cargo no Ministério da Saúde, o empresário Carlos Wizard defende o uso de coquetel de medicamentos, incluindo a cloroquina, para pacientes como forma de prevenir o novo coronavírus. Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele usou como exemplo o coquetel adotado em Porto Feliz, interior de São Paulo. "Precisa ter mais evidência do que uma cidade com 75 mil habitantes, com mais de 500 infectados e sem nenhum óbito?", questionou Wizard, convidado para o comando da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE).

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A reportagem levantou, porém, que a informação não é correta. Oficialmente, a cidade de 51.928 habitantes registra 60 casos positivos e 3 óbitos pela doença.

A vizinha Salto, com o dobro da população - 104.688 moradores -, que não adota o medicamento, tem 64 casos e apenas uma morte.

Em Porto Feliz, o uso da hidroxicloroquina associada a outros medicamentos começou no início de abril, bem antes do protocolo de 20 de maio do Ministério da Saúde, liberando para pacientes com sintomas leves.

Como o senhor pretende contribuir para o enfrentamento da pandemia do coronavírus?

Comecei a fazer primeiras reuniões com principais diretores da secretaria. São 600 funcionários, entre servidores, bolsistas e consultores. E um orçamento de R$ 20 bilhões. O Ministério da Saúde não trabalha sozinho. Trabalhamos diretamente ligados aos secretários de cada Estado e município. A comunidade internacional está muito preocupada em oferecer vacina para covid-19. Estamos já em contatos avançados com Oxford.

Qual a sua visão sobre o uso da cloroquina como tratamento?

Qual nossa orientação, em nota técnica distribuída a secretários de Estados e municípios? Com base em estudos feitos no Brasil, e internacionalmente, em centenas de países, que comprovadamente indicaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina preservam a vida, na fase 1 da covid-19, logo que paciente demonstra primeiros sinais. Os resultados são muito satisfatórios. No ministério antigo, no tempo do Mandetta, diziam: se você está com febre leve, fica em casa. E as pessoas ficavam. Essa conduta trouxe milhares de pessoas a óbito. Elas ficavam em casa, não recebiam tratamento. A doença evolui. Milhares foram a óbito. Com essa nova orientação técnica estamos salvando vidas.

Já há dados que mostram melhores resultados após divulgação da mais recente orientação do ministério sobre cloroquina?

Acredito que em 30 dias vai ter uma comparação muito nítida. Do que era, e qual está sendo resposta.

Em relatórios diários, técnicos da SCTIE não apontam benefício da cloroquina contra a covid-19. Quais estudos comprovam a eficiência?

Não trabalhamos com observações empíricas. O Ministério da Saúde só toma suas decisões, normativas, com base em estudos científicos, publicados em revistas especializadas na área médica internacional. Estamos trabalhando com vidas. Não podemos correr risco. Caso você queira, especificamente, vou pedir para a assessora mandar um calhamaço de pelo menos cem estudos comprovados internacionalmente.

Pretende ampliar a orientação do ministério sobre cloroquina?

Vamos combinar. Você não vai colocar cloroquina, chame de coquetel, conjunto, grupo de vários fármacos que preconizamos. A resposta é sim. Se um pai de família é diagnosticado, quando volta para casa também recomendamos tratamento profilático para esposa, sogra, filhos, quem estiver no núcleo familiar. Profilaticamente falando, já recomendamos sob orientação médica.

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