Brasileiros no exterior procuram ajuda de embaixadas para voltar

20 Março 2020
Jéssica e outros brasileiros tentam voltar ao país Arquivo Pessoal

Com a epidemia de coronavírus, diversos países fecharam as fronteiras e decretaram quarentena para evitar a transmissão da doença.

Porém, com a restrição de movimento e limite de voos entrando e saindo das nações, diversos brasileiros estão retidos e não sabem como voltar para casa.

É o caso de Jéssica Berto, que foi para Santiago, no Chile, estudar. No plano original, ela voltaria apenas em abril, mas a companhia aérea cancelou o voo e não dava garantias de que ela conseguiria voltar ao Brasil, já que os últimos voos saem nesta sexta-feira (20).

Acompanhada de outros três brasileiros que também tentavam voltar para casa, ela conseguiu ajuda para ajustar a data da volta.

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“Me senti totalmente vulnerável nessa situação. Buscamos ajuda, psicologicamente abalados em meio a tudo isso”, explica.

Ela buscou ajuda da embaixada, que se colocou à disposição mas não informou que medidas estão sendo tomadas para repatriar os brasileiros presos no país e o que pode ser feito.

“Minha sensação é de total incerteza e medo com tudo isso que está acontecendo.  Por incrível que pareça me sinto mais segura no Chile, onde sei que estão tomando medidas preventivas e de segurança [contra o coronavírus]”, diz.

A situação é semelhante com a de Everson Oliveira Aguilar, que está com a esposa e um casal de amigos no Peru e não consegue passagem de volta para o Brasil e precisou buscar um lugar seguro para ficar enquanto espera um retorno da embaixada brasileira.

À deriva e sem informações
Everson espera para desembarcar na Itália
Everson espera para desembarcar na Itália Arquivo Pessoal

Se a incerteza de voltar estando em um país já é preocupante, estar no meio do mar sem saber nem onde pode desembarcar pode beirar o desesperador.

O brasileiro Everson Rodrigues Ribeiro está a bordo do cruzeiro Costa Pacífica há 15 dias e não tem informações de onde e quando desembarcará para poder voltar ao Brasil.

Na quinta-feira (19), os cerca de 3 mil passageiros foram informados de que o navio seguiria até a França, onde o desembarque seria feito. Porém, ao chegar no país, apenas cidadãos franceses puderam deixar a embarcação. Agora, o cruzeiro segue para a Itália.

Everson disse que os passageiros não receberam bem a informação de que desembarcariam no país, que atualmente é o mais atingido pelo coronavírus e já passou a China em número de mortos, com 3.405 vítimas.

“A nossa preocupação é que a Itália é onde mais houveram mortes, então temos receio quanto a nossa saúde”, disse em um vídeo enviado à reportagem.

“Seguimos apreensivos, até porque não conseguimos posicionar nossos familiares e nossos amigos, e apelamos ao nosso país para que possamos voltar com saúde”.

Ele diz que brasileiros são minoria dentro do cruzeiro, com 197 passageiros, e que já entraram em contato com as embaixadas brasileiras na França e na Itália.

“Eles disseram que era incorreto esse procedimento, porém não podiam fazer nada, que estamos sob custódia da Itália”, explica.

Ajuda diplomática

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse que está trabalhando com consulados e embaixadas do mundo todo para conseguir auxiliar os cidadãos que estão presos nos países em que a circulação foi limitada e informa que criou o Grupo Especial de Crise para assuntos consulares e migratórios para ajudar diretamente cada caso. Apesar disso, não há dados consolidados de quantos brasileiros estão sem conseguir voltar ao país.

“A atuação das embaixadas e consulados do Brasil, que, desde o início da pandemia, mantêm contato direto com os turistas brasileiros, já permitiu mapear as dificuldades enfrentadas por nossos cidadãos retornar ao Brasil”, disse o Itamaraty em nota.

O Ministério garante que está conversando com autoridades em diversos países para conseguir abertura de espaços aéreos e voos para repatriar cidadãos retidos.

“Recomenda-se a todos os cidadãos brasileiros no exterior que mantenham a serenidade e observem estritamente as medidas determinadas pelas autoridades locais, e que, se necessário, busquem contato direto com o Consulado ou Embaixada do Brasil responsável pela região onde se encontram”, aconselharam.

O Itamaraty ressaltou que nenhuma embaixada ou consulado brasileiro em nenhum país está fechado, mas pode estar funcionando em horários alternativos ou atendendo de forma remota, por telefone, Whatsapp ou e-mail.

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