Paquistão condena pesquisador à morte por blasfêmia contra islã

21 Dezembro 2019
Homem é acusado de blasfemar contra o islã Pixabay

Um tribunal de primeira instância do Paquistão condenou à morte neste sábado (21) o pesquisador Junaid Hafeez por publicar conteúdo considerado ofensivo ao islã no Facebook.

"O réu deverá ser enforcado até a morte", disse o juiz Kashif Qayyum na decisão, obtida pela Agência Efe. O pesquisador, de 33 anos, ainda pode recorrer.

A audiência foi realizada na prisão central de Multan, no oeste do país, por motivos de segurança, segundo um porta-voz do tribunal.

A acusação

Hafeez foi acusado em março de 2013 por publicar conteúdos supostamente ofensivos ao islã no Facebook. A denúncia foi feita por alunos da Universidade Bahauddin Zakariya, onde ele lecionava Literatura Inglesa.

Preso no mesmo ano, ele é mantido em isolamento desde então.

Um de seus advogados, Rashid Rehman, foi assassinado em 2014 por um grupo de homens armados. Ele havia pedido, sem sucesso, proteção policial por ter recebido ameaças por defender o pesquisador acusado de blasfêmia.

Os Estados Unidos, país onde Hafeez estudou em 2009, o incluiu em uma lista de vítimas de liberdade de religião e crença. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, têm criticado duramente o governo do Paquistão pelo caso.

"O caso de Hafeez é um horror. As autoridades paquistanesas devem revogar rapidamente as leis contra a blasfêmia", afirmou a Anistia Internacional em comunicado divulgado recentemente.

Lei contra blasfêmia

A lei contra a blasfêmia foi criada na época em que o Paquistão era uma colônia britânica. No entanto, na década de 1980, o ditador Zia ul Haq fez alterações no texto para permitir abusos.

Apesar de a lei permitir a pena capital, nenhum condenado foi morto por blasfêmia desde então.

O caso mais conhecido é da cristã Asia Bibi, condenada à morte por blasfêmia em 2010. Ela foi absolvida do crime no ano passado e se exilou no Canadá.

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