Prefeito de Nova York pede ajuda: 'Agora somos o epicentro da crise'

21 Março 2020
Prefeito de Nova York (EUA), Bill de Blasio pediu ajuda nesta sexta Amr Alfiky/Reuters

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pediu nesta sexta-feira por ajuda devido à situação enfrentada pela cidade, que já possui mais de 5.100 casos confirmados de coronavírus, e descreveu a metrópole como o novo "epicentro da crise" nos Estados Unidos.

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"Detesto dizer isso, mas a verdade é que agora somos o epicentro da crise, a maior cidade do país", disse o prefeito de Nova York em entrevista coletiva.

De Blasio garantiu que a situação atual é "sem dúvida uma das maiores crises deste país nas gerações recentes. (...) E, mesmo assim, o presidente hoje não ofereceu nenhuma ação efetiva", insistiu o prefeito, que denunciou novamente a passividade do governo federal e do presidente Donald Trump.

De Blasio disse que pediu à delegação do congresso, ao vice-presidente Mike Pence e "qualquer um que me escute" por ajuda, mas denunciou não ter recebido "nenhuma resposta de ninguém" em relação aos milhares de ventiladores e milhões de máscaras que a cidade precisa.

Placa anuncia venda de máscaras nas ruas de NY
Placa anuncia venda de máscaras nas ruas de NY JUSTIN LANE/ EFE/ EPA/ 09.03.2020

"Eu aviso as pessoas que, em duas ou três semanas nesse ritmo, ficaremos sem ventiladores e máscaras", previu ele, enfatizando que um terço de todos os infectados nos EUA e dois terços do estado de Nova York estão na capital do estado.

Especificamente, De Blasio apontou que um total de 5.151 pessoas foram diagnosticadas com coronavírus e 29 morreram até agora em Nova York, enquanto o bairro do Brooklyn, com 1.518 infecções, é o mais afetado na cidade.

Os mais de 5.000 casos são mais que o dobro dos registrados no dia anterior na cidade de Nova York, com 2.469 infecções anunciadas na quinta-feira.

Sistema de Saúde

Ele também observou que o sistema hospitalar de Nova York no momento "pode ​​suportar um aumento muito grande" de pacientes, mas isso será apenas até meados de abril, aproximadamente.

"Acho que fui muito direto sobre o fato de que dentro de duas ou três semanas entramos em uma realidade muito diferente", alertou.

A saturação do sistema de saúde ocorreria apesar do cancelamento de cirurgias não urgentes e da alta de pacientes que não estão gravemente doentes, levando à liberação de cerca de 1.200 leitos hospitalares e ao fato de terem sido fornecidos cerca de 2.000 profissionais médicos aposentados voluntários para ajudar na crise.

O prefeito também falou sobre a decisão tomada na sexta-feira pelo governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, de ordenar o fechamento de todos os negócios não essenciais da região, dizendo que foi a "medida certa para proteger todos nós".

Ele também anunciou que haverá uma presença policial acentuada nas ruas da metrópole para garantir que a população siga as regras do "isolamento social", dadas as concentrações usuais em parques e espaços abertos que continuaram a ocorrer, embora ele não tenha descrito um plano detalhado para isso.

"Não será uma imposição, mas uma comunicação" da polícia, disse o comissário de polícia de Nova York Dermont Shea, que pediu a colaboração dos cidadãos, embora ele tenha dito que entendeu que o distanciamento social é um "grande ajuste" para todos.

Shea também revelou que, na última semana, houve uma "queda acentuada" tanto na taxa de criminalidade em Nova York quanto nas queixas ao número do serviço policial, 911, "exceto por telefonemas, como é lógico".

Em relação ao transporte, De Blasio anunciou algumas mudanças no sistema de transporte público, como a instalação temporária de ciclovias na cidade em resposta ao aumento da bicicleta como meio de transporte e uma frequência mais baixa nos ferries que ligam Staten Island com o resto da cidade devido ao baixo número de passageiros que foram registrados.

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