A cada quatro candidatos ao Enem 2019, três declararam não ter acesso à internet, apontam dados do Inep

07 Julho 2020

5.095.270 estudantes se inscreveram para a edição do ano passado; 3.954.805 (77,6%) disseram não ter acesso à rede e 2.345.467 (46%) afirmaram não ter computador. Provas do segundo dia
do Enem 2019 Ana Carolina Moreno/G1 Entre os mais de cinco milhões de inscritos na edição de 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cerca de 3.954.805 – ou 77,6% – disseram não ter acesso à internet, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Na pandemia, alunos de baixa renda desistem do Enem e abandonam cursinhos populares Acesso ao ensino remoto: monitoramento mostra 'apagão' do ensino público na pandemia Além disso, quase a metade dos candidatos afirmou não ter computador em casa. Responderam que não tinham o aparelho eletrônico, 2.345.467 pessoas, o equivalente a 46% dos inscritos. No momento da inscrição, os participantes recebem um formulário que deve ser preenchido com seus dados socioeconômicos. As informações são compiladas pelo Inep e divulgadas posteriormente. Os números do ano passado foram publicados em 26 de junho. Com a suspensão das atividades presenciais e a adoção de aulas remotas por conta da pandemia de coronavírus, milhares de candidatos ao Enem 2020 poderão ter dificuldades para acompanhar as aulas remotas, se a tendência da edição anterior se repetir entre os inscritos deste ano. Falta de acesso Segundo o levantamento do Inep, quatro em dez concorrentes disseram ter apenas um computador em casa, foram 2.202.984 candidatos (43%). O acesso foi maior em celulares, e apenas 2% dos candidatos disseram não ter o aparelho. Ao menos 1.085.417 (21%) dos participantes assinalou ter apenas um dispositivo em casa. Enquanto que 1.595.029 (31%), disse ter dois celulares, 1.386.256 (27%) três e 919.229 (18%) quatro ou mais. Em alguns estados, o programa escolar passou a ser emitido pela TV em canais educativos. Dos candidatos de 2019, apenas 5% disseram não ter o eletrodoméstico. Entretanto, a maior parte dos candidatos (69%) afirmou ter apenas uma. Estudantes de baixa renda O G1 mostrou na segunda-feira (6) que alunos de baixa renda desistiram de tentar a prova e abandonaram cursinhos populares durante a pandemia. Entre os motivos que levaram os jovens a desistir dos estudos para o Enem, estão: falta de computadores e de acesso à internet; ausência de um ambiente adequado para o estudo, em casa; problemas financeiros, que os fazem trabalhar mais, para ajudar a família; instabilidade emocional. Na edição passada do Enem, quase 60% dos inscritos (2.980.446) pediu a isenção dos valores pagos para a inscrição da prova. Para ter acesso a este direito, o candidato se declara em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ou membro de família com renda inferior a um salário mínimo. A maior parte (1.244.925) deles está concentrada na região Nordeste do Brasil, são cerca de 41% estudantes. A região Sudeste fica em segundo lugar nesta classificação com 901.495 concorrentes, ou 30%. Em seguida vem o Norte (406.827), o Sul (225.458) e o Centro Oeste (201741). Monitoramento dos estados Após pouco mais 100 dias de suspensão das aulas presenciais pelo país para conter a pandemia do coronavírus, um levantamento do G1 junto às secretarias estaduais de educação aponta que 15 dos 25 estados que implantaram atividades à distância monitoram a adesão dos estudantes ao ensino remoto. Os índices mostram também que as aulas on-line não são acompanhadas por todos os alunos. Isso significa que, apesar dos esforços das redes, parte dos estudantes pode não ter acesso à educação na pandemia. As razões são várias – e incluem falta de estrutura em casa, de computadores ou de conexão. A alternativa para os alunos é recorrer às atividades impressas ou à transmissão por outras mídias, como TV aberta ou via rádio. Nesses casos, também é difícil mensurar quantos estudantes estão efetivamente assistindo ao conteúdo.
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