Paquistão: Parlamento propõe enforcar pedófilos em público

07 Fevereiro 2020
Protesto contra o estupro no Paquistão Rahat Dar /EFE-EPA - 12.01.2018

A Assembleia Nacional (câmara baixa) do Paquistão aprovou nesta sexta-feira (7) um projeto de lei que propõe o enforcamento público de estupradores e assassinos de crianças, uma proposta polêmica que dividiu o Parlamento.

A proposta foi apresentada pelo vice-ministro de Assuntos Parlamentares, Ali Mohamed Khan, e foi aprovada pela maioria dos presentes, disse à Agência Efe o porta-voz da casa, Mohamed Bashir.

De acordo com a fonte, a votação foi realizada de forma oral, sem papéis, motivo pelo qual não existe o registro do número de parlamentares que votaram a favor.

Apesar da aprovação, o projeto contou com a oposição dos parlamentares do partido governante, Pakistan Tehreek-e-Insaf, e do opositor Partido Popular.

"A resolução é de vários partidos, e não do governo. Muitos de nós nos opusemos", escreveu nas redes sociais a ministra dos Direitos Humanos do país, Shireen Mazari.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Fawad Hussain, condenou a resolução, a qual classificou como "brutal", "bárbara" e inapropriada como resposta aos crimes.

Abuso sexual

Os abusos a menores de idade têm abalado o país desde 2018, quando o estupro e assassinato de uma menina de sete anos provocou protestos violentos contra a suposta ineficácia da polícia diante de casos similares. O estuprador e assassino foi condenado à morte e executado em outubro de 2018.

A cidade onde o caso ocorreu, Kasur, já havia sido centro de um escândalo de abusos contra menores em 2015, quando foi descoberto que ao menos 19 foram gravados e fotografados por uma rede formada por 17 pessoas, sem maiores consequências.

Desde então, outros casos de abusos brutais contra menores repercutiram, alguns gerando novos protestos contra a polícia e autoridades.

Esse movimento levou a Assembleia Nacional a aprovar no início de janeiro um projeto de lei para proteger os menores com um mecanismo de resposta para o desaparecimento dos mesmos, punições para os policiais que não agirem a tempo e penas para os violadores. No momento, a lei está sendo discutida no Senado.

De acordo com a ONG Sahil, 3.832 casos de abusos sexuais contra menores foram denunciados no Paquistão em 2018, 11% a mais que no ano anterior, mas ativistas ainda acreditam que os dados reais sejam maiores.


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